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Céticos do clima sem voz na imprensa brasileira

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Eric Camara | 2011-11-08, 12:12

O Brasil é o país que menos dá voz aos chamados "céticos" das mudanças climáticas, de acordo com um estudo da universidade de Oxford em parceria com a Fundação Reuters realizado também em outros cinco países - França, Índia, China, Estados Unidos e Grã-Bretanha.

Costumam ser chamados "céticos" os cientistas que não partilham da opinião consensual do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), que conta com a participação de mais de 3 mil estudiosos e representa a grande maioria da comunidade científica, de que o aquecimento global tem muito provavelmente causas humanas.

Segundo a maior parte dos que estudam o fenômeno, pesquisas recentes vêm reforçando a hipótese. O IPCC - cujas conclusões inclusive são consideradas por muitos conservadoras - deve publicar um novo relatório em 2014.

Já a pesquisa da universidade britânica indica que a imprensa britânica e americana foi responsável por 80% do conteúdo contrário à hipótese aceita pelo IPCC publicado nos países estudados. Desses, quase metade apareceu em páginas de opinião, e não em reportagens.

O coordenador do projeto, o acadêmico e jornalista James Painter, afirma que no Brasil o espaço reduzido se deve a uma "combinação entre cultura jornalística, poucos ou nenhum grupo de pressão ligados ao setor petrolífero e à virtual ausência de vozes fortes céticas na elite científica, política e econômica" do país.

O Planeta & Clima foi até um dos poucos grupos organizados de cientistas contrários à tese antropogênica do aquecimento global, o FakeClimate. Para o professor de Climatologia da Universidade de São Paulo (USP) Ricardo Augusto Felício, os motivos para a falta de espaço na imprensa seriam outros.

Por email, o cientista afirmou que " o Brasil cumpre uma agenda internacional que necessita estipular o falacioso desenvolvimento sustentável, ou seja, alterar matrizes energéticas por fontes alternativas duvidosas, caras e ineficientes, estipular novos impostos e cercear direitos civis de escolha por exemplo, além é claro, de entrar na onda da internacionalização dos recursos naturais."

Ele também nega que não existam vozes céticas fortes na comunidade científica brasileira e diz que a opinião está "espalhada por todas as universidades e instituições".

"Ela só não ganha destaque por causa da falta proposital de visibilidade e, ao mesmo tempo, se você for um docente, por exemplo, pelos riscos de perder o emprego, perder financiamentos, perder sua credibilidade."

Por isso, o doutor em climatologia compara a situação atual com a Idade Média.

"A ciência do século XXI é feita por achismos e ideia de consenso. Isto é um grande absurdo! Então, em outras palavras, querer contestar o dogma do 'aquecimento global', mesmo mostrando dados e fatos tornou-se uma empreitada perigosa, cansativa e no final, inglória."

Embora os chamados céticos sejam minoria na comunidade científica mundial, muitas vezes façam parte de grupos financiados por empresas petrolíferas e se oponham a alguns dos nomes mais respeitados do planeta em diversas áreas de pesquisa, você acredita que eles deveriam ter mais espaço?

Ou isso só serviria para confundir o debate entre leigos?

ComentáriosDeixe seu comentário

  • 1. às 09:54 AM em 11 nov 2011, João escreveu:

    Toda voz deve ser ouvida, especialmente aquela que desafia o consenso popular.

  • 2. às 10:54 AM em 11 nov 2011, Rose Ribas. escreveu:

    Bom Dia!
    Sobre a matéria acima, considero com pesar que nem a ciência nem os "achismos" podem se responsabilizar por atos realizados pelos "homens" em relação a sua vida e à natureza uma vez que estamos "aprisionados a uma ordem moral" que nos divide entre o bem e o mal. Grata! Sds.

  • 3. às 12:20 PM em 11 nov 2011, Jaédson Alves escreveu:

    No Brasil temos esse problema, dentro das universidades que eu conheço, é unânime o consenso à favor da tese antropogênica do aquicimento global. Não somos instigados ainda menos educados para o debate. Somos um país com muitas deversidades, inclusive com idéias e postulados diversos, mas a mídia e outros setores responsáveis pela produção e difusão de conhecimento não nos apresentam todos os posicionamentos sobre um assunto. Nunca fomos bons em tratar democraticamente as contradições, mas é histórica a nossa eminência ditatorial em calar as minorias que interferem nas agendas políticas e nos modelos econômicos. Por favor, não façam a preciosa Ciência parecer uma religião!

