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Atualizado às: 16 de fevereiro, 2004 - 09h44 GMT (07h44 Brasília)
 
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Quase metade das línguas estará extinta em 100 anos, dizem cientistas
 

 
 
Menino da tribo Awa, que vive na Amazônia
Conhecimento tradicional sobre plantas e animais se perderia com as línguas
Cerca de 40% dos idiomas falados hoje no mundo desaparecerão entre os próximos 50 e 100 anos, alertou um painel de linguistas durante o encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, que acontece em Seattle.

Segundo os cientistas, o fim de boa parte das 6.809 línguas faladas no planeta não só trará impactos culturais como também conseqüências econômicas.

"Veremos uma extinção de línguas milhares de vezes mais acelerada do que a extinção das espécies", disse o linguista Stephen Anderson, da Universidade de Yale.

As razões principais para o desaparecimento dos idiomas, de acordo com os linguistas, são a dominação econômica e cultural e a explosão demográfica.

"Hoje, o império americano fortalece o inglês (primeira língua mais falada do mundo como segundo idioma, e segunda mais falada como primeiro) e a explosão demográfica da China torna o chinês o idioma mais falado do mundo como primeira língua", afirmou Anderson.

Sibéria

Um dos exemplos mais interessantes sobre o desaparecimento de idiomas foi dado por David Harrison, linguista do Swarthmore College, na Pensilvânia.

Em julho do ano passado, o cientista realizou uma expedição à Sibéria e constatou que duas línguas amplamente faladas pelos pescadores e criadores de animais da região hoje contam com menos de 40 seguidores.

Eles simplesmente estão trocando as línguas, chamadas Tofa e Chulym, pelo russo.

"É mais fácil eles se comunicarem com os demais siberianos com o russo. Mas registramos uma perda de identidade forte nesses povos, já que as antigas línguas têm formas particulares de designar atividades pesqueiras e com os animais. Isso ficará perdido para sempre", contou Harrison.

Outro exemplo são tribos na África e na Amazônia. Segundo os cientistas, com a extinção de línguas menores, atividades econômicas poderão ficar comprometidas porque esses povos têm um conhecimento da região que está associado ao nome que dão a plantas, rituais e animais.

"No caso das plantas, uma indústria farmacêutica que quiser pesquisar novos princípios ativos nas florestas pode ter dificuldade em encontrar alguma coisa com a ajuda da população local", exemplificou Anderson.

Os cientistas, no entanto, acham que pode se fazer pouco para evitar essa extinção. O painel reunido em Seattle concordou que o dever da ciência é documentar o quanto puder essas línguas para que elas não sejam apagadas da história.

Mas, apesar das adversidades, os linguistas foram unânimes em dizer que o mundo não caminha para uma língua universal, como o Esperanto.

"Não corremos esse risco. Mesmo que haja uma língua dominando o mundo, em um período de dez anos ela sofrerá várias mudancas em diferentes países e culturas, e uma outra língua acabará sendo criada. A linguagem humana é bastante dinâmica", concluiu David Lightfoot, da Universidade de Georgetown, em Washington.

 
 
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