| 08 de maio, 2003 - Publicado às 05h02 GMT |
| China tenta combater prejuízo econômico causado pela Sars |
 Chinês passa por cartaz com alerta sobre a Sars
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O governo da China recomendou nesta terça-feira que os comerciantes e empresários do país adotem medidas para amenizar os prejuízos econômicos provocados pela pneumonia atípica conhecida como Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês).
A agência estatal de notícias Xinhua informou que as autoridades locais foram alertadas para a necessidade de ajudar o turismo e outros setores que tiveram suas operações financeiras atingidas pelo avanço da Sars.
O governo chinês também ordenou a adoção de uma série de medidas para tentar garantir a colheita da produção agrícola nas regiões mais afetadas pela doença.
De acordo com a agência Xinhua, o gabinete chinês descreveu o contínuo avanço da pneumonia como "severo". Em Xangai, as autoridades de saúde anunciaram a imposição de uma quarentena de duas semanas para as pessoas que chegam de áreas atingidas pela Sars.
Zonas rurais
Na quarta-feira, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, reconheceu que o sistema de saúde na área rural da China é totalmente incapaz de lidar com o grande número de casos de Sars.
Em uma análise franca do sistema de saúde do país na área rural, Wen disse que as instalações são fracas, a capacidade técnica é inadequada e sistemas de vigilância de epidemia são ruins.
No entanto, o alerta pode ter chegado tarde demais. O correspondente da BBC em Pequim, Rupert Wingfield-Hayes, diz que há sinais preocupantes de que a epidemia de Sars que atinge a capital do país começou a se espalhar pelas províncias vizinhas.
Wingfield-Hayes afirma que o primeiro-ministro está finalmente dizendo em público o que muitos especialistas da área de saúde já diziam privadamente há semanas.
Batalha perdida
A epidemia de Sars que atinge Pequim já é ruim, mas se atingir as vastas áreas rurais e pobres do país será muito pior.
O correspondente da BBC diz que em muitas partes rurais da China o sistema de saúde simplesmente entrou em colapso e há sinais crescentes de que a batalha para evitar que a Sars se espalhe já foi perdida.
"Nós temos muitos médicos, muitos hospitais. O problema é que não temos médicos e hospitais suficientes especializados nesse campo", disse Hu Yonghua, diretor da escola de saúde pública da Universidade de Pequim.
"Nos próximos dias, nós podemos esperar que o número de mortes aumente por causa da falta de experiência dos trabalhadores da área de saúde", afirmou.
Hu estima que apenas "um número muito pequeno" dos 32 mil médicos e 34 mil enfermeiros registrados está treinado para lidar com doenças infecciosas e problemas respiratórios graves.
Quando a doença está em estágio avançado, é fundamental um tratamento intensivo por médicos experientes em problemas respiratórios.
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