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<title>BBC | Os Blogs da BBC Brasil</title>
<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/</link>
<description>O comando da BBC Brasil discute grandes temas internacionais, mídia e o jornalismo da BBC.</description>
<language>pt</language>
<copyright>Copyright 2009</copyright>
<lastBuildDate>Thu, 19 Nov 2009 15:06:02 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Obama e Israel: o que fazer?</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="netanyahu.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/netanyahu.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>Barack Obama tem muitos abacaxis para descascar, disso ninguém duvida. O emprego de presidente dos Estados Unidos nunca foi dos mais simples, ainda mais depois de oito conturbados anos de George W. Bush. Eu mesmo disse aqui, um ano atrás, que Obama teria <a href="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2008/11/os_12_trabalhos_de_obama.shtml">verdadeiros trabalhos de Hércules</a> pela frente. A lista nem incluía o conflito entre israelenses e palestinos/árabes, problema que segue na pauta de todo líder americano desde a criação do Estado judeu, em 1948. Mas Obama decidiu enfrentar o tema logo nos seus primeiros meses de mandato. De um lado, reafirmou o compromisso histórico dos Estados Unidos com a segurança de Israel. De outro, confirmou seu apoio à criação de um Estado palestino e fez o que parecia uma tarefa fácil: exigiu do governo israelense a suspensão da construção de assentamentos judaicos em áreas palestinas ocupadas desde 1967 (Cisjordânia e Jerusalém Oriental).</p>

<p>Israel, entretanto, decidiu dificultar a vida de Obama. Nesta semana, o governo israelense provocou um dos maiores constrangimentos já feitos a um ocupante da Casa Branca pelo tradicional aliado. Depois de vários pedidos públicos do governo americano para que nenhuma nova moradia fosse construída em áreas ocupadas, autoridades israelenses decidiram aprovar o projeto para 900 novas residências no assentamento de Gilo, nas redondezas de Jerusalém, em local tomado por Israel na Guerra dos Seis Dias. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que a decisão <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091118_jerusalem_cacasrg_indice_orientemedio.shtml">deixou os Estados Unidos consternados e "dificulta" os esforços pela paz</a>. O próprio Obama disse mais tarde que a medida era <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091118_obama_israelrg.shtml">perigosa para a região e ruim para a segurança de Israel</a>.</p>

<p>É verdade que o atual premiê israelense, o conservador Binyamin Netanyahu (foto), chegou a poder com a clara determinação de ser duro nas negociações com os palestinos. O primeiro-ministro demorou para sinalizar disposição para sentar com o outro lado do conflito e, agora que admite a possibilidade, diz não aceitar nenhuma pré-condição para o diálogo. Tal posição ignora os apelos da Casa Branca, deixando Obama em situação constrangedora.</p>

<p>Israel é o maior receptor de ajuda americana do mundo, atualmente beneficiado por um acordo assinado por Bush e válido por dez anos, que lhe garante quase US$ 3 bilhões anuais em ajuda militar. O governo isralense sabe que o país não sobrevive sem o apoio financeiro e político de Washington. Mas, caso continue se recusando a atender os pedidos do presidente americano para que suspenda a expansão de assentamentos, será que Israel será punido de alguma forma? O lobby pró-Israel nos Estados Unidos é extremamente forte, e seria difícil para qualquer presidente americano desagradar essa significativa força política interna. Considerando que Obama esteja mesmo sendo sincero na sua pressão sobre o histórico aliado, o que ele pode fazer contra Israel? Netanyahu parece acreditar que nada. Mas o presidente americano, que recebeu o Nobel da Paz sem ainda ter obtido resultados concretos nesse campo, não deverá desistir facilmente.</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/11/obama_e_israel_o_que_fazer.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 15:06:02 +0000</pubDate>
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	<title>O Brasil contra a fome</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="alimentos.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/alimentos.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>Os elogios à nova condição do Brasil de potência emergente continuam mundo afora. Aqui na Grã-Bretanha, as duas mais importantes publicações econômicas, <a href="http://www.ft.com/home/uk"><em>Financial Times </em></a>e <a href="http://www.economist.com/"><em>The Economist</em></a>, publicaram nos últimos dias <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091105_pressftinvestimento_ba.shtml">reportagens especiais sobre um novo Brasil</a>, que tanto entusiasmo tem gerado no exterior. Politicamente democrático, culturalmente diversificado e tolerante, exportador de matérias-primas e manufaturados, guardião da maior floresta tropical do planeta, pioneiro em energia renovável etc, são vários os aspectos da realidade nacional recebidos com elogios por especialistas estrangeiros. Entre líderes políticos, praticamente todos, das mais diferentes ideologias, de Barack Obama a Hu Jintao, passando por Silvio Berlusconi, Gordon Brown, Shimon Peres e Mahmoud Ahmadinejad, oferecem palavras calorosas e amigáveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que simboliza a transformação do Brasil na mais nova força política internacional.</p>

<p>Entre as áreas que mais destaque dão ao novo Brasil, está a do combate à fome, no qual o papel brasileiro foi inclusive <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091016_brasil_fome_relatorio_np.shtml">recentemente elogiado em um relatório da organização não-governamental Action Aid</a>. Com seu incomparável potencial agrícola, o Brasil é visto como uma peça-chave para a garantia da chamada "segurança alimentar" no mundo. Por isso, a presença de Lula na reunião da FAO (órgão da ONU para alimentação) em Roma ajuda a reforçar a já positiva imagem brasileira. Em discurso diante da esvaziada reunião, Lula afirmou que metade da ajuda dada a instituições financeiras durante a crise econômica global <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091116_pablo_fao_fp.shtml">poderia "erradicar a fome no mundo". </a>A <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091114_lula_fao_rc.shtml">ausência de líderes das nações mais ricas </a>no encontro mostrou que o tema perdeu em importância diante de outras questões, como problemas financeiros e o aquecimento global, mas o chefe de Estado brasileiro estava lá, reafirmando as credencias do país num tema em que já é referência.</p>

