| 31 de janeiro, 2003 - Publicado às 11h00 GMT |
| Cientista diz que Homem não é tão próximo do chimpanzé |
 Sterkfontein é a mais rica região de fósseis da Terra
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O fóssil de um hominídeo encontrado no sul da África está levantando novas questões sobre a origem do Homem.
Restos encontrados nas cavernas de Sterkfontein, perto de Johanesburgo, indicam que nossos ancestrais se pareciam menos com chimpanzés do que se pensava anteriormente.
A revelação se segue à descoberta de ossos desaparecidos de um esqueleto de 3,5 milhões de anos encontrado em 1998.
Fragmentos de pélvis, coxas, costelas e espinha dorsal foram encontrados recentemente numa escavação, permitindo que cientistas reconstituíssem o modo de andar do hominídeo.
Modo de caminhar
A anatomia do hominídeo, um membro do gênero Australopithecus, levanta questões interessantes, segundo os cientistas.
A estrutura dos ossos mostra que ele não caminhava como os modernos chimpanzés, usando as articulações dos dedos das mãos.
Ele provavelmente caminhava em duas pernas quando estava no chão, mas passava a maior parte do tempo subindo em árvores, de acordo com Ron Clarke, da Universidade de Witwatersrand, que descobriu o fóssil.
Clarke vai além. Ele afirma que o fato de o hominídeo não caminhar usando as articulações dos dedos das mãos indica que chimpanzés e seres humanos não são tão próximos como se pensava.
Segundo Clarke, o último ancestral comum do Homem e do chimpanzé pode ser encontrado num período anterior da história.
Ele defende seu ponto de vista no South African Journal of Science.
"Minha conclusão, tirada das proporções dos membros e da morfologia dos pés e das mãos, é que o indivíduo de Sterkfontein subia em árvores (usando seu poderoso polegar como apoio) e era bípede no chão", afirmou.
"Dessa forma, parece que o forte polegar opositor desenvolveu-se no ancestral humano para agarrar galhos. Então, nos descendentes, que eram principalmente terrestres, na forma de Homo, ele se mostrou útil para fabricar ferramentas e manipular objetos", disse.
"A sugestão resultante de reconstruções e da literatura científica, de que ancestrais humanos passaram a andar eretos a partir de um ancestral que caminhava apoiando-se nas articulações dos dedos das mãos, não é comprovada por por esse acréscimo importante aos registros fósseis", completou.
Divergências
Outros especialistas são mais prudentes. O professor Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, afirma que a idéia de que chimpanzés e humanos derivam de um ancestral comum que caminhava apoiando-se nas articulações dos dedos das mãos "não é uma visão da maioria".
O modo de andar peculiar de chimpanzés e gorilas pode ter se desenvolvido depois que as três linhas se separaram, segundo o pesquisador.
Robin Crompton, da Universidade de Liverpool, concorda. Ele diz que há uma prova genética "muito forte" de que os seres humanos estão ligados de maneira muito próxima a chimpanzés.
"É provável que o ancestral comum dos macacos africanos, incluindo nós mesmos, vivia em árvores", disse ele à BBC.
"Na minha opinião, caminhar apoiando-se nas articulações dos dedos e escalar verticalmente os troncos de árvores são uma especialização de chimpanzés e gorilas conseguida depois que os humanos se separaram deles", afirmou.
Sterkfontein é provavelmente a região mais rica da Terra em fósseis de hominídeos. As cavernas fazem parte do Patrimônio Mundial. |
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