Ir e vir...de ônibus ou de carro?

  • 4 março 2014
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Pode parecer estranho, mas eu adoro andar de ônibus no Brasil.

Mesmo em Recife, com seu terrível trânsito, gosto de estar, em pé ou sentada, entre uns vinte ou trinta rostos desconhecidos, cada um com uma vida, uma história.

Para mim, o ônibus é um retrato do cotidiano de uma cidade. Nunca vivenciei uma forma de transporte público tão interativa.

Um destaque são os sons. Incluem as intervenções de passageiros: "Vai descer!" ou "Abre no meio!", as "palestras" dos vendedores de chiclete (não tinha parado para pensar nos múltiplos benefícios do hortelã) e a poesia do homem do cordel. As pregações dos evangélicos são quase um espetáculo à parte.

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Claro que encarar um ônibus lotado em meio a engarrafamentos constantes é de enlouquecer, principalmente quando uma viagem que deveria durar 10 minutos dura uma hora!

Mas, entre estar em um carro sozinha, vidro fechado e ar-condicionado, ou passar o mesmo período no 920 Cidade Universitária, fico com o 920 aventuroso.

Sei que para as pessoas que moram na cidade, que dependem do ônibus, não é nada assim tão agradável e lúdico.

Enfrentar todos os dias a mesma irregularidade, a mesma luta só para caber no ônibus, as mesmas dificuldades para simplesmente chegar na hora para trabalhar revela problemas sérios da infraestrutura de transporte e da divisão de classes.

Em Recife, vejo que boa parte da classe média nem pisa no ônibus ou na calçada para chegar de A a B. Prefere ir de carro.

Atualmente, a juventude emergente parece mais disposta a usar ônibus ou bicicleta como uma forma de transporte, mas ainda temos que ver se essa tendência vai mesmo se manter.

Me parece haver uma noção aceita, mas que nem sempre é dita, de que o ônibus serve àqueles que não têm dinheiro para usar outra forma de transporte.

Na minha opinião, isso revela uma falta de consciência ambiental e uma divisão profunda entre pobres e ricos.

E você? Usa transporte público no Brasil? Por que sim ou por que não?