Faz alguns dias que vem fervendo na internet um debate sobre o roubo de emails e documentos de um dos mais respeitados centros de pesquisa sobre mudança climática do mundo: a Unidade de Pesquisa sobre o Clima da universidade de East Anglia, aqui na Grã-Bretanha.
Hackers invadiram a rede da instituição e levaram mais de 3 mil arquivos, entre emails, pdfs, docs e outros. O material foi carregado em um servidor russo e de lá copiado para milhares de sites, principalmente pelos chamados "céticos", como este, de Anthony Watts.
Para Watts e outros, alguns dos emails hackeados, datados de uma década atrás, forneceriam provas de manipulação de dados para que estudos científicos dessem a impressão de aquecimento global.
Entre os principais exemplos da suposta armação estão o uso de palavras como "trick" (truque) em uma frase que fala sobre adicionar temperaturas a uma série histórica de forma a "esconder o declínio".
No entanto, o blog Real Climate, que já contou com a participação de alguns dos envolvidos na polêmica, publicou uma longa defesa, na qual, em resumo, afirma que os emails nada mais são que discussões científicas feitas em fóro privado, e por isso, com uma linguagem descuidada.
Promete render mais polêmica... Mas quem quer que esteja com a razão neste caso, para mim, a pergunta que fica no ar é: há duas semanas da reunião de Copenhague, qual teria sido a intenção desse hacker?
O governo está guardando a sete chaves os últimos números do desmatamento medido pelo sistema Prodes, que monitora a Amazônia por satélite, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar um resultado histórico nesta quinta-feira.
O desmate entre agosto de 2008 e agosto de 2009 é o menor desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a avaliar a região amazônica, em1988.
Pela primeira vez em 21 anos, a área desmatada na Amazônia Legal teria ficado abaixo dos 9 mil quilômetros quadrados. O resultado mais próximo disso foi registrado entre 2006 e 2007, com 11.633 km2 derrubados.
Não é à toa que os números devem ser anunciados por Lula, e não por um representante do ministério da Ciência e da Tecnologia, como costuma acontecer.
A menos de um mês de Copenhague, com ou sem metas de redução de emissões, o resultado vai ser um trunfo importante para o governo brasileiro nas negociações por um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto.
Depois de uma caminhada de uma hora sem parar pela Floresta Amazônica encontramos um grupo do serviço geográfico do Exército que trabalhava na demarcação do Parque Estadual de Tapauá.
Com eles, estavam 22 alunos do Instituto Militar de Engenharia (IME) em viagem de instrução pela Amazônia. Faz parte da formação dos futuros geógrafos e cartógrafos militares.
Atentamente, observavam a instalação do sofisticado aparelho de GPS que indicou o local exato para a instalação do marco do parque e depois ainda foram arguidos pelo comandante do serviço, o general Pedro Ronalt Vieira.
Enquanto eu trabalhava intensamente nas três línguas em que tenho mandado material de volta a Londres, o nosso guia, o geógrafo Luiz Cleyton Holanda, observou uma cena curiosa:
Um dos estudantes, fardado, comentou em voz alta com seus colegas que não entendia por que tanto barulho pela preservação da Amazônia.
"Isso aqui é feio para caramba", disparou.
Cleyton, um apaixonado pela Amazõnia, se controlou para não partir para o ataque.
No fim das contas, quem sofreu fui eu. O aluno do IME também era carioca....