  • 4. às 02:52 PM em 11 nov 2011, Eric Camara Author Profile Page escreveu:

    Olá João, obrigado pelo comentário! Toda voz tem que ser ouvida, sem dúvida, mas será que todas devem ter o mesmo peso? Vale lembrar também que no caso do aquecimento global não se trata de um consenso popular, mas de uma hipótese amplamente baseada em diferentes estudos científicos independentes.
    Abs
    Eric

  • 5. às 04:27 PM em 11 nov 2011, Bel escreveu:

    O problema da imprensa brasileira é, infelizmente, a prática de publicar releases. Poucos jornalistas levantam a bunda cadeira para ir atrás de fontes, a maioria simplesmente faz uma ligação para o "doutor" citado no texto da assessoria de imprensa de alguma ONG e sequer se dá ao trabalho de pesquisar sobre o tema. E acham que isso é "Jornalismo".

    Quando ainda era estudante de jornalismo, levei um susto ao conversar com pesquisadores e descobrir que a maioria não concordava com o IPCC. Alguns eram neutros, preferiam ficar em cima do muro, outros eram abertamente contra, mas ninguém aceitava dar entrevista sobre isso, pois teme "se queimar".

    Infelizmente, como disse o professor da USP, projetos de pesquisa acadêmicos vivem de financiamento, e muitos temem falar o que pensam e perder créditos. Essa é apenas uma das áreas onde a política acaba intervindo na "ciência".

    E é uma injustiça dizeres que os céticos "façam parte de grupos financiados por empresas petrolíferas e se oponham a alguns dos nomes mais respeitados do planeta em diversas áreas de pesquisa", pois nem todos são financiados por empresas petrolíferas. Além disso, os "crentes" do clima têm, em suas fileiras, muitos pesquisadores financiados por Fundações, Ongs e governos e isso não é citado nas reportagens e notícias como um demérito. Outra questão importante é: quem e o que define quem são os "nomes mais respeitados"? O número de artigos publicados? Ou o número de vezes que aparecem na imprensa?

    Quanto à pegunta sobre o espaço dado aos céticos, se ele deveria aumentar na imprensa, a resposta é SIM!

    Jornalista não é assessor de imprensa, não tem obrigação nenhuma de fazer propaganda. Deve informar o público, contextualizar a questão. Se as pessoas vão acreditar nos argumentos dos "céticos" ou dos "crentes" não cabe ao jornalista decidir.

  • 6. às 04:41 PM em 11 nov 2011, Eric Camara Author Profile Page escreveu:

    Olá Bel, obrigado por seus instigantes comentários. Só uma correção: eu não disse que "os céticos" sejam financiados pela indústria do petróleo, mas sim, que muitos grupos de céticos o sejam. A diferença é óbvia.

    Sobre a questão dos nomes mais respeitados, é ponto pacífico entre cientistas que o número de artigos publicados é um indicador seguro da qualidade do corpo de trabalho de um pesquisador. Na questão dos financiamentos, citei a indústria petrolífera porque aí há um evidente conflito de interesses.

    É claro que todos os estudos têm algum tipo de financiamento. Para um jornalista, passa a ser relevante falar sobre isso quando existe algum potencial conflito de interesses, Bel.

    Como eu respondi ao João, claro que devemos dar voz aos céticos, mas quanto espaço eles devem ter em comparação aos outros? O que você acha?
    Abs
    Eric

  • 7. às 05:38 PM em 11 nov 2011, Bel escreveu:

    Eric, assim como financiamento da indústria petroleira significa um conflito de interesses, o financiamento por Fundações e governos que tem interesse no assunto também representa um conflito. No entanto, apenas a questão do financiamento dos céticos foi levantada.

