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Confronto público entre líderes israelenses acirra debate sobre ataque ao Irã

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17 ago 2012 16:56 BSB

Guila Flint

De Tel Aviv para a BBC Brasil

(Foto: AFP/Getty Images)

A troca de farpas entre o presidente de Israel, Shimon Peres, e o premiê, Binyamin Netanyahu, sobre um possivel ataque ao Irã sem a concordância dos Estados Unidos acirra o debate na sociedade israelense acerca das medidas que o país deve tomar diante do projeto nuclear iraniano.

Diante das especulações sobre um ataque preventivo ao Irã, Peres afirmou que Israel não deve "agir sozinho" contra o projeto nuclear iraniano, mas sim "ir junto com os Estados Unidos".

"Está claro que não podemos fazer isto sozinhos, podemos só adiar", afirmou o presidente, ecoando a declaração do general Martin Dempsey, chefe das Forças Armadas americanas, que disse há poucos dias que Israel "não tem a capacidade para destruir o projeto nuclear iraniano, só para retardá-lo".

Netanyahu reagiu e respondeu duramente o presidente, criando uma crise sem precedentes nas relações dos dois líderes.

"Peres esqueceu qual é a função do presidente", afirmou Netanyahu, em referência ao fato de que em Israel o cargo do chefe de Estado não tem caráter executivo.

Plano de ataque

O debate em Israel sobre um possível ataque ao Irã tornou-se público há cerca de um ano, quando a imprensa local divulgou um suposto plano de autoria de Netanyahu e do ministro da Defesa, Ehud Barak.

Até então a possibilidade de tal ataque era discutida apenas nos bastidores do poder.

O confronto público entre Peres e Netanyahu ocorre em meio a um aumento dos rumores sobre um possivel ataque israelense ao Irã antes das eleições nos Estados Unidos, previstas para 6 de novembro.

Durante as últimas semanas, a questão iraniana tomou a maior parte do espaço na mídia israelense e a possibilidade de um ataque às instalações nucleares do país persa é discutida diariamente em todos os grandes veículos de comunicação.

A mídia local tem dado bastante destaque aos riscos que os civis em Israel correriam se o Irã respondesse a um ataque israelense com um lançamento massivo de mísseis.

Prevenção aos ataques

Os preparativos para defesa dos civis em caso de ataque aumentam a preocupação da população, já temerosa em relação a um novo conflito.

A prefeitura de Tel Aviv divulgou uma lista de 60 estacionamentos subterrâneos particulares que serão transformados em bunkers públicos em caso de guerra. Os abrigos improvisados têm capacidade para abrigar cerca de 800 mil pessoas.

O governo firmou um acordo com as empresas de telefonia celular segundo o qual as companhias cederão serviços de mensagens de texto para toda a população, para que as autoridades possam alertar cada cidadão se houver um ataque de mísseis contra Israel.

Analistas militares também mencionam a possibilidade de que a milícia xiita libanesa Hezbollah entre na guerra no caso de Israel atacar o Irã.

O Hezbollah, supeito de ser financiado e armado pelo Irã, possui dezenas de milhares de foguetes que poderiam ser lançados contra Israel.

Nesse caso, um conflito entre Israel e Irã poderia assumir rapidamente proporções regionais.

Para o ministro da Defesa, Ehud Barak, os riscos de uma ação militar contra o Irã seriam menores do que o perigo de o país persa possuir armas nucleares.

"Se o Irã tiver uma bomba atômica a situação será muito mais complicada, complexa e perigosa", afirmou Barak.

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