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| 13 de setembro, 2002 - Publicado às 15h51 GMT |
| Afegãos voltam aos cinemas após queda do Talebã |
 Afegãos em frente a um dos muitos cinemas de Cabul
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Graciela Damiano, enviada especial a Cabul
Mais de vinte filmes em um ano! Muitos afegãos que deixam a última sessão de um dos vários cinemas de Cabul se orgulham de dizer que já viram tudo isso.
Os filmes favoritos são os indianos, onde há música, grandes batalhas históricas e aventura.
"Este filme de hoje tem muito a nos ensinar, pois a metade dos maus morreu e a outra metade foi presa", disse Ali Shah, à saída do Park Cinema, um dos muitos no centro de Cabul.
"Eu gosto é de filme americano. Vi Rambo e Soldados Universal, de Jean Claude Van Damme", disse Abdul Hofram, de 20 anos.
Talebã
Ninguém quer ouvir falar do Talebã. A proibição de filmes acabou com a queda do regime. Os afegãos querem se divertir.
Há três sessões diárias. Se o filme atrai muito público, fica duas ou até três semanas em cartaz.
O cinema é da prefeitura, mas o gerente, Ahmad Khaled, é apaixonado por filmes há muito tempo.
"Trabalhei 18 anos com isso e, quando o Talebã proibiu, virei trabalhador braçal. Assim que o Talebã caiu, voltei para o ramo."
Ele diz que há muitas produções afegãs boas e que o povo local sabe apreciar o cinema nacional.
Filmes americanos agradam alguns, mas como ainda não vêm dublados ou com legenda, muita gente não entende e evita assistir.
Mulheres
Mulheres aparecem às vezes, mas sempre acompanhadas do marido. Sentam em camarotes na parte de trás da sala de projeção.
"Mas não são muitas as que aparecem. As mulheres que voltaram do Irã e do Paquistão vêm ao cinema. As mulheres afegãs que não saíram daqui têm vergonha de aparecer", disse o administrador do cinema.
Pergunto a ele se há restrição de idade aos filmes. "Claro, só com mais de 18 anos."
Tendo deparado com adolescentes de 16 que comentavam o filme à porta do cinema, perguntei se ele exigia documento.
"A avaliação é feita da seguinte forma: tem barba e bigode, entra. Senão, volta pra casa sem ver o filme", disse Ahmad Khaled.
Ele garante que reconhece uma barba falsa.
E, estudante ou não, ninguém paga metade. A entrada custa menos de 20 centavos de dólar, o equivalente a cerca de 60 centavos de real. |
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