<p>Entretanto, há dúvidas sobre a verdadeira capacidade de o Brasil fazer a diferença. A elogiosa imprensa estrangeira tem lembrado que o país, por suas próprias falhas, corre o risco de decepcionar no campo da exportação de alimentos. Nesta segunda-feira, o <em>FT</em> diz em reportagem que a falta de investimentos na área de infraestrura <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091116_agriculturaftml.shtml">pode paralisar os avanços no setor agrícola</a>. <a href="http://www.economist.com/specialreports/displaystory.cfm?story_id=14829525">A série da <em>Economist</em> desta semana </a>não mede palavras ao afirmar: "Assim que as cargas são colocadas nos caminhões, tudo anda devagar". Os investimentos em infraestrutura para a Copa do Mundo e a Olimpíada, diz a revista britânica, não deverão ser "exatamente o que os exportadores do Brasil precisam". A reportagem é ilustrada com uma foto de uma rodovia brasileira esburacada, realidade enfrentada regularmente por motoristas que trafegam pelo território nacional.</p>

<p>Tal lembrança no exterior dos grandes desafios do Brasil no setor de transportes indica que a modernização de portos, ampliação de ferrovias, reformas de estradas e redução da burocracia, necessidades muito bem conhecidas dos brasileiros, passaram a ser aspirações internacionais. O mundo que discute soluções no combate à fome, visando a garantia da segurança alimentar nas próximas décadas, olha para o campo brasileiro com grande expectativa. Em Roma, Lula mostrou-se comprometido em ajudar a manter o tema na agenda política internacional. Aqueles que ouviram seu discurso torcem para que, com urgência, o Brasil derrube os entraves que possam impedir o país de dar sua plena contribuição à oferta de alimentos no planeta.</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/11/o_brasil_contra_a_fome.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 13:25:10 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Crescimento ou escuridão?</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="apagao.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/apagao.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>O apagão de terça-feira à noite deixou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva preocupado. Não é para menos. O Brasil vive o melhor momento econômico da sua história, com a perspectiva de crescer constantemente pelo menos 5% ao ano por um bom tempo, e está prestes a receber a comunidade internacional para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Segundo <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u651196.shtml">reportagem da Folha de S.Paulo</a>, Lula mostrou-se decepcionado com o grau de confiabilidade do sistema de distribuição de energia elétrica no país. O presidente, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091112_lista_forbes_lula_rw.shtml">33ª pessoa mais poderosa do mundo</a>, segundo a revista <em>Forbes</em>, que já se ofereceu para acabar com a fome no planeta e buscar a paz entre israelenses e palestinos, não conseguiu proteger o povo brasileiro da falta generalizada e repentina de energia elétrica. Isso apesar de suas muitas afirmações de que <a href="http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI65095-16357,00-BRASIL+NAO+CORRE+RISCO+DE+NOVOS+APAGOES+AFIRMA+LULA.html">um novo apagão não ocorreria no Brasil "em hipótese alguma"</a>.</p>

<p>É bem provável que os <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091112_apagao_press_rw.shtml">temores em relação à realização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 </a>sejam exagerados. Há muito tempo pela frente, e o Brasil tem condições de reduzir as chances de incidentes como esse ocorrerem novamente. Mas a verdade é que, sem energia elétrica, o país não anda, nem as pessoas vivem. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro simplesmente não podem parar no meio da noite, e as autoridades sabem muito bem disso.</p>

<p>O desafio do governo, durante e ao final das investigações sobre o apagão 2009, será convencer o eleitorado de que tem a situação sob controle e de que a série de blecautes vista na primeira década deste milênio não se repetirá na próxima. A pré-candidata de Lula à Presidência, Dilma Rousseff, era responsável pelo setor de energia e está à frente do projeto de avanço contínuo da economia, simbolizado pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). E, para crescer de forma sustentada, o Brasil, que já precisa investir muito em infraestrutura, educação e segurança, não pode se perder no meio do caminho, no meio da escuridão.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/11/crescimento_ou_escuridao.shtml</link>
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	<category>editores</category>
	<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 13:25:00 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Fim do caso?</title>
	<description><![CDATA[<p>A reitoria da Uniban decidiu revogar a decisão de expulsar a aluna Geisy Arruda, acusada de provocar tumulto entre colegas ao usar um microvestido e adotar comportamento inapropriado. Com isso, o Ministério da Educação decidiu não mais exigir explicações da universidade sobre o episódio.</p>

<p>Segundo <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u650412.shtml">declarações do vice-reitor da instituição</a>, Geisy terá seguranças para protegê-la em seu retorno às aulas, caso seja necessário. Mas os advogados da estudante pediram abertura de inquérito policial na Delegacia de Defesa da Mulher. Apesar do recuo da Uniban, o caso deve continuar, assim como o debate que gerou sobre direitos humanos e padrões morais no Brasil.</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/11/fim_do_caso.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 12:30:14 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Uniban, Talebã e o Brasil</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="afghanwomen.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/afghanwomen.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>O caso envolvendo a estudante Geisy Arruda tem provocado um grande debate no Brasil. Questões morais, direitos das mulheres, ética educacional etc, vários são os elementos trazidos à tona pelo incidente. Todos os que têm discutido o assunto parecem entender que, em torno do episódio, há muito mais em jogo do que apenas o futuro de uma estudante e a imagem pública de uma universidade particular.</p>

<p>A instituição em questão, <a href="http://www.uniban.br/">Universidade Bandeirante, ou simplesmente Uniban</a>, decidiu <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u649373.shtml">expulsar Geisy de seu corpo discente</a>. Segundo comunicado divulgado ao público em anúncio pago, uma "sindicância consoante com o Regimento Interno" da universidade concluiu que a aluna é culpada de "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade". O Ministério da Educação <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/geral,mec-pedira-explicacoes-sobre-expulsao-da-estudante,463160,0.htm">exigiu explicações da instituição</a>, e <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u649404.shtml">a ministra Nilcéia Freira</a>, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, criticou duramente a decisão. As explicações contidas no anúncio da Uniban parecem não ter convencido as autoridades do país.</p>

