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| 27 de junho, 2002 - Publicado às 00h11 GMT |
| Pôsteres de filmes indianos são tema de exposição em Londres |
 Cena de produção recente de Bollywood
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Mônica Vasconcelos
A cultura da Índia está tomando conta de Londres nesse verão.
O musical de Andrew Lloyd Webber, Bombay Dreams, estreou há pouco no West End.
No Instituto Britânico de Filmes, BFI. acontece desde abril uma grande celebração do cinema asiático, um dos focos é a produção indiana.
E no museu Victoria and Albert, a invasão indiana ganha a forma de uma exposição de pôsteres de filmes do país.
História
 Os anos 70: violência | A curadora do evento, Divia Patel, disse à BBC Brasil que o movimento não é novo. "Nos últimos anos, a cultura da Índia, do cinema à música, passando pela moda e a culinária, vem conquistando espaço no mundo ocidental."
Quem visita o museu Victoria and Albert para ver a exposição Cinema India: The Art of Bollywood se depara com pôsteres produzidos ao longo de cinco décadas para promover os filmes indianos.
Bollywood, a Hollywood indiana, com sede em Bombaim, é único centro produtor de cinema comparável, em volume de produção, a Hollywood.
Sua marca registrada são filmes açucarados, cheios de romance, heróis corajosos e belas heroínas. Alinhavando tudo, muita música e dança.
Divia Patel disse que selecionou os pôsteres não pelo que dizem sobre os filmes - mas pelo que dizem sobre o país.
"Os pôsteres foram escolhidos porque são grandes obras de arte gráfica, mas também porque trazem muita informação sobre a cultura da Índia", diz Divia Patel.
"Os pôsters dos anos 70, por exemplo, estão cheios de imagens de armas, sugerem violência. Um reflexo da alta inflação, a alta criminalidade, as guerras internas e o estado de emergência que existiram na Índia desse período."
Censura
O expectador desavisado que assiste a um filme de Bollywood pela primeira vez pode ser surpreendido, no meio da cena mais romântica, segundos antes do beijo, pela entrada em cena de dezenas de dançarinos e músicos.
O cenário também pode mudar, e os atores se vêem, de repente, dançando e cantando nos Alpes Suíços.
Divia Patel explica que esse "surrealismo" tem uma função: driblar os censores numa sociedade profundamente conservadora.
"O canto e a dança são usados nos filmes indianos para dizer coisas que não podem ser ditas na narrativa central", explica Patel. "Por exemplo, na cena romântica, o momento do beijo - que raramente é visto numa produção indiana - é substituído pela dança, onde a sensualidade e o erotismo são permitidos."
Essa estética surreal também está presente nos pôsteres dos filmes, nas cores berrantes, nas roupas que parecem fantasias de carnaval, nas expressões apaixonadas dos rostos que sugerem sexo - sexo que os indianos não querem ver na tela.
"Mesmo nas produções mais modernas, onde a estética se aproxima da de Hollywood, o visual contemporâneo é apenas um disfarce. O cinema de Bollywood reforça os valores tradicionais, sempre existe uma lição moral no final."
Oscar
Entre os pôsteres selecionados para a exposição Cinema India estão clássicos como o cartaz do filme Sholay, de 1975.
As duplas românticas Raj Kapoor e Nargis; e Guru Dutt e Waheeda - que equivaleriam, na TV brasileira, ao casal Glória Menezes e Tarcísio Meira -, aparecem numa sessão especial, intitulada Amor e Romance.
A produção contemporânea é representada pelos pôsteres dos filmes Lagaan e K3G, lançamentos de 2001.
Aqui, sinal dos tempos: ao invés de pintados a mão, esses pôsteres são gerados por computador. E as estrelas são mais parecidas com o padrão hollywoodiano: magras, com menos roupa, mais sofisticadas.
Para a curadora Divia Patel, no entanto, não há cartaz mais importante do que o do filme Mother India, produção de 1957 que concorreu ao Oscar.
O pôster mostra a atriz principal carregando um arado e cultivando a terra.
"A heroína, e o filme como um todo, representam a Índia em sua luta pela independência na década de 50. Gosto desse pôster porque ele consegue transmitir, numa só imagem, toda a paixão e emoção presentes no filme."
A exposição Cinema India reserva ainda algumas surpresas ao público: dois artistas pintam pôsteres ao vivo na galeria.
E clássicos do cinema do país são exibidos, de graça, durante o evento, que continua até o dia 6 de outubro.
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