| 06 de setembro, 2002 - Publicado às 22h02 GMT |
| Ondas cerebrais de bebê são medidas no útero |
 O feto pode sentir som e luz
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Um teste que mede os sinais elétricos no cérebro do feto pode, um dia, ajudar os médicos a proteger os bebês de lesões ocorridas no útero.
Esta é uma das primeiras vezes que a atividade do cérebro de bebês está sendo medida, e mostrou que os fetos podem até responder à luz sentida através do abdômen da mãe.
A pesquisa, feita por cientistas da Universidade de Arkansas, nos Estados Unidos, usou uma técnica chama de magnetoencefalografia (MEG).
A atividade nervosa do cérebro envolve impulsos elétricos ligeiros, e esta técnica se baseia no princípio de que mesmo os menores impulsos criam um campo magnético.
Resposta à luz
O dispositivo usado pelos pesquisadores pode medir flutuações minúsculas em campos magnéticos usando um supercondutor esfriado em hélio líquido.
Para testar o dispositivo, dez mulheres grávidas com fetos entre 28 e 36 semanas, tiveram seus ventres cobertos com 151 sensores.
Um cabo de fibra ótica foi então usado para transmitir impulsos de luz - com cerca de um décimo da intensidade da luz do sol num dia claro.
Quatro dos dez fetos produziram respostas cerebrais à luz, com reações mais fortes nos fetos mais desenvolvidos.
Placenta
Os cientistas não acreditam que a falta de resposta dos outros seis seja sinal de que há um problema com os fetos e sim de que eles simplesmente estavam dormindo ou olhando para a direção errada.
Os benefícios práticos deste sistema incluem a possibilidade de se prevenir, ou ao menos diminuir, as consequências da falta de nutrientes da placenta.
Uma causa freqüente de deficiências em bebês acontece quando a placenta, que faz a ligação da mãe com o feto, não está fornecendo os nutrientes essenciais para o desenvolvimento correto do cérebro da criança.
Em alguns casos, isto pode fazer com que o bebê nasça com um problema no cérebro, como paralisia cerebral.
Se os médicos suspeitam que a placenta não está alimentando o bebê perfeitamente, em alguns casos, é melhor adiantar o parto e fazer com que a criança nasça prematura. Mas os prematuros correm risco de ter outras complicações. Portanto, trata-se de um julgamento difícil de se fazer.
O teste poderia determinar o nível de atividade cerebral do feto e ajudar os médicos a tomar uma decisão.
Penny Gowland, médica da Universidade de Nottingham, acredita que, no futuro, esta técnica vai trazer outros benefícios: "Um dia, quem sabe, vamos entender porque é benéfico para o cérebro, tocar Mozart para o bebe que está no útero".
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