<p>Em questões de moralidade, não há necessariamente certo ou errado. Sociedades desenvolvem-se de formas muito particulares, de forma que algo aceitável na Suécia pode não ser tolerado no México, muito menos na Arábia Saudita. Algo moralmente condenável no Brasil dos anos 40, como a prática do sexo antes do casamento, é hoje um comportamento não apenas natural, mas esperado. A pornografia é proibida em países muçulmanos, mas na maior parte do mundo ocidental, se produzida com e para adultos (a partir de 18 anos), trata-se de um produto como outro qualquer, de veiculação restrita, mas aceito e livremente consumido. O aborto voluntário, ainda proibido no Brasil fora casos de estupro e risco à vida da mãe, é um direito legal em nações como Grã-Bretanha, França ou Estados Unidos. <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2006/11/061118_nicaragua_abortorg.shtml">Na Nicarágua</a>, uma mulher grávida em decorrência de um estupro pode ir para a cadeia se optar pela interrupção da gestação.</p>

<p>No Afeganistão (foto acima), as mulheres são alvo de tradições e leis que estão entre as mais conservadoras do mundo. Nos tempos do regime do Talebã, nos anos 90, mulheres violentadas poderiam ser apedrejadas até a morte por terem, mesmo que involuntariamente, mantido relações sexuais fora do casamento. Nesse mundo do Talebã, Geisy Arruda não teria direito nem mesmo à educação. No Irã, ela poderia ir livremente à faculdade, desde que de corpo e cabeça cobertos. Já na maior parte do mundo ocidental, um vestido exageradamente curto de uma aluna seria recebido apenas com olhares (interessados ou indignados), comentários (elogiosos ou negativos), reclamações formais aos responsáveis pelo recinto ou puro desinteresse.</p>

<p>Cada sociedade escolhe seu grau de abertura moral e as formas como pretende punir desvios de conduta. O Brasil, por suas características históricas, é um verdadeiro caldeirão cultural, com grande variação de pensamentos, dos mais liberais aos mais conservadores. A legislação e o próprio bom senso, que incorporaram mudanças sociais como o divórcio, sempre tentaram encontrar um denominador comum que reflita o que o país pensa e tolera. O incidente envolvendo Geisy Arruda, a Uniban e estudantes engajados no linchamento moral de uma colega (para a universidade, uma "defesa do ambiente escolar"), pode ser um bom momento para a sociedade brasileira mostrar do que mais se aproxima: dos ideais ocidentais de tolerância ou do radicalismo do Talebã.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/11/uniban_taleba_e_o_brasil.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/11/uniban_taleba_e_o_brasil.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 14:40:28 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Outubro sangrento</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="peshawar.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/peshawar.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>Outubro de 2009 já é o pior mês para as forças dos Estados Unidos no Afeganistão desde a invasão de 2001. Até agora. Depois de ataques que mataram oito soldados na segunda-feira, o total de americanos mortos no mês chegou a 55. Incluindo as vítimas fatais de outras nacionalidades, as operações estrangeiras sofreram ao todo 66 baixas. No ano, já são 445 os soldados mortos sob o comando da Otan, contra 295 em todo o ano de 2008. O total de civis inocentes mortos em 2009 é ainda maior, estima-se em quase 2 mil, muitos deles vítimas de bombardeios da aliança ocidental. Nesta quarta-feira os constantes ataques de insurgentes foram além dos alvos tradicionais, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091028_afeganistao_atualiza_np.shtml">matando seis funcionários das Nações Unidas na capital, Cabul</a>. Uma guerra que parecia vencida sete anos atrás, colocando um ponto final em décadas de conflito, torna-se cada dia mais longe do fim.</p>

<p>Antes da invasão liderada pelo Estados Unidos, em 2001, dois terços do país viviam um raro período de relativa tranquilidade. Eram os tempos do governo do Talebã, que em 1996 tomou o poder em Cabul e impôs um regime islâmico pra lá de radical. A comunidade internacional não reconheceu o regime, que abrigava o saudita Osama Bin Laden, já na época considerado um superterrorista. Mas dois importantes países da região o fizeram. A Arábia Saudita, preocupada com o extremismo em seu território, optou por ter boas relações com os anfitriões de Bin Laden. Já o Paquistão, do então premiê Nawaz Sharif, tinha afinidades ideológicas com a militância islâmica do Talebã (que inclusive financiava) e sabia que a estabilidade paquistanesa dependia de uma relativa calma do outro lado da fronteira. E vice-versa.</p>

<p>Este outubro sangrento reforça ainda mais esta correlação entre Paquistão e Afeganistão. Também nesta quarta-feira, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091027_peshawar_bomba_dg.shtml">um devastador ataque na cidade paquistanesa de Peshawar </a>matou mais de 90 pessoas. A matança foi apenas mais uma em um mês em que militantes do Talebã não pouparam <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091021_paquistao_escolas_np.shtml">nem a Universidade Islâmica Internacional</a>. Como muitos historiadores e especialistas gostam de lembrar, a fronteira entre os dois países foi definida artificialmente pelo Império Britânico sem levar em consideração a realidade local. Grande parte do oeste paquistanês, como a problemática região do Waziristão, é culturalmente afegã. Trata-se do mesmo povo (pashto), composto dos mesmos grupos tribais, ocupando as mesmas montanhas. O Talebã ignora as divisões criadas pelos invasores britânicos e ameaça, ao mesmo tempo, os governos afegão e paquistanês.</p>