    Os céticos, em sua maioria, não duvidam do aquecimento global, mas sim da Teoria do Aquecimento Global Antropogênico, ou seja, não duvida do aquecimento global, mas sim de que esse aquecimento global seja causado pelos homens.

    Muitas pesquisas indicam que a Terra está aquecendo, outras, em menor número, indicam que ela estaria, na verdade, esfriando. No entanto, nenhuma conseguiu comprovar que a humanidade seja a causadora do aquecimento global.

    Uma coisa é a Teoria do Aquecimento Global, e outra é a Teoria do Aquecimento Global Antropogênico. A segunda é uma tentativa de explicar a primeira, mas não são a mesma coisa. Foi isso que eu disse anteriormente sobre os jornalistas não pesquisarem o tema. Vocês publicam sobre duas teorias como se fosse apenas uma teoria!

    Existem outras linhas de pesquisa que tentam explicar a Teoria do aquecimento Global, mas nenhuma, nem mesmo a teoria antropogênica, conseguiu comprovar o porquê do aquecimento. No entanto, a imprensa publica notícias e reportagens apenas sobre a Teoria Antropogênica, como se ela fosse a mesma coisa que a Teoria do Aquecimento Global e fosse a única existente. Esse "consenso" não existe e nem deve existir, pois Ciência não é religião para ter dogmas.

    A publicação de artigos é um bom parâmetro para classificar um pesquisador, mas não é o único. No caso das publicações, algumas coisas, além do número de artigos publicados, devem ser levadas em consideração, como a linha editorial da revista na qual os artigos são publicados. Não apenas o quanto ela é reconhecida, mas também seu posicionamento quanto ao tema. O quanto o autor é respeitado, sua trajetória na academia e no mercado e suas pesquisas desenvolvidas também são bons indicativos.

    Quanto ao espaço a ser dado aos céticos na imprensa, me questiono por que apenas um grupo de pesquisadores e sua linha de pesquisa deve ser considerado como tendo "mais peso". Quais são os critérios para definir quais pesquisas são mais ou menos confiáveis? Será que os jornalistas estão preparados para ler e compreender uma pesquisa e definir aquela que é melhor ou pior?

    Duvido muito disso. Não acredito que os jornalistas estejam em posição de definir qual deve ter mais ou menos espaço. E acredito que já passou da hora da imprensa ir na academia atrás dos diversos pesquisadores para tratar sobre o tema, e parar de se basear apenas em releases e eventos.

  • 8. às 06:53 PM em 11 nov 2011, Eric Camara Author Profile Page escreveu:

    Mais uma vez, obrigado pelos comentários e pela explicação sobre a diferença entre a hipótese do aquecimento global antropogênico e a do aquecimento global. O texto deixa claro que me refiro à primeira.

    Acho perigoso igualar consenso e dogma, são conceitos bastante diferentes. Quando se fala em consenso científico nessa área, fala-se das conclusões do IPCC, que examinou (e está examinando) pesquisas sobre o tema - entre elas as que parecem comprovar a relação entre atividades humanas e aquecimento global e outras que não.

    Baseando-se nesta análise, após revisão de centenas de cientistas de várias instituições e países diferentes, o IPCC chegou à conclusão em 2007 de que "muito provavelmente" o aquecimento global é antropogênico. Isso não pode ser chamado de dogma, não é?

    Bom jornalismo baseia-se em boas fontes de informação e discernimento. Jornalistas têm a obrigação diária de decidir quanto espaço dão a diferentes vozes. Seja em reportagens sobre mudança climática, sobre a briga do Google com a Apple ou sobre a crise do euro.

    No caso de uma ciência tão complexa quanto a climática, o bom jornalismo obviamente depende exclusivamente da academia. E atualmente o corpo de pesquisas mais robusto indica que o clima está sendo afetado pela atividade humana. Não se trata de privilegiar um grupo sobre outro, mas sim, de respeitar o estágio atual da produção científica.

    Será que podemos reduzir a um grupo todos os pesquisadores que trabalham de independentemente uns dos outros em diversos países - mas que chegam a conclusões convergentes? Se existem tantos estudos que apontam na direção diferente, porque não são publicados em seu número? Será que existe uma grande conspiração controlando a maior parte das revistas científicas do planeta?

