| 08 de abril, 2002 - Publicado às 16h25 GMT |
| Lésbicas surdas decidem ter filho surdo nos EUA |
 Casal vem recebendo críticas nos Estados Unidos
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Um casal de lésbicas gerou polêmica nos Estados Unidos ao decidir ter um bebê surdo.
Sandra Duchesneau e Candy McCullough são surdas de nascimento. Elas abordaram diversos bancos de sêmen pedindo que a fertilização de uma delas fosse feita com material doado por um homem que sofre do mesmo problema.
Depois que o pedido foi rejeitado por todos os estabelecimentos que procuraram, elas acabaram usando o sêmen de um amigo que é totalmente surdo e em cuja família a deficiência se manifesta já há cinco gerações.
O sêmen foi usado para fertilizar Sharon, que deu à luz um bebê, Gauvin McCullough, que agora tem quatro meses de idade e muita pouca audição em apenas um ouvido. As duas disseram que o bebê vai poder escolher, quando for mais velho, se quer ou não usar um aparelho auditivo.
Bênção
"Um bebê que tem a audição perfeita seria uma bênção", disse Sharon antes do nascimento de Gauvin. "Um bebê surdo seria uma bênção especial."
Sharon e Candy já têm uma filha, Jennifer, 5, gerada com o sêmen do mesmo doador e que só consegue se comunicar por meio de linguagem de sinais.
As duas fazem parte de um grupo em expansão nos Estados Unidos que identifica a surdês não como uma deficiência, mas como uma identidade cultural.
Muitos desses militantes se opõem à realização de cirurgias para que as pessoas surdas passem a ouvir.
Sharon e Candy trabalham como terapeutas na cidade de Bethesda, em Maryland, atendendo pessoas que sofrem de surdez e de problemas psíquicos.
Críticas
Mas a decisão do casal atraiu pesadas críticas nos Estados Unidos.
"Privar o bebê de uma faculdade natural é um comportamento antiético", afirma Peter Garrett, diretor da ONG LIFE.
"Quando você pensa que já ouviu de tudo, vem uma história que vai além das fronteiras do imaginável", disse Peter Sprigg, do Conselho de Pesquisas da Família dos Estados Unidos.
Mas o porta-voz da Associação Britânica da Surdez, Stephen Rooney, disse que o verdadeiro tema em questão não é se as pessoas estão tentando criar bebês surdos.
"O verdadeiro tema é como a sociedade hoje nega às crianças surdas os mesmos direitos, responsabilidades, oportunidades e qualidade de vida das outras pessoas", disse Rooney.
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