<p>Enquanto os mortos eram contados no mercado de Peshawar, a secretária de Estado <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091028_paquistao_clinton_dg.shtml">Hillary Clinton discursava em Islamabad</a>. Dizia ela que o Paquistão não estava na luta contra o Talebã sozinho, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos esperam ver mais empenho de Islamabad no combate aos militantes. A guerra da Otan no Afeganistão, que tira o sono do presidente Barack Obama, estabeleceu-se no Paquistão, onde o Talebã também ganha terreno. A estabilidade paquistanesa depende de uma relativa calma no país vizinho, e vice-versa. Atualmente, no entanto, o caos se espalha pelos dois lados.</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/outubro_sangrento.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/outubro_sangrento.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 12:40:29 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>O longo sofrimento britânico</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="recessao.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/recessao.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>A luz no fim do túnel era uma miragem. Especialistas do mercado londrino, a famosa City, foram surpreendidos nesta sexta-feira quando números oficiais mostraram que a Grã-Bretanha continua em recessão. Na sexta queda trimestral seguida de seu PIB, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091023_economia_britanica_dg.shtml">o país registrou um recuo de 0,4%</a> em relação ao trimestre anterior. Desde o começo da recessão, o país já recuou 5,9%. A notícia foi um choque para economistas e o governo, que apostavam no início de uma recuperação. O produto nacional britânico não sofria por tanto tempo desde a Segunda Guerra Mundial, o que faz com que a grande maioria da população nunca tenha visto uma recessão como a atual. Enquanto isso, a libra, de que os britânicos sempre se orgulharam e cujo valor assustava aqueles que faziam contas em uma viagem de turismo à Inglaterra ou à Escócia, perdeu 30% do seu valor em relação ao dólar desde 2007. Anos atrás a moeda britânica chegou a comprar cinco reais. Há dois meses vale menos que R$ 3.</p>

<p>No auge da crise financeira do ano passado, o FMI e muitos outros especialistas já alertavam que, entre os países desenvolvidos, Estados Unidos e Grã-Bretanha seriam os que sofreriam mais. Não coincidentemente, eram as nações que mais haviam se beneficiado da ciranda financeira, 15 anos consecutivos de crescimento econômico no caso britânico. Os jovens do país nunca haviam visto uma recessão na vida, não sabiam do que se tratava, mas <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/business/8258405.stm">hoje 20% deles estão desempregados</a>.</p>

<p>Em uma reportagem de capa, publicada há pouco mais de dois meses, a revista americana <em>Newsweek</em> descreveu o que chamou de <a href="http://www.newsweek.com/id/209953">"últimos suspiros do Império Britânico"</a>. Segundo a revista, a crise econômica estaria acabando com os resquícios da Grã-Bretanha como grande potência, estando o país agora em um irreversível declínio no cenário global. Uma economia mais fraca e um Estado menos capaz (diplomaticamente e militarmente) de projetar seu poder ao redor do globo estaria fazendo da coroa britânica uma força de menor importância. Em casa, governo e cidadãos têm enfrentado problemas que remontam aos difíceis anos 60 e 70, como futuros cortes em investimentos públicos ou a atual greve do correio. Símbolos de tradição e eficiência, as caixas vermelhas onde os moradores de Londres costumam colocar suas cartas estão lotadas devido a uma disputa trabalhista que ameaça o futuro do Royal Mail. Mas isso é pouco perto de outros perigos: há quem aposte que o Reino Unido que conhecemos deixará de existir no médio prazo, com o <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2009/oct/16/scottish-national-party-salmond-referendum">debate sobre uma possível independência da Escócia</a> ganhando força.</p>

<p>Logicamente, a economia britânica continua sendo a sexta do mundo, com destaque para os setores de tecnologia e serviços. Seu mercado financeiro, onde nasceu o capitalismo, é moderno e flexível o suficiente para tentar recuperar a liderança mundial que um dia já teve. Politicamente, Londres tem assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, é o principal aliado dos Estados Unidos na Europa e possui um arsenal nuclear significativo. Além disso, o Tâmisa continua lindo, com bares, restaurantes e teatros cheios nos pontos mais turísticos da capital. Estamos falando de uma potência que já dominou o mundo. Mas o sofrimento britânico na atual crise tem sido longo, e o ponto de saída ainda é incerto, com 2010 ameaçando ser até pior que 2009. Ainda é cedo para sabermos as consequências deste momento difícil no reino de Elizabeth 2ª.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/o_longo_sofrimento_britanico.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/o_longo_sofrimento_britanico.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 16:00:23 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>BBC, racismo e imparcialidade</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="bnp.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/bnp.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>O programa de TV <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/programmes/question_time/default.stm"><em>Question Time</em>, </a>da BBC, é um dos principais espaços de debate político na mídia britânica. No programa, políticos de várias facções, incluindo um membro do governo, dividem uma mesa com especialistas, diante de uma platéia formada por pessoas de diferentes perfis sociais. Ao longo do programa, um membro da platéia lança um tema a ser discutido pela mesa, sob a mediação do experiente jornalista David Dimbleby, que durante o debate oferece a palavra a outros cidadãos para que questionem os políticos presentes. Trata-se de uma rara oportunidade, pouco vista mesmo em outras desenvolvidas democracias ao redor do mundo, de ver o público cobrando, diante das câmeras, aqueles que determinam o presente e o futuro da nação.</p>

<p>Tamanha é a importância do programa que <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk_politics/8319596.stm">a decisão da BBC de convidar o BNP </a>(British National Party, ou Partido Nacional Britânico) para participar do painel pela primeira vez causou uma celeuma no país. Tudo porque o BNP não é um partido qualquer: é o representante britânico da onda de extrema direita que já assustou outros países europeus, como Áustria, França ou Holanda. O BNP defende a Grã-Bretanha para o que considera britânicos originais, ou seja, a população de origem anglo-saxã, branca. Condena a entrada de imigrantes e ataca a União Europeia, dizendo que o engajamento do país com o resto da Europa ameaça a soberania nacional. É um partido racista e fascista, dizem seus críticos, tanto do governo como da oposição. Mas a verdade é que o BNP elegeu dois membros do Parlamento Europeu no início deste ano, e a BBC, com base nessa representatividade e no princípio de imparcialidade partidária que rege suas operações, convidou o líder do partido e parlamentar europeu, Nick Griffin, para participar do <em>Question Time</em> nesta quinta-feira.</p>

