| 19 de agosto, 2002 - Publicado às 18h22 GMT |
| Biomassa ganha espaço e já é terceira principal fonte |
 Briquete, um vantajoso substituto da lenha
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Babeth Bettencourt
Cerca de 10% da energia produzida hoje no Brasil é proveniente da biomassa, gerada pela queima de produtos orgânicos. Ela já é a terceira principal fonte de energia no país, ficando atrás apenas do petróleo e da energia hidrelétrica.
A maior parte do aproveitamento de matéria orgânica como fonte de energia deve-se ao Proalcool, o Programa Nacional do Álcool, criado nas décadas de 70 e 80 com o objetivo de substituir a gasolina nos veículos leves, como parte das providências adotadas pelo governo para reduzir o impacto da alta do preço do petróleo.
Os estímulos fiscais e econômicos oferecidos ao Proalcool, o interesse das indústrias automobilísticas e de bens de capital, que atravessavam recessão, e o apoio surgido com o aumento da preocupação ambiental, especialmente nos grandes centros, garantiram o sucesso do programa.
A produção do álcool e de veículos cresceu rapidamente e, em 1985, os carros movidos a álcool representavam 96% da produção nacional.
Energia térmica
Com a redução dos preços do petróleo, a partir de 1986 e, por conseqüência, da gasolina, o álcool combustível perdeu competitividade, apesar dos bons resultados do programa.
A necessidade de manter o preço do álcool muito mais baixo do que o da gasolina passou a exigir subsídios cada vez mais altos para sustentar o Proálcool, que hoje é muito menor do que na década de 80.
 Quirino defende o potencial dos briquetes | O bagaço da cana, no entanto, mostrou-se eficiente na produção de energia térmica, nas próprias usinas do setor sucroalcooleiro.
A queima desse bagaço fornece energia para as usinas, e o restante – em alguns casos - é vendido para a rede elétrica.
O uso da matéria orgânica como combustível não pára por aí. No Laboratório de Produtos Florestais do Ibama foi criada uma máquina de briquetagem, que comprime resíduos transformando-os em tocos de madeira.
Segundo Waldir Quirino, engenheiro florestal do laboratório, os briquetes podem substituir a lenha com grandes vantagens.
"O briquete é uma lenha de alta qualidade, porque tem densidade elevada e é seco, o que facilita a armazenagem e o transporte, barateando o custo", conta Quirino.
"O interessante da briquetagem é que você pode aproveitar qualquer material orgânico. Qualquer resíduo de origem agro-industrial, mesmo couro, pode ser compactado e transformado em briquete."
Incentivo
A máquina já é fabricada no Brasil, mas ainda não há muitas usinas de briquetagem no país. Quirino cita a falta de incentivos para instalar essas usinas como a maior dificuldade para o aproveitamento dos resíduos.
"Normalmente as usinas são montadas por empresas privadas que geram resíduos e querem reaproveitá-los", diz ele.
Para o engenheiro, o racionamento de energia elétrica do ano 2001 alertou o governo, que passou a buscar alternativas para diversificar a matriz energética nacional.
"Ficou claro para os órgãos do governo a possibilidade de ampliar de maneira rápida a geração de energia elétrica através da biomassa, com a indústria sucroalcooleira e mesmo consumindo os resíduos da indústria madeireira, ou das agro-indústrias", afirma.
"Por exemplo, só no Rio Grande do Sul temos dois milhões de toneladas de cascas de arroz que poderiam ser transformadas integralmente em energia."
A biomassa é, em sua maioria, usada para gerar calor, mas, segundo Quirino, ela também pode ser usada na geração de eletricidade.
O Brasil não está saindo na frente, já que hoje existe uma preocupação mundial com a melhor utilização da biomassa, uma fonte de energia limpa.
"O Brasil está acordando para a potencialidade que ele tem de biomassa. O que diferencia os países hoje é a energia, e o Brasil é um país extremamente rico neste campo."
"Poderíamos ser auto-suficientes em energia no Brasil só com a biomassa, pela própria capacidade de fotossíntese. O país tem uma extensão enorme e grande incidência solar, o que é preciso para produzir biomassa. Luz, solo e água, o que o Brasil tem de sobra", completa.
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