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25 de novembro, 2004 - 17h51 GMT (15h51 Brasília)

Menina com vírus da raiva sobrevive sem tomar vacina

Uma adolescente se tornou a primeira pessoa de que se tem notícia a sobreviver à contaminação por raiva sem ter tomado uma vacina.

A informação foi dada por uma equipe do Hospital Infantil de Winsconsin, nos Estados Unidos, que realizou uma experiência na paciente Jeanna Giese, de 15 anos.

Ela deu entrada no hospital no mês passado com sintomas da doença, após ter sido mordida em uma igreja por um morcego infectado.

Eles puderam rapidamente diagnosticar a sua condição devido ao fato de que Jeanna estava demonstrando ter clássicos sinais da doença, pois havia fases em que ela ficava inconsciente, tinha visão dobrada e dificuldade de falar.

A raiva evoluiu até um ponto em que não era mais possível fazer imunização.

Coma induzido

Foi então que o grupo de oito especialistas usou drogas que induzem ao coma para proteger o cérebro da paciente e o seu sistema nervoso dos efeitos da raiva.

Rodney Willoughby, médico especializado em doenças infecciosas infantis, comandou a equipe e disse que o objetivo do experimento era proteger o cérebro da paciente enquanto a doença percorria o corpo da paciente.

Pesquisas anteriores haviam demonstrado que o vírus tende a matar através dos danos que causa ao tecido cerebral.

Jeanna entrou em coma uma hora após o tratamento ter início. Depois uma semana sendo medicada, o sistema imunológico de Jeanna começou a criar anticorpos para combater o vírus.

O tratamento utilizando drogas foi gradualmente reduzido à medida que o vírus ia se enfraquecendo, o que permitiu que a jovem retomasse a consciência.

Testes posteriores realizados em centros médicos na cidade de Atlanta revelaram que o vírus foi erradicado do corpo da jovem.

Willoughby disse que Jeanna estava fisicamente fraca, mas retomando a força e a voz.

Mas ainda é cedo para dizer se ela terá problemas neurológicos ou físicos no futuro.

"Jeanna está claramente consciente e reconhece seus pais. Ninguém nunca antes havia feito um experimento como esse. Nem mesmo entre animais", afirmou Willoughby.