<p>A pressão sobre a BBC, contra tal decisão, tem sido enorme. O ministro Peter Hain fez o que pôde para que a BBC voltasse atrás, argumentando que o BNP é um partido ilegal por só aceitar brancos como membros. A Justiça já exigiu que o partido mude suas regras internas, e o BNP prometeu acatar, mas tal mudança ainda não ocorreu. O ex-prefeito de Londres Ken Livingston disse que a BBC será moralmente responsável por qualquer aumento em ataques de cunho racista no país em consequência da exposição das ideias do BNP abertamente na TV. Em resposta, <a href="http://www.guardian.co.uk/politics/2009/oct/21/bbc-bnp-mark-thompson">em um artido publicado no jornal <em>The Guardian</em></a>, o diretor-geral da BBC, Mark Thompson, defendeu a decisão da corporação em nome do seu princípio de imparcialidade. Disse ainda que, se o governo quiser proibir a participação do BNP em programas de TV por considerá-lo fascista, deve enviar ao Parlamento uma proposta nesse sentido. Aplicar censura, afirmou Thompson, não é responsabilidade da BBC. O ministro da Cultura, Ben Bradshaw, mostrou como o tema dividiu o governo, ao apoiar o convite ao BNP.</p>

<p>Horas antes da gravação e transmissão do <em>Question Time</em>, manifestantes já se reuniam em frente aos estúdios da BBC (foto acima), aqui em Londres, para prostestar contra a presença de Nick Griffin no programa. Griffin, aparentemente, não vê a hora de aparecer debatendo ao lado de outras figuras políticas, <a href="http://www.timesonline.co.uk/tol/news/politics/article6884780.ece">dizendo no <em>The Times</em> </a>que o convite da BBC aumentou o prestígio do partido. Independentemente do que for dito no programa, ele provavelmente terá grande impacto em futuras discussões políticas e nas relações sociais dentro do país. Especialmente em tempos de crise econômica, desemprego crescente e dúvidas sobre o futuro político e econômico da Grã-Bretanha, o embate entre liberdade de expressão e ideias intolerantes parece estar apenas no começo.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/bbc_racismo_e_imparcialidade.shtml</link>
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	<category>editores</category>
	<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 13:09:37 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Bancos e Estado no mundo pós-crise</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="champanhe.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/champanhe.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>O mercado financeiro no mundo desenvolvido voltou a estourar champanhe. O índice Dow Jones da Bolsa de Nova York <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091014_dowjones_np.shtml">já opera acima dos 10 mil pontos</a>, o mercado de ações londrino segue em constante alta, e agora os bancos, que um ano atrás tanto sofriam, voltam a acumular lucros bilionários. Na quinta-feira, o Goldman Sachs anunciou <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091015_bancos_5a_dg.shtml">um lucro de US$ 3,19 bilhões</a> de julho a setembro, depois de <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/07/090714_goldmansachsbg.shtml">desempenho semelhante no trimestre anterior</a>. Para celebrar, a instituição já prepara o que poderá ser o seu melhor ano em termos de bônus milionários a seus executivos.</p>

<p>Há um ano, governos ao redor do mundo tiveram de meter as mãos nos bolsos para salvar instituições financeiras que, com seus complicados e arriscados modelos de fabricação de riqueza virtual, haviam provocado um colapso do sistema financeiro internacional. O crédito secou, e o Estado entrou em campo para evitar uma depressão igual à dos anos 30. Aqui na Grã-Bretanha muitos criticaram, e continuam criticando, o fato de o governo ter socorrido banqueiros, que seriam os responsáveis pela recessão que se seguiu à crise de crédito. Por isso, líderes como Barack Obama e Gordon Brown vêm condenando, pelo menos verbalmente, <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/business/8310322.stm">a tradicional política de bônus milionários </a>que premiam o risco e a riqueza imediata, em mais um assalto no embate entre Estado e setor privado.</p>

<p>O fato de o poder público ter aparecido no mundo desenvolvido como o salvador de muitas pátrias decretou uma vitória moral do Estado sobre o mercado, afetando inclusive o debate político. Aqui na Grã-Bretanha, a oposição conservadora evitava recorrer aos antigos argumentos de Margaret Thatcher de que o governo era o culpado de tudo, afinal, dessa vez claramente os vilões haviam sido os executivos de Wall Street e da City londrina, beneficiados por uma frágil regulamentação. Mas, exatamente quando a vida começa a voltar ao normal no mundo dos banqueiros, com lucros, bônus e ações em alta, os argumentos políticos também retornam ao tradicional status quo. Na semana passada, o líder dos conservadores, David Cameron, possivelmentre o próximo primeiro-ministro britânico, <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk_politics/8296010.stm">culpou o tamanho do Estado pela atual crise econômica</a>. Em seu discurso, ao final da última convenção do seu partido antes das eleições de 2010, Cameron prometeu reduzir o tamanho do governo em favor de uma "sociedade mais forte".</p>

<p>É possível que, sob a pressão de países como França e Alemanha e considerando os danos que mercados super desregulados causaram às economias dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, o mercado financeiro nunca mais volte à ciranda que tomou conta dos primeiros anos deste milênio. Mas o fortalecimento do Estado, que tem sido uma constante desde o agravamento da crise no ano passado, não significa que o mercado se contentará com a posição de coadjuvante. O histórico embate entre os poderes público e privado continua, tanto na economia como na política. O crash de 2008 deixou o Estado na dianteira, mas ainda há muita corrida pela frente.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/bancos_e_estado_no_mundo_poscr.shtml</link>
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	<category>editores</category>
	<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 10:28:01 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Prêmio Nobel: à vista ou no cartão?</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="obama.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/obama.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>A sensação de muitos diante do prêmio Nobel da Paz concedido a Barack Obama é de que tal honra veio cedo demais. O presidente americano, diretamente envolvido em duas guerras, no Afeganistão e no Iraque, podendo em breve se afundar ainda mais na primeira, teria prometido muito e realizado pouco para merecer tal reconhecimento. Em oito meses de Casa Branca, Obama teria acumulado crédito junto ao resto do mundo, mas não realizações. Ele teria ganhado o Nobel pelo que pode vir a fazer, não pelo que já conseguiu. O presidente americano não teria pago seu prêmio à vista, apenas colocado no cartão de crédito. O Nobel aumentaria sua dívida com a já ansiosa comunidade internacional.</p>