    P.S. Conflito de interesses existe quando os interesses envolvidos no assunto podem prejudicar o resultado da ação. Como no caso de indústrias que vendem cigarros e patrocinam estudos sobre câncer.

  • 9. às 08:22 PM em 11 nov 2011, Bel escreveu:

    Eric, existir um consenso no IPCC não quer dizer o mesmo que existir um consenso entre os cientistas. IPCC é uma coisa, academia é outra. Existe um consenso entre os cientistas que participam do IPCC, mas isso não quer dizer que exista um consenso entre todos os cientistas. De fato, esse consenso não existe.

    Em nenhum momento eu disse que o IPCC é um dogma, mas sim que a ciência não é baseada em dogmas. Por não ser baseada em dogmas, mas sim em paradigmas, é que falar em "consenso científico" se torna perigoso. Paradigmas são diversos, mutáveis. Eles tem a sua época e representam muito do pensamento dominante. Alguns fazem sucesso, tornam-se obsoletos e, anos depois são relembrados e retrabalhados. Outros se tornam conhecidos, conseguem muitos filiados, acabam entrando na cultura Pop, mas isso faz com que os demais sumam da academia. Não existe ciência com um único paradigma.

    A discussão, o debate, a coexistência de diversas formas de ver o mesmo fenômeno sempre existiu na ciência - por mais que algumas linhas se tornem mais conhecidas e consigam mais espaço e financiamento - e isso é salutar. Não entendo por que o público leigo não possa saber disso.

    Perceba que, em nenhum momento, eu questionei o IPCC. O que eu questionei foi o porquê dos jornalistas terem apenas o IPCC e seus filiados como fontes de seus trabalhos.

    E se os pesquisadores que postulam sobre a teoria antropogênica não podem ser chamados de grupo, então os céticos também não podem, já que estamos falando de cientistas de diversos países, que fazem partem de diversos campos e seguem diferentes linhas.

    Sobre os conflitos de interesse, eles existem quando quem financia tem um interesse por um determinado resultado de uma pesquisa. Isso vale para qualquer instituição, não apenas para indústrias. O financiamento de uma Fundação que defenda um determinado ponto de vista não me parece muito diferente de uma indústria que faça o mesmo.

    E existem muitos interesses políticos nessa questão também, que envolvem principalmente a questão energética e a ambiental. Um exemplo é a energia nuclear. Até uns anos atrás, ninguém queria ouvir governos falando nisso, mas, graças às discussões sobre o aquecimento global, a ideia passou a ser vista como um "mal menor", e políticos puderam falar abertamente sobre construir usinas nucleares. A energia nuclear só voltou ao imaginário popular como algo terrível por causa de Fukushima. Mesmo assim, ainda tem muito governante querendo investir nisso.

    A questão é muito complexa, e cabe ao Jornalismo mostrar essa complexidade ao público. Mostrar os diferentes pontos de vista e as questões políticas e filosóficas envolvidas nisso.

  • 10. às 08:31 PM em 11 nov 2011, Bruno escreveu:

    Olhem o currículo lattes do pesquisador da USP citado na reportagem. O cara não tem um artigo científico publicado em um veículo relevante, mas vários artigos publicados em jornais. Afinal, é pesquisador ou jornalista? É esse tipo de pesquisa que devemos levar a sério?

  • 11. às 10:28 PM em 11 nov 2011, Spassos-RJ escreveu:

    Não é só sobre o aquecimento global, a imprensa não costuma dar voz a quem não concorda com a opinião do dono do jornal e outro veículos de mídia. Apesar do que dizem, aqui não há uma imprensa livre, ela é sempre comprometida com interesses financeiros. Afinal são empresas comerciais como outra qualquer, não é ?

  • 12. às 03:00 PM em 28 nov 2011, Reginaldo Ventura de Sá escreveu:

    Prezados,

    uma das poucas vozes contra o modismo do aquecimento global é o professor Molion.

