| 13 de dezembro, 2002 - Publicado às 19h17 GMT |
| Luta ambientalista não contará com EUA, dizem ONGs |
 A temperatura média da Terra está aumentando
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Mariana Timóteo da Costa
Em 2003, o mundo deverá tentar frear as mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável sem o apoio dos Estados Unidos, segundo avaliação de organizações não-governamentais que atuam no setor.
O país é o maior poluidor do mundo e cuja população consome mais recursos naturais do que qualquer outra no planeta.
Mas o governo americano, depois de rejeitar o Protocolo de Kyoto em 2001, manteve em 2002 seu distanciamento das questões ambientais.
Durante a Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 10, realizada em setembro em Johanesburgo (África do Sul), o governo americano mostrou-se incapaz de propor mudanças no setor.
Esperança
O coordenador do Greenpeace, Marcelo Furtado, diz esperar que a posição do governo americano possa mudar com o tempo.
"Até acreditamos que essa situação vai mudar, com a pressão da opinião pública. Mas isso não é para agora. Por isso, blocos de países como os em desenvolvimento e os da União Européia (UE) devem agir sozinhos pelo menos até o fim do mandato do presidente George W. Bush", diz.
Furtado elogia fatores como a posição do Brasil, de investir cada vez mais em fontes de energia renováveis, e a recente criação de um mercado internacional de trocas de emissão de gás carbônico pela União Européia (UE).
"Iniciativas como essas mostram que é possivel tentar salvar o clima sem o apoio do maior responsável pelo desgaste do planeta", explica Daniel Mitller, coordenador internacional da ONG Amigos da Terra.
Segundo o americano Carl De Witt, do Instituto de Estudos Ambientais dos Estados Unidos, o governo Bush vai continuar agindo contra a vontade de ambientalistas.
"Ainda mais se uma guerra com o Iraque e o combate ao terrorismo continuarem sendo as prioridades do governo", afirma.
Mas, segundo ele, a opinião pública americana está cada vez mais preocupada com as questões ambientais.
Isso, para o cientista, pode fazer com que uma liderança expressiva surja no país, capaz de promover mudanças em um âmbito nacional.
"Por enquanto, essa liderança não existe, e toda a iniciativa que vemos hoje nos Estados Unidos aparece de forma isolada, em poucos Estados, como a Califórnia, que resolveu incentivar a construção de carros produtores de energia limpa", explica o cientista.
Amigo pessoal do ex-vice-presidente democrata Al Gore, que disputou as últimas eleições presidenciais com Bush e foi uma presença ativa na Rio 92, De Witt acredita que apenas a opinião pública pode pressionar o governo americano para acabar com o que chamou de "jeito excessivamente conciliatório com que Bush lida com as empresas de petróleo".
Essas empresas, que foram grandes financiadoras da campanha eleitoral do presidente dos Estados Unidos, são as principais responsáveis pelo aquecimento global, afirma DeWitt.
E são elas que pressionam pela não ratificação do Protocolo de Kyto, que tem como objetivo conter o aquecimento global.
Mudança na ONU
Para os ambientalistas que estiveram na Rio+10, ficou claro que a importância das grandes cooporações precisa ser amenizada nos Estados Unidos para fazer com que o país tenha um maior comprometimento com o controle das mudanças climáticas e o desenvolvimento sustentável.
"A Organização Mundial do Comércio (OMC) não pode continuar sendo mais forte do que a Organização das Nações Unidas (ONU). A OMC foi criada para defender interesses comuns dos países. Em Johanesburgo, vimos que ela está cada vez mais forte e atendendo aos interesses das grandes empresas e dos governos fortes", critica Marcelo Furtado.
De acordo com o coordenador do Greenpeace, 2003 será um ano decisivo para a ONU.
"Ou a organização fica apenas como um instrumento regulatório da segurança do planeta ou passa a defender interesses mais comuns, não deixando as regras da OMC tomarem conta na tomada de decisões", acredita.
Daniel Mittler concorda. "A ONU não deve apenas prestar atenção no que os países ricos têm a dizer".
Padrões de consumo
Para Carl DeWitt, os Estados Unidos precisam deixar "a arrogância que há muito acompanha o país" de lado para que mudanças ocorram.
"A sociedade está começando a ver que sem controlar o clima, daqui a pouco todas as riquezas acabam. Ou seja, sem controle do clima não pode haver desenvolvimento sustentável", diz o cientista.
Carl DeWitt explica que o mesmo acontece se os padrões de consumo não forem modificados.
"Um americano consome mais do que quaquer indíviduo de outro país. Apesar da opinião pública nos Estados Unidos estar mais consciente, ela ainda possui uma certa resistência em reconhecer a necessidade de alterar os seus padrões de consumo", opina o cientista.
Para DeWitt, o papel dos pesquisadores e das ONGs é fundamental para alimentar a sociedade com "informações sobre as conseqüências que o seu comportamento terão sobre a Terra".
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