<p>O chefe do comitê do Prêmio Nobel, Thorbjoern Jagland, afirmou: "Nós quisemos apoiar o que ele (Obama) está tentando realizar. É um sinal claro de que nós queremos defender o mesmo que ele tem feito." Obama, por sua vez, se disse "surpreso" com a escolha e afirmou não acreditar que merecesse tal honra. Para ele, o prêmio deve ser visto como "um chamado para a ação". Mas Jagland negou que o prêmio tenha sido dado em antecipação ao que o presidente americano poderá fazer ao longo de seu (s) mandato (s). Segundo ele, foi um prêmio ao passado, não ao futuro, a escolha foi baseada no que Obama já fez. Mas, afinal, o que Obama já fez pela paz mundial?</p>

<p>De concreto, Barack Obama prometeu o fechamento da prisão de Guantánamo no início de 2010. Também cancelou o plano de seu antecessor (George W. Bush, para quem não se lembra) de instalar bases anti-mísseis na Polônia e na República Tcheca, o que vinha sendo exigido pela Rússia, com quem assinou novos acordos de cooperação e desarmamento. Estendeu a mão para o regime iraniano na polêmica sobre seu projeto nuclear, com pouco progresso até agora. Pressionou o governo de Israel para paralisar a construção de assentamentos em território palestino, com nenhum progresso. Todas as iniciativas acima podem ser vistas como nada mais do que revogações de políticas de Bush. Mas Obama também ousou, ao defender o fim das armas nucleares no mundo, colocando pressão sobre as outras potências nucleares para que, coletivamente, reduzam seus arsenais. Tal esforço talvez tenha sido a chave para justificar o Nobel da Paz a Obama, mas as possibilidades de resultados concretos e significativos em poucos anos são pequenas.</p>

<p>Outros três presidentes americanos receberam o Nobel da Paz. Em 2001, Jimmy Carter, como ex-presidente, foi reconhecido por suas ações de negociação e mediação política ao redor do mundo. Em 1919, Woodrow Wilson recebeu o prêmio por ter liderado a criação da Liga das Nações, projeto fracassado de união global que não evitou a Segunda Guerra Mundial, mas inspirou o nascimento da ONU. Theodore Roosevelt, em 1906, teve seu trabalho de mediador na guerra entre Rússia e Japão recompensado (o fato de os acordos terem formalizado a sangrenta ocupação da Coréia pelos japoneses foi desconsiderado pelo Nobel). Foram três ganhadores com currículos significativos, que pagaram pelo Nobel à vista, sem dívidas. Já Obama ainda está na fase de projetos, reuniões, esforços, promessas ou intenções, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091009_obamareynolds_ir.shtml">como escreveu o analista da BBC Paul Reynolds</a>.</p>

<p>Pagar a conta do Nobel da Paz não será simples. Na quinta-feira, um dia antes do anúncio do Nobel da Paz, o ministro do Exterior de Israel, Avigdor Lieberman, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091008_lieberman_israel_cq.shtml">disse que um acordo entre israelenses e palestinos num futuro próximo é uma "ilusão"</a>. Uma lembrança de que os esforços do presidente Barack Obama ainda levarão tempo para dar frutos. Receber o Nobel não torna, necessariamente, sua missão mais fácil, mas aumenta a expectativa de que ela seja cumprida.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/premio_nobel_a_vista_ou_no_car.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 14:58:38 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>A um ano da eleição</title>
	<description><![CDATA[<p>Daqui a exatos 12 meses, os brasileiros estarão escolhendo novos governadores, deputados, senadores e, especialmente, um novo presidente da República. Além de receber outras 31 nações para a Copa de 2014 e, caso seja reeleito, abrir a primeira Olimpíada da América do Sul, o novo líder brasileiro será o primeiro após 16 anos das eras FHC e Lula, um período de estabilidade política e econômica sem precedentes na história brasileira.</p>

<p>O pleito, provavelmente o mais disputado desde o embate de 1989 entre Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva, será realizado em um momento de otimismo. O Brasil sai da maior crise econômica global dos últimos 80 anos com apenas alguns arranhões (uma pequena interrupção no crescimento econômico e na geração de empregos, já superada). A oposição tucana aparece na frente nas mais recentes pesquisas de opinião, mas o capital político do governo é suficientemente forte para alavancar a candidata do Palácio do Planalto. Discussões, ideológicas ou práticas, sobre como usar o crescimento econômico para melhorar a vida do cidadão comum podem fazer de 2010 um momento de grande maturidade da jovem democracia brasileira. Detalhes poderão decidir a votação.</p>

<p><a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091006_entrevista_mendonca_af_np.shtml">Em entrevista à BBC Brasil, Luiz Carlos Mendonça de Barros</a>, ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, admitiu que a missão da oposição não será fácil. "É muito difícil, porque, no fundo, a sociedade acaba associando o bem-estar presente ao governo de plantão", afirmou, apesar de ressaltar que o bom momento brasileiro é, na sua opinião, consequência dos dois últimos governos. "Essa combinação de oito anos de Fernando Henrique com oito anos de Lula foi uma combinação muito favorável para nós, porque incorporou do governo Fernando Henrique uma visão muito mais de institucionalização, de uma economia mais moderna, regras mais claras. (...) E um pragmatismo no governo de Lula, de entender que num país com a distribuição de renda como a brasileira você tem de usar uma política social de fora da economia, isto é, definida pelo próprio governo."</p>

<p>O governo Lula, naturalmente, acredita ser o autor das diretrizes mais importantes que colocaram o Brasil num caminho de mais desenvolvimento e menos pobreza. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090910_mantega_eleicao_ss.shtml">disse recentemente à BBC Brasil </a>que mesmo se o governo trocar de mãos daqui a um ano suas prioridades para o país não poderão mudar. "Mesmo com as eleições, o curso das políticas já está dado. Acho temerário que algum novo governante venha a mudar uma série de diretrizes que estão dando certo. Eu duvido que desative o Bolsa Família, os programas sociais. A população não vai deixar", afirmou.</p>

