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Santorum abandona corrida presidencial e abre caminho para Romney

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10 abr 2012 20:57 BSB

William Márquez

Da BBC Mundo em Washington

Rick Santorum (à esquerda) e Mitt Romney em debate (foto de arquivo)

O pré-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos Rick Santorum anunciou nesta terça-feira que abandonou a disputa pela indicação do partido para concorrer nas eleições de novembro.

A desistência de Santorum abre caminho para que seu rival, Mitt Romney, que lidera em número de vitórias nas primárias do partido e nas pesquisas, se torne o provável candidato republicano a enfrentar o presidente Barack Obama, que tenta a reeleição.

Em um discurso breve e emocionado, o ex-senador da Pensilvânia reconheceu que sua campanha havia chegado ao fim, mas disse que não estava abandonando a luta para "derrotar o presidente Barack Obama, conservar a maioria republicana na Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados) e conquistar o controle do Senado".

Ele não especificou a razão pelo abandono da disputa, mas fez alusão à sua filha Bella, de 3 anos, que sofre de uma rara doença genética com poucas chances de sobrevivência. Nos últimos dias, Bella teve de se submeter a uma cirurgia e permaneceu hospitalizada.

Ainda que pese a reconhecida dedicação dele à filha e à família, analistas apontam os recentes resultados negativos como decisivos para a desistência de Santorum.

As atenções agora se voltam para descobrir se Santorum terá algum papel-chave na campanha de Romney. Não se sabe ao certo se ele influenciará o tom das eleições com sua retórica conservadora ou se ensaiará um retorno para daqui a quatro anos.

Para o articulista americano Dante Chinni, diretor do projeto 'Patchwork Nation' do Jefferson Institute, em Washington, a desistência de Santorum já era esperada há, pelo menos, duas semanas, quando pesquisas realizadas na Pensilvânia, a terra natal do ex-senador, começaram a dar mostras de que sua candidatura estava perdendo terreno.

"Santorum percebeu que não havia como vencer e certamente não queria se aposentar depois de uma derrota na Pensilvânia", afirmou Chinni.

Para o analista, Santorum também pode ter sofrido pressão dos líderes do partido, uma vez que sua permanência na corrida presidencial prejudicaria Mitt Romney, mais bem cotado como provável adversário de Obama.

Tom menos conservador

A saída repentina de Santorum acabará beneficiando Romney, que inclinou sua campanha à direita para conquistar membros mais conservadores do Partido Republicano - aqueles que, efetivamente, votam nas primárias.

Com a desistência de Santorum, Romney também terá mais tempo para repensar suas posições e se concentrar em um eleitorado mais ao centro se quiser sair vitorioso na eleição de novembro, afirmou William Yeomans, analista político e professor de Direito da American University, em Washington.

"A transição da direita para o centro é delicada e leva tempo. Romney terá de se afastar dos mais conservadores e começar a implementar mudanças graduais em direção a uma posição menos radical", disse Yeomans à BBC Mundo.

Não será uma tarefa fácil, rebateu Chinni. Para o especialista, a situação de Romney se complica por seu posicionamento conservador, especialmente em temas como planejamento familiar e métodos contraceptivos, que deve ser rejeitado em regiões do Nordeste e do Centro-Oeste dos EUA.

Ao mesmo tempo, o ex-governador de Massachusetts não tem tido boa aceitação nas zonas rurais e pequenos centros urbanos, onde as pessoas têm poder aquisitivo menor.

"Nenhum deles é garantia de vitória para Romney", disse Chinni.

Pois são neles, alega o especialista, que Santorum poderia ter um papel importante na campanha de Romney.

Embora não tenha deixado clara sua intenção de apoiar Romney quando anunciou sua desistência, Santorum reafirmou sua vontade de derrotar Obama e obter maioria republicana nas duas casas do Congresso.

Para analistas, o tom conservador de Santorum terá maior força nas próximas eleições legislativas.

Disputa pela presidência em 2016

Segundo Israel Ortega, editor da 'Liberdade Heritage', site em espanhol do 'think-tank' conservador Heritage Foundation, enquanto grupos mais de direita, ligados ao movimento conservador Tea Party, estão apostando em controlar o Congresso, o objetivo de Santorum é outro.

"É possível que Santorum queira se preparar para uma campanha presidencial em 2016 - e que veja o atual momento como sua melhor estratégia", afirmou Ortega à BBC.

Chinni concorda com a afirmação, mas adverte que Santorum terá de mostrar aos líderes do Partido Republicano que sabe trabalhar em equipe e que poderá colaborar com Romney.

"Isso deixaria o caminho livre para ele daqui a quatro anos", disse. "Desde a primária em Illinois, ele tem se comparado a Ronald Reagan em 1976. Reagan não ganhou a indicação republicana naquela ocasião, mas foi eleito presidente em 1980. Se isso é o que Santorum tem em mente, precisa ajudar Romney", acrescentou.

Apesar da tentativa fracassada em garantir seu nome para este ano, é consenso de que a presença de Santorum teve um impacto inegável sobre a campanha presidencial.

"Ninguém esperava que ele chegasse tão longe", disse Yeomans. "Embora seja difícil prever qual papel Santorum poderá desempenhar em um eventual governo republicano, ele conseguiu concentrar em torno de si certos grupos e ainda há algo no ar da movimentação que criou", concluiu.

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