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Atualizado às: 30 de novembro, 2004 - 03h29 GMT (01h29 Brasília)
 
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Fatores biológicos e sociais tornam mulher mais vulnerável à Aids
 
Sul-africanas em protesto para remédios contra a Aids
Muitas mulheres não conseguem negar o ato sexual
Fatores biológicos e sociais têm contribuído para acentuar o risco de contágio do vírus HIV entre as mulheres, segundo a Unaids (a agência da ONU para a Aids).

"As mulheres têm uma vulnerabilidade adicional ao vírus HIV", disse Nina Ferenci, coordenadora da Unaids para a América Latina e o Caribe.

"Por um lado, estão a desigualdade e a dependência sócio-econômica. Por outro, a vulnerabilidade biológica."

De acordo com estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), as mulheres são de duas a quatro vezes mais vulneráveis do que os homens em relação à infecção do vírus da Aids.

Durante a relação sexual, o vírus é transmitido com mais facilidade do homem para a mulher do que da mulher para o homem.

Fatores biológicos

O tecido da vagina e do reto é muito mais vulnerável ao contágio do que o tecido que cobre o pênis.

Além disso, a superfície de contato da mulher é muito maior, como explica Nina: "Em uma relação sexual, a mulher tem um contato estendido com os fluidos seminais, o que leva à maior probabilidade de infecção".

Por essa razão, continua Nina, é importante desenvolver métodos de proteção contra o vírus da Aids que possam ser controlados pela mulher.

"Em muitos casos, o homem se nega a usar preservativos, e muitas mulheres têm consciência que estão se expondo ao risco, mas não podem impor o uso da camisinha a seu parceiro", disse a coordenadora da Unaids.

"Estamos tratando de fomentar o desenvolvimento de certos métodos que a mulher possa controlar, como microbicidas, uma espécie de creme vaginal que pode matar o vírus, ou camisinhas internas femininas."

Fatores sociais

Para Nina, a epidemia de Aids expõe justamente os problemas diários que mulheres enfrentam, como, por exemplo, a dependência econômica.

"Em muitos países, a mulher depende economicamente do homem e, muitas vezes, isso leva a uma situação em que ela tem menos possibilidades de negar a relação sexual."

Em muitos locais, é inaceitável que as mulheres digam "não" a relações sexuais não desejadas ou sem proteção.

"A pobreza junta-se com a situação de desvantagem social da mulher para criar mais vulnerabilidade", alerta Nina.

"Há o machismo, os tabus e os aspectos culturais. Por exemplo, se uma garota leva uma camisinha, ela é considerada uma mulher fácil."

Na sua avaliação, esses "padrões culturais" são difíceis de serem manejados e duram muito tempo para serem mudados, já que estão em vigor há séculos.

Há ainda a questão do tratamento, ao qual os homens têm maior acesso, assim como a distribuição de medicamentos.

O alerta para a "feminização" da Aids foi feito pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em meio às comemorações ao Dia da Mulher, em março deste ano.

Segundo a Unaids, desde 2002, o número de mulheres infectadas com HIV aumentou em todo o mundo, sem nenhuma exceção.

Na África, onde a epidemia está muito avançada, mais de 56% das pessoas infectadas são mulheres.

 
 
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