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Violência no Brasil custa 10,5% do PIB, diz OMS
 
Violência contra a mulher
Maioria das mulheres assassinadas é vítima de parceiros
O custo da violência no Brasil correspondente a 10,5% do PIB (Produto Interno Bruto) anualmente, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O trabalho também indica que apenas os gastos com problemas de saúde relacionados à violência chegam a 1,9% do PIB.

Os números estão no relatório divulgado nesta quarta-feira pela entidade em Viena, na abertura da Sétima Conferência Mundial para a Promoção de Segurança e Prevenção de Violência.

Os números relativos ao Brasil foram baseados no PIB de 1997 e, segundo Alexander Butchart, coordenador da área de Prevenção à Violência da OMS, fazem parte de um esforço para reunir em um único documento dados comparativos do custo da violência no mundo.

“O objetivo foi colocar juntos os dados que conhecemos sobre o assunto”, disse Butchart.

Segundo ele, o custo total da violência no Brasil calculado pela OMS inclui gastos que vão de segurança privada até ausências no trabalho.

As taxas mais altas de gastos com a violência nos países latino-americanos estudados estão na Colômbia e em El Salvador (ambos com custos que chegam a 24% do PIB).

Mortes

De acordo com o estudo, em todo o mundo, 1,6 milhão de pessoas morrem a cada ano em conseqüência da violência.

O documento afirma ainda que a violência é a principal causa da morte de pessoas com idades entre 15 anos e 44 anos.

Além disso, enquanto a maioria dos homens vítimas de homicídio é morta por desconhecidos, mais da metade das mulheres são assassinadas por seus parceiros.

O estudo diz ainda que cerca de 20% das mulheres e até 10% dos homens sofreram abusos sexuais na infância.

Só o problema do abuso infantil custa aos Estados Unidos, anualmente, US$ 94 bilhões, ou 1% do PIB do país.

A OMS chama a atenção para o fato de a violência obrigar os países a gastarem bilhões de dólares que poderiam estar sendo aplicados em projetos sociais, como educação e moradia.

"Além das tragédias pessoais associadas à violência, suas conseqüências são extremamente dispendiosas para a sociedade, devido ao desvio de custos para os cuidados com as vítimas e as ações judiciais contra os criminosos", disse Catherine Le Galès-Camus, diretora-geral assistente da OMS.

Segundo ela, países em desenvolvimento são os que mais sofrem com a desinformação sobre os custos diretos da violência.

"O maior desafio dos próximos anos será fortalecer e apoiar pesquisas de custos nesses países, além de transformar as descobertas em políticas que possam reforçar a prevenção", afirmou Le Galès-Camus.

 
 
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