    Luiz Carlos Baldicero Molion Luiz Carlos Baldicero Molion é bacharel em Física pela USP e doutor em Meteorologia – e Proteção Ambiental, como campo secundário – pela Universidade de Wisconsin, Estados Unidos. Concluiu seu pós-doutorado no Instituto de Hidrologia, em Wallingford, Inglaterra, em 1982, na área de Hidrologia de Florestas. É associado do Wissenschaftskolleg zu Berlin (Instituto de Estudos Avançados de Berlim), Alemanha, onde trabalhou como pesquisador visitante de 1989 a 1990.

    Ele tem rebatido muitas das afirmações que são divulgadas pela imprensa. Vale esse canal dar um espaço para ele. Na verdade, pelo seu trabalho e artigos, a Terra estaria resfriando mas nossas emissões estariam retardando esse resfriamento.

    Eu sou Meteorologista e em meus trabalhos usando modelos do IPCC, lhes digo que nada se pode dizer com certeza. as ferramentas utilizadas ainda tem muitos problemas e basear decisões importantes nelas ainda é prematuro.

    Alguns links:

    http://blogdoambientalismo.com/molion-um-cientista-que-nao-se-curva-aos-ambientalistas-radicais/

    http://arcadenoe.ning.com/forum/topics/interessante-debate-prof

  • 13. às 07:50 PM em 28 nov 2011, Marcos José escreveu:

    Iniciativa interessante a sua Eric de incitar a reflexão de um tema bastante polêmico e, ainda, permitir um espaço para discussão, além de divulgar o site do Fakeclimate - um portal dos "céticos" que centraliza muitas informações, publicações de diversos estudos e pesquisas com a visão contrária ao Aquecimento Global Antropogênico (AGA).

    Entro nesta discussão para oferecer um pouco de minha contribuição.
    Dentre os arquivos e links na seção "Acadêmico" do site Fakeclimate, merecem destaque três publicações:

    - Dissertação (mestrado) da Daniela Onça, "Curvar-se diante do existente: o apelo às mudanças climáticas pela preservação ambiental", defendida na Universidade de São Paulo (USP) em 2007.

    Disponível online aqui: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-05112007-121023/pt-br.php

    - Tese (doutorado) da Daniela Onça, "'Quando o sol brilha, eles fogem para a sombra...': a ideologia do aquecimento global", defendida na Universidade de São Paulo (USP) em 2011.

    Disponível online aqui: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-01062011-104754/pt-br.php

    - Dissertação (mestrado) minha, Marcos José de Oliveira, "Incertezas associadas à temperatura do ar no contexto das mudanças climáticas: determinação das causas e efeitos de heterogeneidades e discussão das implicações práticas", defendida na Universidade de São Paulo (USP) em 2010.

    Disponível online aqui: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18139/tde-25042011-095947/pt-br.php

    Ou seja, estes três trabalhos, na linha cética ao AGA, representam publicações de peso em uma instituição de ensino bastante conceituada (USP).

    O argumento de que cientistas céticos não publicam artigos em revistas científicas está relacionada a toda uma questão complexa que envolve a linha editorial e os respectivos revisores, os quais são, muito usualmente, crentes ao AGA. No Brasil, de fato são relativamente poucos os artigos "céticos", mas, no mundo existem muitos artigos. Os principais artigos céticos foram citados nas publicações citadas acima. Leia quem tiver interesse e vontade de conhecer a visão cética.

    Bom, em relação ao papel da mídia neste debate do AGA, ela desempenha um papel bastante importante, já que intermedia as informações entre a comunidade científica e o público em geral. Neste processo, a informação cinetífica é simplificada e, muitas vezes, distorcida, comprometendo bastante a questão das incertezas e dúvidas relacionadas ao AGA.

    Ao Eric e demais interessados, informo que em minha dissertação eu dediquei algumas seções para o papel da mídia na temática das mudanças climáticas. São estes os itens:

    - 9.2.3. Meios de comunicação (pg. n° 312, ou 346 do pdf)
    - 9.3. Interação entre a Ciência e a Mídia (pg. n° 318, ou 352 do pdf)

    Quem tiver realmente paciência e muito interesse em se aprofundar, abaixo explico com mais detalhes o conteúdo da dissertação.

