| 02 de junho, 2003 - Publicado às 16h23 GMT |
| Nicotina é tão ruim para bebês quanto o crack, diz estudo |
 Médicos dizem que esforços antifumo são necessários
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Fumar cigarros, mesmo com moderação, durante a gravidez pode provocar alterações de comportamento em bebês recém-nascidos semelhantes às causadas por drogas ilegais, de acordo com um estudo da Universidade Brown, em Rhode Island, nos Estados Unidos, publicado na revista médica Pediatrics.
Os pesquisadores descobriram que mulheres que fumavam apenas seis a sete cigarros por dia deram à luz bebês mais agitados, irrequietos, com menos flexibilidade e mais difíceis de consolar que filhos de mães não-fumantes.
De acordo com o estudo, quanto mais alta a dose de nicotina verificada na mãe, maiores os sinais de estresse nos bebês.
A pesquisa sugere que as alterações comportamentais constatadas são semelhantes às que se vê em recém-nascidos de mães que usam crack, cocaína ou heroína durante a gravidez – e são suficientemente fortes para sugerir que os bebês enfrentam "crises de abstinência".
Saúde pública
"Temos uma droga legal na nicotina que pode ter o mesmo efeito tóxico das drogas ilegais. É um grande problema de saúde pública que tantas pessoas estejam pagando o preço do fumo, até os recém-nascidos", diz Karen Law, uma das pesquisadoras da Brown.
No entanto, Barry Lawson, colega de Law, afirma que o uso de drogas ilegais durante a gravidez causa muito mais preocupação do que o de tabaco.
Ainda assim, o número de mulheres que fuma durante a gravidez é seis vezes maior que o número de mulheres que utiliza drogas ilícitas.
As novas descobertas indicam que são necessárias novas iniciativas para alertar contra os perigos do fumo.
"Se um bebê vulnerável recebe atenção e tratamento, não há porque imaginar que a criança não se desenvolva bem", disse Lawson.
Riscos
"Mas sabemos também que o bebê correrá riscos de se desenvolver mal, se crescer em um ambiente estressado, de baixa renda, onde esses efeitos podem ser potencializados", completou o médico.
A pesquisa acompanhou 27 bebês que haviam sido expostos ao tabaco no útero e outros 29 que não.
As crianças com "nicotina" pareciam anormalmente tensas e pouco flexíveis, necessitavam de mais atenção e apresentavam maiores sintomas de estresse.
A exposição dos bebês à nicotina foi medida por meio de análises de amostras da saliva das mães para identificar traços de cotinina, uma substância produzida depois da absorção da nicotina pelo corpo.
O professor David Edwards, da Imperial College, especialista em pediatria neonatal, afirmou à BBC que ainda são necessárias mais pesquisas na área para que se possa concluir com segurança os efeitos que a nicotina tem sobre fetos no útero materno.
Edwards disse ainda que não há provas que sustentem a comparação entre os efeitos da exposição ao tabaco e à cocaína, que bloqueia as artérias e pode provocar enfartos em bebês.
Ainda assim, Edwards faz a ressalva: "Temos que tentar fazer tudo o que for possível para fazer com que as mulheres parem de fumar durante a gravidez." |
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