| 14 de maio, 2002 - Publicado às 10h33 GMT |
| Velas podem viabilizar viagens interestelares |
 Velas solares mudariam as viagens espaciais
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Helen Briggs
A primeira tentativa de lançar ao espaço uma nave movida a energia solar deve ocorrer no segundo semestre deste ano.
Especialistas da Nasa e da Agência Européia Espacial observarão o projeto de perto para ver se essa missão de baixo custo é ou não bem-sucedida.
O lançamento da nave, que deverá ser colocada na órbita da Terra, é uma operação privada da Sociedade Planetária, dos Estados Unidos.
O experimento pode dar início a uma nova era nas viagens espaciais com o uso de naves movidas a energia do Sol, da mesma maneira que, no mar, barcos são levados pelo vento.
Tecnologia
A tecnologia utilizada no projeto é baseada em velas solares, extremamente finas, que lembram um espelho e captam partículas individuais da luz do Sol.
Em tese, esses fótons vão transferir sua energia para as velas, fazendo com que a nave se movimente.
Há muito tempo fãs de ficção científica sonham com o uso de uma tecnologia como essa para a exploração do espaço.
É possível uma nave ser enviada a Marte, por exemplo, impulsionada por combustível convencional. Mas viajar a pontos mais distantes exigiria expandir os limites da propulsão química - assim como os da imaginação humana.
A idéia seria então utilizar a energia solar para impulsionar naves espaciais que fossem enviadas para outros planetas e em pontos ainda mais distantes.
A luz do Sol ficaria fraca demais a partir de Júpiter, mas uma teoria ligada às viagens interestelares é a de direcionar raios laser para as velas da nave.
O princípio parece fantasioso, mas agora existe um verdadeiro entusiasmo na comunidade científica quanto à possibilidade de que as velas solares possam, um dia, fazer das viagens ao espaço profundo uma realidade.
Projeto
A missão da Cosmos 1 dará o primeiro passo na direção das viagens livres pelo espaço.
O projeto é uma iniciativa conjunta da Sociedade Planetária e dos Estúdios Cosmos, um grupo de produtores e roteiristas de filmes criado pela viúva do cientista e escritor Carl Sagan (autor da série de TV Cosmos, que foi exibida no Brasil).
A nave começará sua viagem a bordo de um míssel disparado de um submarino em águas territoriais da Rússia.
Se tudo correr como o previsto, a nave movida a energia solar vai se separar do míssil e, em seguida, abrir as suas velas. Depois ela deve entrar em órbita, onde ficará por algumas semanas ou meses, sempre impulsionada pelo Sol.
O diretor da Sociedade Planetária Louis Friedman forneceu os últimos detalhes da missão num encontro da Royal Astronomical Society, em Londres.
Ele afirmou que o míssil russo que será utilizado no lançamento foi aprovado em testes preliminares.
"O uso de velas solares é a tecnologia que pode nos levar para as estrelas", afirmou Friedman, ex-cientista da Nasa, em entrevista à BBC.
Ele afirmou que eles estavam começando o projeto "no porto da órbita terrestre", onde eles pretendem demonstrar a nova tecnologia.
"Em futuras missões, nós temos o objetivo de sair da órbita da Terra, ir ao espaço interplanetário e, finalmente, sair em missões interestelares", disse.
Possíveis aplicações da tecnologia incluem o envio de uma nave para orbitar o Sol ou talvez até mesmo desviar um asteróide que esteja em colisão com a Terra.
O professor Colin McInnes, que organizou o encontro da Royal Astronomical Society, chefia um programa na Universidade de Glasgow, na Escócia, que estuda o uso de velas solares.
Ele afirmou que a primeira "missão científica séria" com o uso da nova tecnologia estava muito mais próxima do que muitos imaginam.
McInnes disse que uma das possibilidades seria organizar uma missão para coletar amostras de asteróides ou cometas.
"Como a propulsão com vela solar é infinita, você poderia utilizar a mesma nave - os mesmos equipamentos - para ir de um asteróide para outro, fazendo experimentos comparativos", afirmou.
Além dos objetivos científicos, há ainda um grande interesse comercial no desenvolvimento de naves espaciais com velas solares.
Com a economia no gasto com combustível, é possível tornar mais barata a forma mais cara de transporte criada até hoje.
A empresa americana Team Encounter planeja lançar ao espaço interestelar uma nave movida a energia solar carregada de fotografias, mensagens e amostras de DNA.
As pessoas interessadas em mandar seu material, como uma mensagem dentro de uma garrafa, teriam de pagar US$ 50 (R$ 126).
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