    --

    Resultante da minha pesquisa de mestrado, a publicação ficou um pouco grande, porém possui algumas partes bastante didáticas e completas.

    De qualquer forma, para facilitar um pouco sobre o conteúdo dela, escrevi abaixo alguns pontos que podem motivar o interesse em dar uma espiadinha na dissertação.

    O trabalho não está estruturado exatamente da forma apresentada a seguir, mas a leitura permite compreender as respostas das seguintes perguntas:

    · O que são as Mudanças climáticas e o Aquecimento Global Antropogênico?
    · Quais são as causas (naturais e antropogênicas)?
    · Quais são os efeitos?
    · Quais são as evidências?
    · Quais os interesses (da Ciência, Política, Mídia e Economia) envolvidos na discussão desta temática?


    O trabalho apresenta tanto o lado popularmente difundido ("senso comum") quanto um "outro lado" (cético) pouco divulgado.
    Por exemplo, respondendo algumas das principais perguntas:


    · Senso comum: O aquecimeno global significa que o mundo todo está aquecendo.
    · "O outro lado": O aquecimeno global significa que a temperatura média na superfície terrestre está aumentando. Esta média global diz que a maior parte das séries locais, utilizadas na composição da temperatura média global, apresenta uma tendência de aumento; entretanto, algumas séries locais não apresentam aquecimento, muito pelo contrário, existem regiões que estão resfriando.


    · Senso comum: o clima na Terra sempre foi constante, nunca mudou e, de repente, o homem começou a alterá-lo.
    · "O outro lado": o clima já mudou (e muito!) no passado; e tudo indica que continuará mudando. Existem ciclos naturais que o homem não interfere.


    · Senso comum: os seres humanos e suas atividades emissoras de gases do efeito estufa são as principais causas das mudanças climáticas recentes.
    · "O outro lado": uma vez que o clima sempre mudou naturalmente, antes mesmo da existência dos humanos, discernir qual a contribuição da influência natural da artifical é o grande desafio. Atribuir todas as mudanças às causas artificiais é ignorar as influências naturais, desde sempre presentes.


    · Senso comum: em relação aos efeitos, existe a impressão de que o aquecimento global causará um grande dilúvio com a elevação do nível médio dos mares.
    · "O outro lado": Pouco é divulgado sobre os valores desse aumento. Segundo o IPCC, para o ano de 2100, a estimativa de aumento do nível médio do mar está compreendida no intervalo de 18 a 59 cm (pouco mais de meio metro). Isso é muito? É pouco? Vamos ponderar: estamos no final de uma era interglacial (que ocorre, em média, a cada 100 mil anos e dura cerca de 10 mil anos). Para se ter uma noção da variação natural do nível médio dos mares, consideremos o período de transição entre a última era glacial e atual era interglacial: há 24 mil anos atrás (durante a era glacial), o nível do mar estava aproximadamente a 120 metros abaixo do nível atual. Os geleiras e calotas polares descongelaram naturalmente (devido às variações de parâmetros orbitais e, consequentemente, da quantidade e distribuição da radiação solar recebida pela Terra) e o nível do mar aumentou até os padrões atuais.


    · Senso comum: o aquecimento global é o aumento considerável das temperaturas médias globais.
    · "O outro lado": esse aumento foi de 0,6ºC nos últimos 100 anos. Isso é muito? É pouco? Ponderando: durante a última era glacial, a temperatura média terrestre foi cerca de 8,0ºC mais baixa que a atual.


    Enfim, quem for arriscar enfrentar a leitura do trabalho (com mais de 450 pg.) para tentar entender e responder a essas e outras perguntas de cunho científico, sugiro a leitura dos Capítulos 1 e 2.

    Quem quiser entender as implicações práticas, ou seja, além do escopo da Ciência, permeando os aspectos da Política, Mídia e Economia, sugiro então a leitura do Capítulo 7 e da Conclusão.

    Os demais Capítulos (3, 4, 5 e 6) foram estudos estatísticos sobre erros que influenciam na medição e determinação da temperatura do ar, principal evidência utilizada no contexto das mudanças climáticas e do aquecimento global.

