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26 de março, 2002 - Publicado às 15h47 GMT
Médicos dos EUA atendem viciados em internet
Até 10% dos americanos conectados estão viciados
Até 10% dos americanos conectados estão viciados

Um centro de aconselhamento nos Estados Unidos está realizando um trabalho pioneiro para tratar pessoas que não conseguem parar de navegar na internet.

Os médicos Hilarie Cash e Jay Parker fundaram juntos o Internet/Computer Addiction Services, perto de Seattle, e estimam que até 10% dos americanos conectados à internet sofram com o vício.

Cash e Parker também descobriram que internautas que fazem uso de jogos online, em que competem com outros usuários conectados em todo o mundo, são particularmente mais propensos ao problema.

O Centro atende casos como o da adolescente Jessica Nicholas, de 17 anos, que costumava passar de seis a 20 horas horas por dia em frente ao computador.

Problemas


Jessica chegou a 20 horas por dia na internet
"Eu deixei de ser uma pessoa extrovertida", disse Jessica. "Ironicamente, os amigos que eu tentava encontrar online estavam sempre desconectados fazendo alguma outra coisa."

"Eu não saía com eles porque estava sempre muito ocupada com as coisas da internet, e a linha telefônica estava sempre congestionada", afirmou a garota.

O problema de Jessica é até suave se comparado com outros casos que chegaram ao centro, como contou o médico Jay Parker.

"Recebemos aqui um jovem que deixou de ir à escola e perdeu uma namorada por causa do computador. Dois meses depois, teve um surto psicótico depois de ter passado 36 horas seguidas na internet", disse Parker. "O vício foi rápido e devastador."

Segundo o médico, é difícil determinar quando uma pessoa está se tornando viciada.

"Há sinais e sintomas, como a pessoa não conseguir saber de antemão quanto tempo pretende ficar conectado ou simplesmente começar a perder partes da sua vida real", explicou Parker.

Crianças em perigo

Para a médica Hilarie Cash, o aspecto mais preocupante do vício em internet é a vulnerabilidade das crianças.

"As crianças tendem a se ligar facilmente a alguns dos recursos da internet, como os jogos online e a pornografia", afirmou. "Quanto mais jovem a pessoa, mais vulnerável ela é."

Ela disse que as escolas e os pais deveriam acordar para o perigo.

Segundo ela, a supervisão dos jovens é vital: "Nós aconselhamos os pais a não deixar seus filhos ficarem horas na internet nem navegarem sem acompanhamento".

Método

Para aqueles que não conseguem tirar os olhos do monitor, o médico Parker recomenda o "modelo dos 12 passos", instituído pelos Alcoólicos Anônimos.

O paciente deve reconhecer o vício e admitir que não consegue deixá-lo por conta própria.

Em seguida, os pacientes são apresentados uns aos outros. Assim, têm a quem recorrer caso sintam vontade de ligar o computador.

Hilarie Cash afirmou que a maneira como o centro trabalha é mais "cognitiva e comportamental", ou seja, ajuda as pessoas a entender como funcionam e como podem mudar seu jeito de agir.

Os dois médicos afirmaram que não recomendam que o paciente aposente o computador.

"O computador veio para ficar e faz parte da nossa vida e do nosso futuro. O que o paciente tem que fazer é criar limites saudáveis", disseram.

A adolescente Jessica tentou o método e disse que ele a está ajudando.

Ela afirmou que, em alguns momentos, chegou a evitar o computador totalmente.

Agora, consegue passar uma hora por dia online.

 
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Links externos:
Internet/Computer Addiction Services (em inglês)
The Centre for Online Addiction (em inglês)
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