<p>Em meio ao debate sobre o caminho do Brasil a partir de 2011, aparecem os mais recentes dados do Pnud, programa das Nações Unidas. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) brasileiro melhorou, mas o país continua numa posição decepcionante, para dizer o mínimo. Em 75º lugar, o Brasil está 17 posições abaixo da Venezuela de Hugo Chávez e 20 atrás da Líbia de Muamar Khadafi. Logicamente, isso não quer dizer que o México (53º), onde o narcotráfico ameaça a soberania do governo central em várias localidades, tenha menos problemas que o Brasil; que Chipre (32º) esteja em um melhor momento econômico; ou que o pequeno, árido e monárquico Kuwait (31º) seja um lugar melhor para se viver. Mas o IDH, que mede qualidade de vida e não a projeção política ou econômica de uma nação, é um ótimo indicativo do tamanho do desafio de quem o Brasil eleger daqui a um ano.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/a_um_ano_da_eleicao.shtml</link>
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	<category>editores</category>
	<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 12:00:15 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Um troféu para um novo Brasil</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="rio.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/rio.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>Na disputa entre Brasil e Estados Unidos, venceu o futuro. E o presente. O Comitê Olímpico Internacional olhou para frente e para tudo o que o Brasil já conquistou em seu mais recente período de estabilidade política e econômica. A escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016 foi um reconhecimento do potencial de transformação que os Jogos podem ter sobre a ex-capital brasileira. Mas também uma recompensa pela clara mudança nos últimos anos na percepção que o mundo todo tem do Brasil e da América do Sul.</p>

<p>Em 1980, a Olimpíada em Moscou marcou a consolidação de avanços que a União Soviética havia obtido como superpotência global, liderando o então bloco comunista. Oito anos depois, os Jogos de Seul coroavam o avanço econômico da Coréia do Sul, que de país devastado pela guerra nos anos 50 atingira o status de tigre asiático em apenas três décadas. Os Jogos de 1992 em Barcelona foram símbolo de uma nova Espanha, democrática após os anos Franco e recém-integrada à desenvolvida Comunidade Européia. Em 2004, a Grécia teve a chance de provar que havia dado o seu prometido salto de desenvolvimento, e os Jogos de 2008 oficializaram o papel da China como a maior potência emergente do século 21. Como aconteceu em muitos Jogos nas últimas décadas, a realização da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro é o símbolo de um novo Brasil.</p>

<p>A imagem brasileira no exterior, especialmente aqui na Europa, é hoje associada à ideia de uma surpreendente nova potência, em constante ascensão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamado por Barack Obama de "líder mais popular do mundo", espalha carisma a cada viagem sua ao exterior, diante de platéias que admiram conquistas econômicas e sociais, mas pouco sabem de escândalos da política partidária brasileira. A conquista olímpica carioca reforça a imagem de Lula como líder transformador, o comandante de uma nação que parece, finalmente, ver sonhos antigos se tornarem realidade. É verdade que a corrupção na política ou a violência urbana continuam, e a distribuição de renda segue vergonhosa para uma das dez maiores economias do mundo. Mas o sentimento geral é de que o mundo testemunha o aparecimento de um novo Brasil.</p>

<p>A realização da Copa do Mundo dois anos antes da Olimpíada, a participação ativa do Brasil no G20, a importância do país nas negociações sobre aquecimento global e o crescimento da influência política do Brasil em várias partes do mundo apontam para isso. Um novo Brasil, vitorioso na Olimpíada, no futebol, na economia global e nas relações internacionais. O mundo reconheceu os avanços recentes do país, entregou-lhe um troféu pelo que já mostrou ser capaz de fazer e agora imagina o que poderá vir até 2016. Resta ao país, nestes próximos sete anos, provar que os avanços obtidos até agora não foram mero acidente.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/fim_olimpico_para_a_era_lula.shtml</link>
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	<category>editores</category>
	<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 17:13:58 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Brasil x EUA</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="rio2016.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/rio2016.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>Crise política em Honduras, bases americanas na Colômbia, disputa pela Olimpíada de 2016. Vários fatos dos últimos meses apontam para uma disputa de espaço entre o Brasil de Lula, cada vez mais confiante em seu papel de potência emergente, e os Estados Unidos de Obama.</p>

<p>Nesta sexta-feira, o Comitê Olímpico Internacional poderá fazer história ao anunciar a primeira Olímpíada na América do Sul. Ou poderá ceder à provável influência de última hora que a presença do presidente americana em Copenhague poderá ter sobre a aguardada decisão. Madri e Tóquio correm por fora, mas os olhos do mundo concentram-se no continente americano.</p>

<p>A Chicago de Barack Obama é a aposta segura, numa superpotência que já realizou Olimpíadas e pisou na Lua. O Rio de Janeiro de Luiz Inácio Lula da Silva é, para muitos, uma escolha mais arriscada, uma aposta no futuro e numa nação de relevância crescente e talvez incomparável vontade de ter seu nome escrito na história no esporte mundial. Esperemos para ver quem vence mais esse embate entre os dois gigantes das Américas e o que a decisão do Comitê Olímpico dirá sobre a disputa por poder e influência no mundo de hoje.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/brasil_x_eua.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/brasil_x_eua.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 16:58:36 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Depois do G8, a ONU</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="lula.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/lula.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>Os emergentes aproximam-se cada vez mais da superfície. Num processo bastante acelerado pela crise financeira global do ano passado, o grupo das 20 maiores economias do mundo foi formalmente reconhecido como o melhor fórum para decidir sobre os rumos da economia global. O G20, a partir da reunião de Pittsburgh, na semana passada, substitui assim o G8 em temas econômicos. Do Brasil à Indonésia, passando por África do Sul, Arábia Saudita e, logicamente, China, um mundo todo antes submerso passa agora a ter plena voz nos rumos econômicos do planeta. Mas os emergentes querem mais.</p>

<p>Apesar de quase despercebida no Primeiro Mundo, foi significativa a realização da segunda cúpula América do Sul-África logo depois do encontro de Pittsburgh. Em sua declaração final, os líderes reunidos na Venezuela pediram uma reforma do Conselho de Segurança da ONU para que este seja <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090927_venezuelaasafinal_cj_ac.shtml">"mais democrático, transparente, representativo"</a>. A mudança no comando da economia não é suficiente para um mundo que anseia por maior participação nos destinos da humanidade. Os emergentes querem que a mesma velocidade com que têm sido impulsionados para cima nas áreas de comércio e finanças se repita no mundo da política internacional.</p>

