08 de fevereiro, 2005 - 12h03 GMT (10h03 Brasília)
Um relatório do Centro de Pesquisa de Controle do Tabaco da Associação Médica Britânica descreve o sucesso de leis contra o fumo em diversos países e diz que há fortes provas de que elas ajudam a salvar vidas.
Segundo a Associação Médica da Califórnia, no Estados Unidos, a incidência de câncer de pulmão caiu seis vezes mais rapidamente no Estado do que naqueles que não têm leis de proibição do fumo, desde 1998.
Na Irlanda, a venda de cigarros caiu quase 16% nos primeiros seis meses da proibição, segundo a Organização Médica Irlandesa.
Mas há argumentos contra a proibição.
Fumo passivo
"A idéia de que centenas ou mesmo milhares de pessoas estão morrendo por serem fumantes passivos é um mito baseado em estimativas, cálculos e estatísticas que, por sua vez, são baseados em pesquisa extremamente dúbia", disse Simon Clark, diretor do grupo de lobby de fumantes, Forest.
"A maioria quer que a norma seja de escritórios não-fumantes, mas em pubs, clubes e bares existe apoio claro pela escolha de áreas de fumantes e não-fumantes e melhor ventilação."
No entanto, o presidente da Associação Médica Britânica, James Johnson, disse: "Poderosos interesses espalham mitos de que leis de proibição do fumo são desnecessárias, dizendo que são inoperantes, impopulares e levarão à ruína econômica".
"Tais previsões são pouco mais do que provocar alarme. As evidências mostram que as leis de proibição do fumo salvam vidas."
Controle em bares
Segundo ele, se o fumo fosse proibido em todos os locais de trabalho na Grã-Bretanha, as multinacionais do tabaco perderiam cerca de 310 milhões de libras (cerca de R$ 1,5 bilhão) em vendas todos os anos.
"Uma proibição ampla de fumar em locais de trabalho e lugares públicos fechados é essencial para proteger a saúde de não-fumantes e estimular os fumantes a abandonar o cigarro", disse Ian Willmore, da organização contra o fumo ASH.
Em seu Livro Branco para a Saúde Pública na Inglaterra, o ministro da Saúde britânico, John Reid, anunciou planos para a proibição parcial do fumo em lugares públicos fechados.
Por exemplo, os pubs que servem comida teriam que aplicar a proibição, mas os outros, não.
A Associação Médica Britânica diz que isso a medida seria insuficiente e destinada ao fracasso.