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| 31 de julho, 2002 - Publicado às 17h50 GMT |
| Prefeitura de Londres ganha sede futurista e ecológica |
 Metade da área do edifício é de espaços públicos
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Maria Luísa Cavalcanti
Depois de iniciar uma remodelação das margens do rio Tâmisa e fazer surgir arranha-céus e apartamentos dignos das grandes cidades americanas, a prefeitura de Londres também ganhou uma nova sede ultrafuturista.
O projeto custou 43 milhões de libras (cerca de R$ 221 milhões), e levou quatro anos para sair do papel e “aterrissar” na margem sul do rio, bem ao lado da Tower Bridge, um dos mais famosos cartões-postais da cidade.
Apesar de baixo – com dez andares –, o prédio chama a atenção por seu formato ligeiramente esférico, pelos andares desnivelados e pelas estruturas em vidro e metal.
O City Hall, prédio da prefeitura, foi desenhado pelo escritório de arquitetura Fosters and Partners, responsável por muitas das construções que estão redesenhando a paisagem londrina, como a Ponte do Milênio.
'Drogas'
 A primeira impressão que eu tive foi de que o arquiteto devia estar sob efeito de drogas  | | Dennis Spawling, turista australiano | O turista australiano Dennis Spawling passeava pela beira do Tâmisa com sua mulher quando percebeu o prédio e resolveu entrar para perguntar o que funcionava ali.
“Não fazia a menor idéia de que aqui era a nova prefeitura”, disse Spawling.
“A primeira impressão que eu tive foi de que o arquiteto devia estar sob efeito de drogas quando desenhou esse prédio, mas o interior é bem imponente”, riu.
Já a espanhola Maria Martrién, que é arquiteta, não aprovou a localização do City Hall.
"A forma elíptica é muito forte e rouba a atenção das construções históricas do entorno", explicou.
"Também acho que não se aproveita a proximidade do rio."
Democrático
 Uma espiral vai do térreo ao topo | Quando a Fosters and Partners foi contactada pelo governo inglês, recebeu a encomenda de conceber um local que fosse um modelo de democracia e acessibilidade, e que funcionasse ao mesmo tempo como prédio de escritórios e espaço público.
O resultado é que metade dos 17 mil metros quadrados do City Hall é de áreas públicas.
Um enorme vão interno é circundado por uma rampa em espiral que sobe do primeiro ao último andar.
Quem caminha por elas tem a sensação de estar sobrevoando uma enorme maquete das margens sul e norte do rio Tâmisa.
No primeiro andar, funciona a sala de reuniões dos 25 membros eleitos da Assembléia de Londres, uma espécie de câmara de vereadores.
 Tínhamos a missão de criar um lugar que mostrasse transparência entre o prefeito e a população. | | Ken Shuttleworth, arquiteto | As sessões são abertas ao público: basta entrar e escolher uma das cadeiras, todas equipadas com seus próprios auto-falantes.
A cobertura é um salão com um terraço que permite uma vista panorâmica da cidade.
O espaço, batizado de London's Living Room (“Sala de Estar de Londres”), funcionará como sala de exposições e eventos abertos, a partir de 21 de setembro.
Ecológico
 Prédio contrasta com Tower Bridge | O prédio da prefeitura é o primeiro edifício da Grã-Bretanha que utiliza um sistema de refrigeração à base de água.
“Puxamos água fria do subsolo com bombas através de canos que vão até o teto”, explicou o arquiteto Ken Shuttleworth.
“Com isso, dispensamos máquinas barulhentas e feias que normalmente são colocadas no topo dos edifícios.”
Segundo Shuttleworth, o próprio desenho do prédio, com os andares ligeiramente desnivelados e uma fachada curva inclinada para trás, faz com que o prédio seja sua própria sombra ao mesmo tempo em que aproveita toda a incidência do sol.
“Para o inverno, contamos com um sistema de isolamento térmico e vedação de todas as janelas”, disse o arquiteto.
Com isso, espera-se uma economia de até 75% no consumo de energia anual do prédio, em relação a uma construção semelhante que utilizasse aquecimento e ar-condicionado centrais.
“Também usamos material reciclado no piso e nas paredes”, afirmou Shuttleworth.
Contraste
As linhas arredondadas, as estruturas metálicas e as paredes envidraçadas do City Hall contrastam com as linhas retas, os muros de pedra e as minúsculas janelas da Torre de Londres, uma fortaleza de mais de 900 anos, exatamente do lado oposto do rio.
Shuttleworth disse que o contraste não foi intencional.
“Temos a filosofia de criar os melhores edifícios usando toda a tecnologia disponível neste momento”, explicou.
“Tenho certeza de que quem fez a Torre de Londres também seguiu a mesma filosofia.”
Como toda novidade, o projeto da prefeitura recebeu várias críticas, principalmente daqueles que acreditam que Londres deva continuar a cidade das tradições.
“Temos que olhar para a frente”, rebateu Shuttleworth.
“Não podemos esquecer o valor das coisas antigas, mas precisamos aceitar as mudanças. Em geral, elas são para melhor.”
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