<p>Qualquer reforma no Conselho de Segurança, organismo formado por 15 países e criado em 1945, depende do apoio de seus cinco membros permanentes, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia. Todos têm poder de veto e podem, com um gesto de cabeça, frustrar qualquer movimento por mudança. Seu apoio não foi garantido nas tentativas anteriores de ampliação do grupo de membros permanentes, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/07/050712_angelag4cg.shtml">a mais recente em 2005</a>, o que era natural. Pelo menos em tese, nenhuma dessas potências deveria ter interesse em concordar com a perda de um estratégico privilégio mantido por mais de seis décadas. Sob esse raciocínio, o Conselho de Segurança continuaria do jeito como sempre foi pelo tempo que seus membros permanentes quisessem. Mas os emergentes, satisfeitos por terem se aproximado da superfície, onde há mais luz, faz menos frio, e sua voz é ouvida mais facilmente, apostam em um momento histórico favorável.</p>

<p>Até o final do século passado os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança formavam também o mais do que fechado clube nuclear. Boa parte de sua credibilidade para determinar os caminhos do planeta nas áreas de política e segurança vinha do fato de que eram os únicos países detentores de armas nucleares. Mas com o tempo isso mudou: Israel silenciosamente produziu sua bomba, apesar de nunca ter admitido; Índia e Paquistão anunciaram e provaram ter suas ogivas; Coréia do Norte seguiu o mesmo caminho; e o Irã se aproxima de obter a capacidade de produzir bombas atômicas, se assim o desejar. Os cinco manda-chuvas da ONU não conseguiram impedir a proliferação nuclear.</p>

<p>Diante desse cenário, o presidente Barack Obama encampou a tese de um mundo sem armas atômicas e aumentou a pressão sobre o Irã. Para essa tarefa ele sabe que os Estados Unidos e seus quatro companheiros permanentes de Conselho precisam de uma ajuda mais ampla. Por isso, na Assembléia-Geral da ONU formalizou o início de uma nova era de cooperação entre seu país e o resto do mundo, o que inclui os emergentes. Nesse novo cenário, a tese de um Conselho de Segurança mais democrático e representativo, provavelmente com membros permanentes da América do Sul, da África e do sul da Ásia, ganha mais espaço. Com o crescimento da influência econômica e política de nações como Índia e Brasil, o que poucos anos atrás parecia para muitos um delírio da diplomacia brasileira passa a ser uma realidade bastante possível. Ou até mesmo inevitável.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/depois_do_g8_o_conselho_de_seg.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/depois_do_g8_o_conselho_de_seg.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 16:17:19 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Perigo para o Brasil em Honduras</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="zelaya.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/zelaya.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>Se Manuel Zelaya combinou ou não com o governo brasileiro sua ida à embaixada do Brasil em Tegucigalpa é algo ainda a ser esclarecido. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva jura que seu governo de nada sabia e <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090924_lula_brasil_honduras_bg_np.shtml">ofereceu sua palavra contra a dos "golpistas". </a>Mas isso é pouco relevante diante do pepino em que se encontra a diplomacia brasileira, agora atolada até o pescoço na crise política de Honduras.</p>

<p>Todos sabem que grande poder traz grande responsabilidade. Por isso parecia uma questão de tempo, considerando o aumento da influência do Brasil na política da América Latina, que o país se visse diretamente ligado a uma crise de grandes proporções, dada o ainda alto nível de instabilidade em partes da região. Entretanto, na crise de Honduras a responsabilidade parece ter se tornado maior que o poder acumulado pelo Brasil. O país ainda não tem os recursos políticos, diplomáticos e militares que tinham, por exemplo, os Estados Unidos ao longo do século 20, tempo em que mandavam e desmandavam em quase todos os vizinhos das Américas. Por mais que a retórica de Lula pareça apoiada na razão e seja apreciada tanto por Barack Obama como por Hugo Chávez, as opções brasileiras nesta crise são limitadas.</p>

<p>Num passado não muito distante, mais precisamente em 1991, outro líder latino-americano passou por aperto semelhante ao de Zelaya. Jean-Bertrand Aristide mal completava um ano na Presidência do Haiti, que acabara de sair de uma longa e sangrenta ditadura familiar, quando bateu de frente com o Congresso do país, da mesma forma como aconteceria com o presidente de Honduras. Aristide perdeu o apoio político no Parlamento e acabou expulso do cargo e da meia-ilha que comandava. O país ficou nas mãos dos militares, que com o tempo passaram a sofrer pressão internacional para aceitar o retorno de Aristide ao poder. Tratava-se dos Estados Unidos de Bill Clinton e não do Brasil de Lula, então os generais acabaram não resistindo. Em 1994, tropas americanas tomaram o Haiti para garantir o retorno do presidente deposto. Aristide governou então até 1996, voltou ao cargo em 2000, apenas para ser expulso mais uma vez. Mas essa é uma outra história, que o Brasil inclusive conhece muito bem.</p>

<p>O fato é que o Brasil de Lula não é a maior potência das Américas, não tem assento permanente no Conselho de Segurança da ONU nem tem condições ou histórico de invadir vizinhos para garantir um arranjo político, como era o caso dos Estados Unidos na crise haitiana dos anos 90. Sozinho, o Palácio do Planalto não pode fazer por Zelaya o que a Casa Branca fez Jean-Bertrand Aristide. O presidente deposto de Honduras não pode assumir residência fixa na embaixada brasileira de Tegucigalpa, e uma solução parece depender de um acordo com o governo interino. Se for obtido, o Brasil terá fortalecida ainda mais sua imagem internacional como potência emergente, confiável na mediação de crises internas ou regionais, e o presidente Lula terá reafirmadas suas credenciais como defensor da democracia no continente.</p>

<p>Mas, se Roberto Micheletti decidir não fazer concessão alguma, Honduras pode mergulhar num impasse político ainda mais grave, com um crescente perigo de mais violência nas ruas de um país claramente dividido. Nesse caso, o Brasil poderá lamentar ter atendido a campainha e oferecido o sofá da sala a Manuel Zelaya.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rogério Simões </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/perigos_em_tegucigalpa.shtml</link>
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	<category>editores</category>
	<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 14:54:11 +0000</pubDate>
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