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21 de janeiro, 2003 - Publicado às 18h06 GMT
Inscrição em marfim pode ser o mais antigo mapa estelar
As inscrições foram interpretadas a constelação Orion
As inscrições foram interpretadas a constelação Orion

A mais antiga imagem de estrelas, reproduzindo a constelação de Orion, foi reconhecida em um bloco de marfim de cerca de 32,5 mil anos.

A imagem foi esculpida em uma pequena lasca da presa de um mamute com o desenho de uma figura humana com os braços e as pernas esticadas, na mesma posição da constelação de Orion, que inclui as estrelas conhecidas como "Três Marias".

A descoberta foi anunciada pelo pesquisador alemão Michael Rappenglueck, que ficou conhecido por seu trabalho, pela Universidade de Munique, de localização de cartas astronômicas pintadas nas paredes de cavernas pré-históricas.

O bloco também contém marcas misteriosas gravadas nas laterais e no verso. Elas poderiam ser uma versão primitiva de um calendário de gravidez, uma tentativa de prever o dia de nascimento do bebê.

Neandertais

A imagem foi encontrada em 1979, em uma caverna no vale de Ach, na região alemã do Danúbio. Testes de datação por carbono 14 dos depósitos de cinzas encontrados perto do bloco indicam que ele tenha entre 32,5 mil e 38 mil.

Ele teria sido produzido pelo misterioso povo aurignaciano, sobre o qual se sabe muito pouco, exceto que invadiu a Europa pelo leste, substituindo os neandertais.


Rappenglueck encontrou fortes indícios para a tese
O bloco de marfim é pequeno, mede apenas 38mm de altura por 14 mm de largura e tem 4 mm de profundidade, mas, a julgar pelas marcas gravadas nas laterais, os arqueólogos acreditam que ele tenha sido feito desse tamanho, e não seja apenas o fragmento de um bloco maior.

De um lado da tábua de marfim aparece uma figura humana com as pernas separadas e os braços abertos. Entre as suas pernas parece haver uma espada, sua cintura é estreita e uma das pernas é mais curta que a outra.

Arqueólogos acreditam que a figura gravada pode estar rezando ou dançando, ou ser meio homem, meio gato. Ela também poderia representar um divindade.

No entanto, Michael Rappenglueck acredita que ela seja o desenho da constelação de Orion, que ainda hoje é chamada de "O Caçador".

'Três Marias'

As proporções do homem correspondem ao padrão das estrelas que compõem Orion, principalmente a cintura estreita, que seriam as famosas "Três Marias" e a perna esquerda, mais curta.

A "espada" no bloco de marfim corresponderia também a um detalhe da constelação de Orion.

Há também outras indicações de que as conclusões de Rappenglueck estejam corretas. As estrelas tinham posições ligeiramente diferentes há 32 mil anos porque elas se movem no céu em diferentes velocidades e direções.

Rappenglueck estudou este fenômeno com um modelo computadorizado para "voltar o tempo" no céu e encontrou provas de que uma das estrelas estaria em um local diferente há 32 mil anos.

O bloco – que tem 86 marcas – também poderia ser um calendário de gravidez.

Esse é o número de dias que deve ser subtraído de um ano para se chegar à média do número de dias da gestação humana.

Oitenta e seis também o número de dias que uma das estrelas mais brilhantes de Orion, a Betelguese, fica visível.

Para os antigos, isso poderia ser uma relação entre a fertilidade humana e os deuses no céu.

Orion é uma das constelações mais marcantes no firmamento. Os egípcios associavam-na ao seu deus Osíris e ela teve um significado especial para muitas culturas ao longo da história.
 
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