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 Você está em: Saúde & Tecnologia
01 de maio, 2003 - Publicado às 20h02 GMT
Cientistas dizem estar perto da cura da esclerose múltipla
A equipe trabalha no projeto há três anos
A equipe trabalha no projeto há três anos

Carla di Bonito

Cientistas italianos dizem que podem estar se aproximando da descoberta da cura para a esclerose múltipla, doença que atinge o sistema nervoso central.

A terapia, desenvolvida por cientistas do Instituto San Raffaele de Milão, se baseia na tentativa de recompor a mielina, substância que falta às vítimas da doença.

Em condições ideais, a mielina reveste as fibras nervosas do cérebro, mas nos pacientes de esclerose múltipla - também conhecida como doença desmielinizante - a lesão à camada de mielina provoca distúrbios na transmissão dos impulsos nervosos.

O tratamento vem sendo desenvolvido há três anos pela equipe do instituto chefiada pelos cientistas Gianvito Martino e Angelo Vescovi e consiste em injetar células nervosas, chamadas de neurais estaminais, diretamente na veia ou no cérebro.

Cinco anos

"As células neurais estaminais são levadas para todo o sistema nervoso, e uma vez que chegam às zonas lesadas começam a se transformar em células que produzem a mielina. Somente as zonas inflamadas, ou onde existe algum dano, captam essas células reparadoras", explica Martino.

Os médicos italianos deverão começar a fazer os testes da nova terapia em macacos em alguns meses. Se os experimentos derem certo, em cinco anos, a técnica poderá ser testada em seres humanos.

A esclerose múltipla atinge principalmente pessoas entre 20 e 30 anos e é resultado da destruição desse revestimento das células nervosas, o que impede a comunicação entre essas células e, com isso, o funcionamento normal do cérebro.

As terapias usadas até hoje são baseadas principalmente no uso de medicamentos que apresentam uma eficácia limitada e efeitos colaterais.


Células estaminais recomporiam a mielina
"Até agora, as terapias para esse tipo de doença se concentravam em destruir as células, por assim dizer, enlouquecidas do sistema imunológico. Mas esse novo estudo tem uma abordagem diversa e se baseia na reconstrução da mielina", afirma Martino.

O cientista também afirma que ainda não foi registrado nenhum efeito colateral, mas ressalta que isso não significa que a nova terapia terá sucesso garantido.

"Quando esses experimentos começarem a ser feitos no homem nós usaremos a princípio células nervosas de fetos, já que o transplante ainda não é possível e poderia haver rejeição por parte do organismo."

Otimismo

Apesar disso, os dois médicos dizem que as perspectivas até agora são boas. Segundo eles, a introdução dessas células no organismo não seria um processo tão complexo, já que não será necessário manipular as celulas neurais depois do implante.

"Nós implantamos essas células exatamente como elas são e não precisamos nem instruí-las nem implantá-las no lugar da lesão, deixamos que elas corram livremente procurando a parte inflamada ou lesada. Essas celulas têm por natureza como principal função a de reparar danos", explica o professor Angelo Vescovi.

Segundo os pesquisadores, até hoje era impensável o uso de células neurais como forma de cura para uma doença tão complexa como a esclerose múltipla.

Embora a causa da doença ainda seja desconhecida, sabe-se que os sintomas podem ser aliviados com medicamentos se for feito um diagnóstico precoce.
 
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Links externos:
Instituto Científico Universitário de San Raffaele (em italiano)
Associação Italiana de Esclerose Múltipla (em italiano)
Projeto Mielina (em inglês)
Associação Brasileira de Esclerose Múltipla
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
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