| 29 de julho, 2002 - Publicado às 09h42 GMT |
| 'Sem tabaco, seria difícil sobreviver', diz produtor |
 A família Ziebel, produtora de fumo no Sul
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Isabel Murray, de São Paulo
A propriedade rural de Edemar Ziebel fica no pequeno município de Vera Cruz, no Rio Grande do Sul, o Estado que mais produz tabaco no Brasil.
A pequena propriedade, de 12 hectares, é um exemplo típico das plantações de fumo no país. Além de Edemar, de 35 anos, trabalham ali também a sua mulher e a sua sogra.
Edemar tem três filhos, de 13, 10 e 3 anos de idade. Ele afirma que só as crianças não trabalham. Sua vida é difícil, mas o produtor acredita que seja a melhor alternativa.
"O fumo proporciona um lucro maior que as outras culturas", diz Edemar Ziebel. "Vai produzir milho por hectare, você não consegue manter uma família, uma estrutura. A cultura do tabaco te dá bastante mão-de-obra, mas dá um retorno financeiro melhor."
Rotina
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O produtor segue a mesma rotina há 18 anos. A semeadura dos canteiros de fumo começa em maio e é feita pelos três adultos da família.
 Edi Walvenbittel lida com o fumo desde criança | Às vezes são necessários dois diaristas. De setembro a fevereiro, acontece o trabalho pesado de manutenção e terração, quando normalmente mais oito pessoas trabalham com a família Ziebel.
"São plantados 120 mil pés nessa propriedade que a gente tem", diz Edemar. "Dá um rendimento de dez a 16 arrobas por mil pés, depende do clima. De um ano correndo bem, a gente tira uma produção razoável. A safra deste ano foi vendida por um preço médio de R$ 43 a arroba."
O trabalho é pesado, feito pela mulher e pela sogra de Edemar, sem reclamar. Leoni Ziebell, de 32 anos, diz que trabalha com o fumo desde solteira.
A sua mãe, Edi Walvenbittel, é filha de alemães e tem 70 anos. Lida com o fumo desde criança e afirma não estar cansada.
"O que se vai fazer?", pergunta Edi. "Tem que trabalhar para sobreviver."
Campanhas
A família Ziebel está consciente de toda a campanha antitabagismo feita pelo Ministério da Saúde, o que causa preocupações quanto ao futuro.
 Edemar Ziebel questiona as campanhas antifumo | "Se não vendesse mais o tabaco, iria ficar muito difícil nossa sobrevivência, a vida da gente na pequena propriedade. A gente teria que partir para um emprego, o que é muito difícil hoje. Para nós seria um desastre", argumenta Edemar.
A idéia de partir para outro tipo de cultivo não anima muito o agricultor. "Eu iria precisar de financiamento adequado para o produtor. Mas precisa ter mais terra disponível para plantar."
Ele diz que a campanha antitabagismo é injusta. "As principais famílias daqui não conseguem sobreviver sem o tabaco", afirma Edemar.
"Eu não consigo entender como produtor, porque só falam do que o tabaco causa. Só que ninguém nunca fala da bebida alcoólica. Eu acho que tudo que é em excesso faz mal."
Edemar Zeibel não fuma e diz que terá de aceitar se um dia um dos seus filhos adquirir o hábito.
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