| 29 de julho, 2002 - Publicado às 09h52 GMT |
| Cigarro resiste a anos de leis e campanhas no Brasil |
 Foto colocada em maço para alertar sobre o câncer
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Isabel Murray, de São Paulo
O fumo resiste bravamente no Brasil após 16 anos de campanhas e introdução de leis que divulgam os seus males à saúde e restringem o consumo de cigarros.
Estima-se que mais de 30 milhões de brasileiros fumem, entre eles 12 milhões de mulheres - no mundo todo, de acordo com o Inca (Instituto Nacional de Cãncer), há 1,25 bilhão de fumantes.
A indústria afirma que o consumo de cigarros no país permaneceu estável nos últimos anos. Segundo o Sindifumo (Sindicato das Indústrias do Fumo), são consumidas anualmente cerca de 140 bilhões de unidades no país.
Mas a Receita Federal registou uma queda de 30% no consumo per capita de cigarros entre 1989 e 2000, já incluindo os cigarros contrabandeados e falsificados – outra dor de cabeça para os fabricantes.
Cerco
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O cerco ao fumo no Brasil vem se fechando desde 1986, quando foi criado o Dia Nacional de Combate ao Fumo – 29 de agosto.
A partir de então, uma série de leis proibiu as propagandas de cigarro nos meios de comunicação, obrigou a publicação de frases de advertência nos maços e proibiu que fabricantes de cigarro patrocinem eventos culturais ou esportivos.
O mais recente golpe para a indústria ocorreu em fevereiro deste ano, quando todos os maços de cigarro passaram a ter fotos que alertam sobre os males causados pelo tabagismo, a exemplo do que já acontecia no Canadá.
 Cartaz do governo brasileiro contra o cigarro |
O Ministério da Saúde informa que até hoje não foi feita uma pesquisa oficial abrangente sobre o perfil do fumante brasileiro.
Esse perfil só deve ser traçado a partir deste ano, com o Inquérito Domiciliar sobre Comportamento de Risco de Doenças Não-Transmissíveis, que será realizado em todas as capitais e no Distrito Federal.
No entanto, um estudo recente do Inca já demonstra as principais características dos fumantes no município do Rio de Janeiro.
Especialistas dizem que a pesquisa é um bom exemplo porque, no que se refere ao cigarro, levantamentos anteriores não constataram grandes diferenças de hábito entre o Rio e outras áreas do país.
O fumante carioca
Os números indicam que a percentagem de homens fumantes no Rio de Janeiro é de 23,4% da população, enquanto as mulheres consumidoras de cigarro representam 20%.
A pesquisa também mostra que o hábito de fumar entre os cariocas é influenciado pelo nível de escolaridade.
O percentual de fumantes entre os analfabetos é de 26% - ou seja, cinco pontos percentuais acima da média. Entre as pessoas que têm entre um e quatro anos de estudo, 25,9% fumam.
O hábito de fumar no Rio de Janeiro atinge apenas 17,3% das pessoas que têm entre 9 e 11 anos de estudo.
E os fumantes com 12 ou mais anos de escolaridade representam apenas 17,2% da população. O nível econômico também influencia o tabagismo – quanto menor o salário, mais a pessoa fuma.
A pesquisa do Inca feita no Rio de Janeiro mostra que 23,5% das pessoas com renda de até dois salários mínimos são fumantes.
Entre os que ganham de dois a quatro salários mínimos por mês, a parcela é menor: 21,4%. Já entre os que ganham vinte salários mínimos por mês ou mais, a percentagem de fumantes cai para 16,5%.
De maneira geral, o diretor clínico do Hospital do Câncer, em São Paulo, Daniel Deheinzelin, afirma que há inúmeros tipos de fumantes, mas existe uma característica mais marcante entre eles.
"Entre os fumantes, existe uma incidência muito alta de distúrbios de humor. Calculamos que 40% dos fumantes são deprimidos ou ansiosos, ou os dois", afirma o médico.
Entre os males do consumo de cigarro, estão os grandes gastos para o sistema de saúde pública.
O Inca diz que 73.924 mortes por ano podem ser atribuídas ao cigarro e que o SUS (Sistema Único de Saúde) gasta cerca de R$ 198,7 milhões anualmente apenas com casos de câncer relacionados ao tabagismo.
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