| 19 de agosto, 2002 - Publicado às 18h21 GMT |
| Energia eólica deve crescer 50 vezes no país até 2003 |
 Usina eólica da Taíba, no Ceará
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Babeth Bettencourt
A participação da energia eólica (produzida pelo vento) na matriz brasileira é hoje de apenas 20 megawatts, insuficiente para abastecer até mesmo um bairro.
Mas as perspectivas são animadoras. O Pró-Infra, programa do governo que prevê o aumento das fontes renováveis na matriz energética, estabelece que a produção de energia eólica no Brasil deve chegar a, pelo menos, 1.030 MW até o final de 2003.
"A eólica é hoje a fonte mais competitiva e confiável existente no Brasil, depois da hidráulica", afirma Everaldo Feitosa, diretor do Eólica Brasil e vice-presidente da Associação Mundial de Energia Eólica.
"É evidente que essa fonte vai crescer mais do que isso. A expectativa é de que a eólica obtenha um mercado da ordem de 2.000 MW desse pacote", completa.
Renováveis
O Pró-Infra faz parte do programa emergencial de geração de energia, criado após o racionamento de 2001.
Ele inclui também incentivos à produção de energia por biomassa, pequenas centrais hidrelétricas e solar, num pacote total de 3.300 MW. A fonte que tiver maior flexibilidade e maleabilidade econômica para crescer dentro desse pacote crescerá.
Everaldo Feitosa aposta na força da energia eólica. Segundo ele, o primeiro mapa de caracterização eólica do Brasil foi feito há pouco mais de quatro anos, na região Nordeste, e foi o que propiciou o Pró-Eólica - o programa que prevê o aumento de produção e que mais tarde foi encampado pelo Pró-Infra.
 Brasil já fabrica equipamento | O mapa mostrou que o potencial brasileiro é grande. Apenas no Nordeste, o potencial das jazidas do tipo A, consideradas as melhores e também as que podem ser exploradas a curto prazo, é de cerca de 6 mil MW. O Brasil também já domina a tecnologia e fabrica o equipamento.
A Alemanha, o maior produtor mundial, tem capacidade instalada de 8.750 MW.
"Um vento é determinado não só por sua velocidade e intensidade. A qualidade do vento também é medida pela baixa turbulência e baixa rajada de vento", explica Everaldo Feitosa.
"Na região Nordeste nós temos um vento praticamente constante, que chamamos de 'bem-comportado e educado'."
Só esse potencial já equivale a mais da metade da capacidade instalada no Nordeste, que é de 9 mil MW.
No país, o potencial dessas jazidas é de 20 mil, e o das jazidas de menor qualidade e que poderiam ser exploradas a longo prazo é de 70 mil - quase o mesmo valor da potência hidráulica instalada hoje no país.
A energia eólica, assim como a solar ou a de biomassa, não poderia ser a única nem a principal fonte energética do Brasil, já que elas não são constantes e dependem, basicamente, de fatores naturais.
Mas, segundo Everaldo Feitosa, "o ponto importante é não desprezar as fontes". Tanto a eólica, como a solar e a energia de biomassa são fontes complementares, que atuam junto com as outras fontes existentes no Brasil, como a hidráulica.
"De imediato, quando chegarmos a um potencial instalado de 1.050 MW, nós já nos tornaremos o quinto país do mundo em energia eólica, atrás da Alemanha, dos Estados Unidos, da Espanha e da Dinamarca."
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