    Portanto, compartilho com vocês os resultados obtidos, e fico à disposição para eventuais dúvidas e críticas.
    Boa leitura para os curiosos e corajosos!

    Obrigado pela atenção,
    Marcos.

  • 14. às 03:28 PM em 02 dez 2011, Midia Mais escreveu:

    Creio que o articulista se esquece que os fraudadores de dados, como Michael E. Mann, encontram-se do lado dos "cientistas sérios" afirmados no artigo. Não se pode afirmá-lo no exato momento em que estoura o Climategate II. Menos ideologia e gosto pessoal, por favor.

    http://www.midiaamais.com.br/ambientalismo/7399-climategate-ii-e-outro-pode-estar-em-reserva

  • 15. às 05:57 PM em 02 dez 2011, Galileu escreveu:

    Não sou cientista, mas sou um dos que não acredita no aquecimento global por interferência humana, uma pena não morar num país sério....

    Pra mim estamos no fim de uma era glacial que foi amenizada pela emissão de carbono na atmosfera, logo natural que os polos esteja "derretendo", pois está no fim do período, imaginem se o homem não "aquecesse" a atmosfera, talvez nem existiríamos.


    Quanto ao comentário do Jaédson Alves:
    Sim caro amigo, nosso país não passa de uma republiqueta, as faculdades são um lixo, inclusive as melhores como a Usp, nenhuma questiona ou dá voz para isso.
    A "imprença" desse país é um caso a parte, ela é partidária, oportunista, corporativista e falsa moralista, literalmente não presta!!!

    Logo não podemos esperar nada de útil deles.

    abraço

  • 16. às 06:38 PM em 02 dez 2011, rui escreveu:

    Creio que no caso de dúvida pro réu, ou seja se a ciência está dividida devemos ao menos ter cuidado, pois se esses céticos estiverem errados o mal está feito. A ciência nunca foi neutra e neste casoo estão em oposição por um lado a chamada "industria de tecnologias limpas" e por outro o LOBBY de governos e empresas de petróleo. No Brasil o lado das petroleiras e do governo americano está perdendo, ... por enquanto.

  • 17. às 11:00 AM em 06 dez 2011, Marcos José escreveu:

    Olá Eric,

    Olhe só o que saiu na Revista Veja essa semana:

    Sem clima para um acordo - Veja - 05/12/2011
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/5/sem-clima-para-um-acordo

    Você que provavelmente está na Inglaterra, poderia fazer uma cobertura/reportagem desse tema por aí, que tal?!

    Abraço!
    Marcos.

  • 18. às 10:37 AM em 07 dez 2011, Marcos José escreveu:

    Olá Eric,

    Mais uma reportagem recente e bastante interessante, publicada na Revista Geografia:

    "Aquecimento Global: A politização da ciência"
    http://geografia.uol.com.br/geografia//mapas-demografia/40/a-politizacao-da-ciencia-se-nao-temos-certeza-se-242632-1.asp

    Vale a pena ler tudo (no rodapé do site tem os links para várias páginas, 5 no total).

    Abraço e obrigado,
    Marcos José.

  • 19. às 06:35 PM em 05 mar 2012, Mudanças Porto Alegre escreveu:

    Tanto a imprensa quanto nossos governantes, tem que começar a tratar com mais respeito, um assunto tão delicado quanto o aquecimento global e as mudanças climáticas. Já passou da hora de enfrentarmos este problema.

  • 20. às 01:51 PM em 03 mai 2012, Maria Fernanda Salek Dick escreveu:

    Prezado Professor, vi ontem sua entrevista no Jô e fiquei maravilhada. Me senti uma ignorante por não saber tudo o que disse, mas nunca acreditei na "teoria" de aquecimento global. Minha pergunta, e como Mae o que dizer a nossos filhos que aprendem errado nos livros e serão cobrados no vestibular erradamente? Existe algum movimento para tirar essas bobagens dos livros de geografia? Eu já comecei a me mexer, estou selecionando tudo o que vc diz e vou encaminhar ao departamento do Colégio Cruzeiro do Rio de Janeiro. Um prazer conhece-lo, Maria Fernanda.

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