| 30 de agosto, 2002 - Publicado às 18h10 GMT |
| Uso de transgênicos divide FAO e ambientalistas |
 FAO recomenda uso de transgênicos nos países pobres
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Mariana Timóteo da Costa, enviada especial para Johanesburgo
A organização de agricultura e alimentos das Nações Unidas (FAO) irritou nesta sexta-feira os ambientalistas que participam da Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, em Johanesburgo.
O diretor da FAO, Jacques Diouf, declarou que os países pobres devem pensar antes de proibir o plantio e comercialização de alimentos transgênicos.
De acordo com Diouf, esses alimentos podem ajudar a combater a fome de cerca de 800 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento.
O argumento da FAO é que não existe uma legislação internacional sobre os transgênicos.
Sem provas
"Além disso, não temos provas de que esses alimentos façam mal à saúde humana e ao meio ambiente. Isso justificaria o uso de transgênicos pelos países que precisam", disse Diouf.
Diouf, no entanto, ressaltou a necessidade de que estudos científicos sejam constantemente realizados em alimentos transgênicos, para que seu impacto seja avaliado.
"Precisamos também de mais discussões internacionais e uma legislação forte e regulatória para esses alimentos", explicou.
As declarações de Diouf são vistas como contraditórias pelas ONGs e pelos ambientalistas.
Em entrevista à BBC Brasil, Von Hernandez, coordenador do Greenpeace para a Ásia - uma das regiões que mais sofrem com a fome - disse que qualquer país que permita o plantio e o comércio de transgênicos está agindo de forma inconseqüente.
"Me admira a FAO estar propondo isso, quando a própria organização, em junho, disse que o mundo tem recursos próprios e naturais para alimentar toda a sua população. Para que usar transgênicos?", indaga Hernandez.
O ambientalista acredita que a declaração da FAO possa estar ocultando a frustração da organização de a conferência de Johanesburgo não ter atingido nenhum acordo significante sobre a questão agrícola.
Para Hernandez, o problema da fome seria resolvido com incentivos à agricultura dos países pobres e o fim dos subsídios dados pelos países ricos aos produtores locais.
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