Grã-Bretanha

Arqueólogos descobrem 'casa mais antiga da Grã-Bretanha'

Escavações no sítio arqueológico de Star Carr (Foto: Universidade de York / Divulgação)

Star Carr 'oferece evidências da vida dos primeiros habitantes da Grã-Bretanha'

Arqueólogos britânicos anunciaram ter descoberto os restos daquela que pode ser a casa mais antiga do país, que teria sido habitada por volta de 8.500 A.C.

Pesquisadores das universidades de York e Manchester disseram ter encontrado uma estrutura circular de cerca de 3,5 metros onde, no passado, teria existido uma palhoça de tribos ancestrais de caçadores e coletores.

Dentro, os cientistas identificaram um buraco largo, rodeado de pequenas perfurações, onde teriam sido instalados postes. A estrutura teria contido material orgânico, como junco, e possivelmente teria servido de recipiente para uma fogueira, segundo os pesquisadores.

A descoberta foi feita no sítio arqueológico de Star Carr, no condado de North Yorkshire, na costa do nordeste do país, considerado pelos cientistas tão importante quanto Stonehenge.

Até então, os mais antigos restos de uma casa na Grã-Bretanha haviam sido achados em Howick, Northumberland, a cerca de 230 km ao norte de Star Carr. Entretanto, a moradia anunciada agora supera a outra em antiguidade por pelo menos 500 anos, afirmou a equipe.

"Essa é uma descoberta sensacional porque diz muito sobre as pessoas que viveram aqui naquele tempo", disse a arqueóloga Nicky Milner, da Universidade de York, que trabalha em Star Carr desde 2004.

"Por exemplo, parece que a casa pode ter sido reconstruída em diferentes momentos. Também é possível que houvesse mais de uma casa e que muitas pessoas vivessem no mesmo local", explicou.

"Tínhamos a visão de que esses eram povos muito nômades, errantes, mas agora estamos vendo que eram muito mais sedentários e sofisticados. As pessoas viviam no mesmo local por gerações."

'Primeiros imigrantes'

Tronco de árvore de 11 mil anos (Foto: Universidade de York / Divulgação)

Cientistas também analisam tronco de árvore com evidência de carpintaria

A ocupação da área data de 9.000 A.C., fim do último período glacial, uma época em que a ilha da Grã-Bretanha ainda estava ligada ao resto do continente europeu.

Tribos de caçadores e coletores viveram na região por um período entre 200 e 500 anos, tendo migrado em busca de animais de caça através de uma área hoje coberta pelo Mar do Norte.

Esses povos não cultivavam a terra, adotavam a prática de queimar parte da paisagem para fazer com que animais comessem brotos, e domesticavam cães.

Para a arqueóloga Chantal Conneller, da Universidade de Manchester, que também realiza escavações em Star Carr desde 2004, as descobertas no sítio arqueológico complementam o conhecimento sobre "os primeiros povos a migrar para a Grã-Bretanha após a Era do Gelo".

"Pensávamos que eles se moviam muito e deixavam poucas evidências. Agora, sabemos que eles construíam grandes estruturas e eram muito ligados a locais e paisagens em particular", disse a pesquisadora.

Na mesma zona arqueológica, nas proximidades de um antigo lago, os cientistas estão escavando uma plataforma de madeira que eles acreditam oferecer a evidência mais antiga da atividade de carpintaria na Europa.

A equipe também descobriu um tronco de árvore que, apesar de seus 11 mil anos de idade, está bem preservado e com a casca ainda intacta.

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