O enviado especial da ONU à conferência internacional sobre Aids, no Quênia, Stephen Lewis, denunciou como "obscenidade grotesca" a falta de remédios baratos contra a doença na África.
Ele condenou o comportamento dos países mais ricos do mundo: "Nós podemos encontrar mais de US$ 200 bilhões (R$ 580 bilhões) para uma guerra contra o terrorismo, mas não conseguimos encontrar dinheiro para fornecer tratamento anti-retroviral para aqueles que necessitam na África".
Apenas US$ 1 bilhão (cerca de R$ 2,9 bilhões) foi gasto no combate à Aids na África no ano passado, segundo ele.
Estima-se que cerca de 30 milhões de pessoas na África estejam infectadas com o HIV, o vírus que causa a Aids, e cerca de 15 milhões já morreram da doença.
Vida mais longa
A Organização Mundial da Saúde (OMS) quer que 3 milhões de pessoas em todo o continente recebam anti-retrovirais até 2005.
Os remédios não acabam com o HIV, mas retardam o seu desenvolvimento, dando aos pacientes a esperança de uma vida mais longa.
Embora os preços de remédios contra a Aids tenham caído, apenas cerca de 50 mil doentes africanos têm acesso a eles.
Especialistas dizem que o grande problema agora é como distribuir os remédios de forma eficiente para todos os desorganizados sistemas de saúde dos países africanos.
Um novo relatório da ONU, distribuído no começo da conferência, descreveu a epidemia de Aids como o maior desafio para melhorar a qualidade de vida da população africana.
Milhares de médicos, políticos e ativistas da luta contra a Aids estão em Nairóbi para o que está sendo visto como uma oportunidade importante para trocar idéias sobre a melhor forma de combater a doença.
A Conferência Internacional sobre Aids e Doenças Sexualmente Transmissíveis na África acontece a cada dois anos.