Para Inglês Ver: A luta contra a pobreza tem que ser de todos

  • 7 maio 2014
  • comentários

Os poucos meses que passei dando aulas de inglês em uma escola da comunidade Cantagalo-Pavão-Pavãozinho, na zona sul do Rio de Janeiro, me abriram os olhos para uma realidade que não conhecia.

Quando resolvi aceitar o convite, sabia que o desafio iria além da diferença entre os sistemas de turnos no Brasil e na Grã-Bretanha (no meu país só há um turno escolar, as aulas começam de manhã e só terminam no fim da tarde).

Como era de se esperar, ensinar alunos que tiveram experiências de vida bem diferentes da minha foi algo que expandiu minha visão e meus conhecimentos.

Na minha turma tinha de tudo, alunos simpáticos, que gostavam de conversar comigo, adoravam aprender, e devoravam os exercícios que passava para eles; e aqueles que se enquadravam mais no estereótipo de um adolescente tradicional, que do ponto de vista de um professor são uma parada dura.

Esses gostavam mais de ficar conversando durante as aulas e se divertiam em bater com a régua na cabeça dos amigos.

Ou seja, aos poucos, vi que minha turma era uma turma normal, como outra qualquer, de qualquer país.

"Experiência em comunidades carentes do Rio me deu uma outra perspectiva da pobreza"

Falando dessa forma talvez não dê para notar a surpresa que senti quando descobri que tudo era muito normal.

Admito que em parte a surpresa vem de uma certa inocência minha.

Mas muito tem a ver também com a visão que um europeu tem da pobreza. Somos influenciados pelo que é mostrado nos noticiários, em imagens chocantes.

Pelos documentários que exibem a pobreza de longe, sem penetrar na vida das pessoas.

Através deles, a pobreza é passada como uma simples vitimização de pessoas lutadoras que são mantidas em situação sócio-econômica desfavorável.

Inúmeras são as entrevistas meio paternalistas exibidas nas TVs europeias com uma criança africana órfã dizendo que sonha em se tornar médico (na maioria das vezes).

Para os telespectadores, a pobreza se transforma em algo "dos outros", algo distante, longe da confortável realidade em que vivemos na Europa.

Talvez fosse mais útil à sociedade como um todo - no Brasil ou em qualquer outro país - que a pobreza e a desigualdade fossem combatidas através de uma ação conjunta real, que associasse nossas imperfeições de seres humanos à nossas ambições comuns, e que o resultado dessa ação atingisse não somente os alunos que entregam seu dever de casa no dia certo, mas igualmente aqueles bagunceiros, que do fundo da sala ficam jogando bolas de papel no seu professor de inglês que nada pode fazer.

Você acha que uma ação conjunta universal pode dar certo no combate à pobreza?