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Atualizado às: 20 de novembro, 2003 - 02h22 GMT (00h22 Brasília)
 
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'Não somos ameaça para ninguém', diz garoto romeno
Aids
Adolescentes no Centro Santa Maria, na Romênia
 

Bogdan (nome fictício), um romeno de 14 anos, mora no Centro Santa Maria. Lá, vivem com ele outros adolescentes portadores do vírus HIV que foram abandonados pela família. Bodgan conta como foi contaminado e fala do preconceito e das esperanças para o futuro:

"Eu sou o porta-voz dos adolescentes do Centro Santa Maria.

Todos nós temos entre 13 e 15 anos e fomos abandonados por nossos pais. Minha mãe morreu, mas meu pai continua vivo. Também tenho um irmão, uma avó e alguns primos. Eu os vejo, às vezes, principalmente na escola. Meu irmão e meus primos estudam no mesmo colégio que eu.

Sou HIV-positivo, como os outros moradores do centro.

Agulha contaminada

Eu tinha um ou dois anos quando fui infectado. Contraí o vírus de outra criança. Aplicaram-me uma injeção. Deveriam ter esterilizado a agulha, mas não fizeram isso.

Deram primeiro a injeção numa criança contaminada e depois em mim. Foi assim que peguei o vírus.

Às vezes, penso na mulher que me contaminou. Imagino que não seja muito inteligente. Não acho que queria me contaminar de propósito. Só era preguiçosa. Não quis se dar ao trabalho de desinfetar a agulha. Como era velha, não foi punida. Eles a perdoaram.

Seja como for, não estou totalmente convencido que de tenho o HIV. Realmente, acho que não. Não sinto a doença no meu corpo. Conheço outros que sentem, que ficam doentes. Mas eu não. Tenho um ou outro problema de saúde, como todo mundo, infectado ou não. Nada além disso.

Preconceito

Vim morar no Centro Santa Maria em agosto. O centro foi especialmente construído para nós. É a nossa casa.

Agradecemos aos moradores da vila por finalmente entenderem que não somos uma ameaça e permitirem que viéssemos para cá.

 

 Um dia quero ter filhos. Acho que vão criar uma vacina para curar o HIV e a Aids. Sei que já fazem pesquisas nos Estados Unidos

Bogdan

 

Mas as reações iniciais foram hostis. Achavam que colocaríamos outras crianças em risco, jogando agulhas infectadas e roupas manchadas de sangue no jardim.

Também pensaram que a água com que tomamos banho iria para o rio Golesti e contaminaria o gado que a bebesse.

Eles simplesmente não sabiam, não estavam informados sobre o HIV. Viviam organizando encontros na prefeitura e escrevendo petições contra nós.

Mas finalmente nos aceitaram, graças ao esforço dos funcionários do centro e à ajuda de Deus.

Agora estudo na escola da vila. Lá também houve problemas. No começo, não queriam aceitar estudantes portadores do HIV. Mas acabaram concordando. Somente uma mulher transferiu o filho para outra escola.

Gosto da escola e dos meus colegas. Eles nos tratam bem e nos ajudam. Até vêm nos visitar e brincam com a gente no Centro Santa Maria.

Planos

Não somos ameaça para ninguém. Sei como proteger os outros. Se tenho uma ferida aberta, não deixo que cheguem perto. Vou logo ver a enfermeira e lhe peço que ponha luvas para cobrir o ferimento. Deus me proíbe de infectar outra criança!

Um dia quero ter filhos. Acho que vão criar uma vacina para curar o HIV e a Aids. Sei que já fazem pesquisas nos Estados Unidos.

Quero ter uma família, uma mulher e um filho. Quero também virar especialista em informática.

Mas, antes, precisam encontrar uma vacina."

 
 
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