Lá ou aqui, sátira de religião é sempre polêmica

  • 9 abril 2014
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Para mim, é fácil entender porque os vídeos do grupo humorístico Porta dos Fundos têm milhões de visualizações na internet.

Embora nem todos os temas abordados me agradem, acho o humor deles muito bom: ridículo e inteligente ao mesmo tempo.

Acho que o coletivo de humoristas poderia ser muito bem recebido também na Grã-Bretanha, onde a comédia em forma de esquete tem uma longa tradição.

O humor ácido e irreverente do grupo Monty Python recebeu críticas de conservadores na década de 70.

O exemplo britânico mais famoso desse gênero é o grupo Monty Python. Os próprios atores e roteiristas do Porta dos Fundos se dizem influenciados pelo humor absurdo dos Pythons.

Apenas recentemente fiquei sabendo da forte reação negativa contra o Porta dos Fundos e suas piadas mais arriscadas, principalmente as que satirizam a religião.

Vi que o vídeo "Especial de Natal" foi muito criticado por grupos cristãos. Uma das críticas foi feita pelo deputado Marco Feliciano, que até o ano passado presidiu a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Essa reação toda não me surpreende. Já tivemos muitas polêmicas parecidas na Grã-Bretanha.

Penso logo no filme do Monty Python A Vida de Brian (1979), sobre um homem confundido com o filho de Deus, e no qual são satirizadas várias passagens da Bíblia.

O filme gerou uma polêmica enorme na época, por ser considerado blasfemo pela Igreja.

Talvez, tanto no caso britânico quanto no brasileiro, esses exemplos possam servir para ilustrar as divisões da sociedade, entre os atores dos esquetes e seus fãs, que são geralmente mais liberais, e os críticos mais conservadores.

O Porta dos Fundos parece não temer a crítica que vem recebendo. O grupo continua fazendo mais vídeos com sátiras de temas religiosos.

Atores e roteiristas parecem seguir uma velha tradição de comédia – abordar temas sensíveis e atuais para provocar críticas e polêmicas.

Parecem ter consciência do efeito que o humor satírico pode provocar. E no Brasil, onde a liberdade de expressão é garantida por lei, eles poderão seguir em frente.

E você, o que acha de vídeos com sátiras a temas religiosos? Os humoristas devem ou não ter o direito de fazer críticas à religião?