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29 de novembro, 2001 - Publicado às 14h43 GMT
Donas de casa formam grupo mais vulnerável à Aids
Nos EUA, campanhas informam mães e filhos
Nos EUA, campanhas informam mães e filhos

Isabel Murray, de São Paulo

No Brasil, as donas de casa formam hoje o grupo mais vulnerável à infecção pelo vírus HIV. A informação, do Ministério da Saúde, mostra a nova face da doença, que, quando surgiu, era associada somente a homossexuais.

"Não podemos falar hoje em grupo de risco, mas em situações de vulnerabilidade", diz Paulo Teixeira, coordenador do programa nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde.

"Nesse momento, a população que está mais exposta no Brasil é a população feminina, principalmente mulheres casadas, com parceiros fixos, em cidades menores."

O motivo seria que essas mulheres mantém uma postura submissa no relacionamento e não conseguem convencer os companheiros a usarem preservativos.

Teimosia

Foi o que aconteceu com a cabeleireira Adriana, de 26 anos,que vive em São Paulo. Ela sabe que é soropositiva há sete anos e foi contaminada pelo marido, que já faleceu devido a complicações causadas pela Aids.

"Não morri ainda porque sou teimosa," disse ela à BBC, bem-humorada.

"Durante uma das minhas piores crises, um médico chegou a me dizer que a ciência não explicava o fato de eu estar viva."

Entre choro e risadas, Adriana contou sua história.

" Tive que me casar aos 15 anos, forçada pela minha mãe. No primeiro ano do relacionamento, nós usávamos preservativos, mas eu queria ficar grávida", disse ela.

"Minha filha nasceu saudável e eu a amamentei normalmente. Mas um dia meu marido precisou ser internado porque estava com tuberculose e toxoplasmose. No hospital, ele teve vários problemas e precisou ser operado."

Somente após doar sangue no hospital, Adriana descobriu que era portadora do vírus HIV e confrontou o marido.

"Ele chorou muito e me confessou que já sabia. Fiquei desnorteada: tinha 19 anos, uma filha de dois anos, um marido à beira da morte que tinha mentido para mim, e o médico que comunicou o resultado do exame me disse que eu tinha apenas cinco anos de vida. ".

Remédios

O marido morreu e Adriana começou a tomar os remédios fornecidos pelo governo. Sofreu com os efeitos colaterais da medicação, como febre, queda de cabelo, dores de estômago e anemia profunda, quando teve até que fazer transfusão de sangue.

Numa fase em que estava bem, Adriana conheceu o segundo marido. Mesmo sabendo que ela tinha o vírus HIV, insistiu em ter relações sexuais sem preservativo. Adriana teve um menino, que nasceu soropositivo, mas que apresentou exames negativos com um ano e meio de idade.

"Não pude amamentar meu filho. Foi horrível, mas para o bem dele", recorda Adriana. Esse relacionamento já acabou e ela afirma que o ex-marido não foi infectado.

A cabeleireira só tem elogios para o programa brasileiro de combate ao HIV.

Ela toma 14 comprimidos por dia. Uma vez por mês, Adriana pega os medicamentos na Casa da Aids, um ambulatório do Hospital das Clínicas administrado pela Fundação Zerbini, na região central de São Paulo.

"Todos os meses eu tenho uma consulta com meu infectologista e pego minha dose mensal de remédios. O programa é maravilhoso e dá até orgulho de morar no Brasil por causa disso", comemora Adriana.

Aborto

Outra soropositiva que só tem elogios para o programa é a dona de casa Marilza, de 39 anos.

"Se o governo não tivesse condição de dar esse remédio, não sei o que seria de mim."

Marilza afirma que foi contagiada pelo vírus HIV ao fazer um aborto numa clínica clandestina em 98.

Ela já tinha cinco filhos e não tinha condições financeiras para criar outro.

Na clínica, ela percebeu que as seringas usadas não eram descartáveis, mas só foi se lembrar disso quando foi diagnosticada com Aids, em meados do ano passado.

"Eu estava com tuberculose, tinha muita febre. Quando o médico me disse, acho que no fundo eu já sabia", conta Marilza.

Marido

O problema foi a reação do marido dela – que não é portador do vírus.

"Ele se perdeu, ficou atordoado, começou a beber, a passar as noites nas ruas, saía nos finais de semana e só chegava de manhã. Quando tive alta do hospital, ele não tocava no assunto. "

Ela diz que as coisas vão bem com o marido hoje e a doença está controlada.

"Com 3 meses de coquetel, já estava com a carga viral indetectada. Eu estava com várias doenças oportunistas do HIV, tinha emagrecido muito. Agora estou bem."

Marilza só tem medo de que o acordo para a liberação das patentes dos remédios estrangeiros afete o seu tratamento.

"Eu confio mais no remédio que vem lá de fora do que no que é fabricado aqui. Isso tem que ser muito bem fiscalizado." diz ela.

De acordo com o Ministério da Saúde, Marilza não tem por que se preocupar. Paulo Teixeira afirma que os laboratórios públicos brasileiros dominam a tecnologia de produção dos medicamentos contra o HIV.


 
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