Em busca do corpo perfeito

  • 21 maio 2014

Como várias outras pessoas, eu não consigo imaginar minha vida sem plástico.

Ele está na nossa rotina diária, desde as embalagens que nos cercam até o cartão de crédito com que pagamos nossas contas.

Entretanto, antes de vir ao Brasil, nunca sequer tinha pensado em colocar um pedaço de plástico no meu corpo.

Mas, depois de ver tantas mulheres e homens com corpos esculpidos pelo bisturi de um cirurgião, decidi investigar o que há de fato por trás da indústria da cirurgia plástica e porque ela é tão popular assim aqui no Brasil.

Sem maiores transtornos, consegui marcar uma consulta gratuita para uma eventual cirurgia plástica.

'Inserção de silicone para aumento dos seios é a cirurgia mais procurada no Brasil'

Na clínica, quase todos na sala de espera acompanhavam admirados e com grande interesse vídeos que mostravam mulheres de corpos praticamente perfeitos serem submetidas a procedimentos cirúrgicos com a naturalidade de quem toma um comprimido para dor de cabeça.

Achei estranho, pois para mim não há nada tão natural assim no fato de você ser ter seu corpo cortado para a inserção de um pedaço de silicone.

E confesso que o sorriso "plastificado" das mulheres no vídeo não ajudou a manter minha autoestima em nível elevado.

O médico, que diz realizar 25 operações plásticas a cada mês, me perguntou o que eu queria fazer. Disse que queria "aumentar meus seios", talvez porque ele tinha mencionado que o aumento dos seios é a cirurgia mais procurada pelas mulheres entre 18 e 30 anos.

Eleanor condena as cirurgias plásticas feitas apenas por vaidade

Com uma caneta esferográfica ele começou riscando em torno do meus seios um imaginário desenho de perfeição.

Teriam que ser movidos mais para a direita para que ficassem mais simétricos, disse o médico.

Senti vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo. O desenho, a ideia da perfeição, tudo isso me fez sentir como uma escultura.

Vi que se fosse mesmo fazer uma cirurgia dessas seria transformada numa escultura. Um projeto de perfeição, não seria mais uma mulher natural com seus pontos belos e suas imperfeições. Naquele momento vi que jamais faria uma plástica.

Fiquei imaginando quantas meninas fazem plástica por uma real necessidade, para corrigir um defeito congênito ou para reparar algum estrago feito por um acidente.

Blogueira se submeteu a um simulador de resultado de cirurgia plástica

Poucas, segundo o médico. A grande maioria é motivada por pura vaidade, pura vontade estética de perseguir um ideal de beleza que lhes é imposto pela mídia, pela publicidade com seus modelos retocados no Photoshop.

Num país com uma diversidade tão grande como o Brasil isso é ainda mais preocupante. A individualidade é que deveria ser enaltecida e não a mesmice. Peitos, bundas e coxas são esculpidos segundo um modelo pré-determinado em busca do corpo perfeito.

Essas supermulheres dos cartazes e anúncios acabam tendo um efeito negativo na autoestima feminina, que pode levar a um aumento das inseguranças das meninas.

As mulheres são de carne e osso e deveríamos ter orgulho de nossas diferenças.

Pessoalmente, prefiro ser imperfeita e me sentir livre. Não quero ter partes do meu corpo eliminadas e outras substituídas por artefatos artificiais.

E você, é contra ou a favor da cirurgia plástica estética? Você concorda que a mulher atual é por demais pressionada para ter um determinado padrão de aparência aceito como ideal pela sociedade?