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Chegou o Natal

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Maria Luisa Cavalcanti | 15:11, sexta-feira, 6 novembro 2009

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Passei três semanas de férias no Brasil, mas parece que fiquei anos fora de Londres. Encontrei a cidade gelada, com temperaturas abaixo dos 10ºC, escura pela proximidade do solstício de inverno, e já começando a ser tomada pelo Natal.

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De início, pensei que algumas lojas estavam apenas tentando começar suas vendas mais cedo, diante da crise que persiste. Mas uma rápida olhada no noticiário me fez ver que o período das festas já foi, sim, oficialmente inaugurado na cidade. Na terça-feira, por exemplo, foi instalada a decoração natalina da Oxford Street, a principal rua comercial de Londres.

Reparei então que alguns restaurantes também já colocaram na porta cartazes se oferecendo para sediar as comemorações de fim de ano dos escritórios. Na Time Out, a Bíblia cultural da cidade, já estão listados os programas natalinos mais bacanas para se fazer, entre eles o balé Quebra-Nozes, o musical Snowman, as frost-fairs (tradicionais mercados natalinos) e os inúmeros ringues de patinação no gelo. Nas redes Prêt-a-Manger e Starbucks, o menu ganhou um tom "invernoso", com a entrada dos cafés com biscoito de gengibre e as típicas mince pies, aquelas tortinhas recheadas de frutas cristalizadas. Até os copos eles mudaram - os desta estação são decorados com floquinhos de neve.

Achei que tudo não passasse da mania britânica de planejar tudo com muita antecedência. Até ver que meus colegas aqui da BBC Brasil já estão em grandes preparativos para uma confraternização.

Fui vencida. Pelos próximos dois meses, respiremos Natal...

Um bom negócio é a melhor forma de arte

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Daniel Gallas | 13:20, segunda-feira, 26 outubro 2009

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Andy Warhol dizia que ganhar dinheiro é arte, e que um bom negócio é a melhor forma de arte.

Esse polêmico ponto de vista é o que está em cartaz aqui em Londres, na galeria Tate Modern. No começo do mês, fui conferir a exposição Pop Life: Art in a Material World.

A exposição é uma retrospectiva de obras que desde o século passado provocam as reações mais extremas - admiração de outros artistas, mal-estar entre alguns críticos e, principalmente, rombos milionários nos bolsos de colecionadores de arte.

A exposição gerou polêmica até mesmo antes de abrir ao público, com direito a visita da Scotland Yard e tudo.

Em cartaz, vi algumas coisas que eu nunca esperaria ver em um museu ou galeria de arte. Alguns exemplos:

  • uma sala inteira é dedicada às obras que o americano Jeff Koons criou logo após seu casamento com Ilona Staller, a famosa ex-atriz pornô italiana Cicciolina. São esculturas e pinturas de sexo explícito entre os dois. Koons sabia da curiosidade que o casamento entre um artista renomado e uma controversa estrela pornô, ocorrido em 1991, despertou na mídia, e tratou de se aproveitar disso para ganhar dinheiro.
  • a americana Andrea Fraser ultrapassou qualquer limite de prostituição da arte ou do artista. Em 2003, ela ofereceu-se para gravar um vídeo de uma hora de duração para o colecionador que oferecesse o melhor preço. Detalhe: o vídeo é da artista transando com o colecionador, que pagou US$ 20 mil pela obra, agora exposta no Tate.
  • se um bom negócio é a melhor arte, o britânico Damien Hirst é provavelmente o maior artista vivo. Em setembro de 2008, mês do estopim da crise financeira mundial, um leilão de obras de Hirst arrecadou 95 milhões de libras (mais de R$ 260 milhões). Na exposição no Tate Modern, Hirst recriou algumas obras suas - como a famosa False Idol (foto) - mas com novos detalhes em puro ouro. Hirst confessa na exposição que o único objetivo do ouro é encarecer suas obras ainda mais junto aos colecionadores.
  • false_idol466.jpg

  • um vídeo com a participação de Andy Warhol no breguíssimo seriado Barco do Amor, em 1985. No episódio, Warhol interpreta a si mesmo. Ele é convidado por um cruzeiro a escolher um dos tripulantes e imortalizá-lo como obra de arte, em um retrato. A participação de Andy Warhol tem dois objetivos: promover o artista (e encarecer sua obra) e brincar com a sua crescente reputação de exibicionista, que faz tudo pela fama.

Será que um bom negócio é mesmo arte? Eu mesmo ainda não tenho certeza, mas não tenho dúvidas de que arte ou negócio formaram uma exposição espetacular e imperdível.

Tricô, restaurante e gorros personalizados

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Iracema Sodre | 17:07, quinta-feira, 15 outubro 2009

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Ver um grupo de mulheres jovens tricotando (literalmente) em algum café ou livraria não é uma visão comum no Rio de Janeiro.

Por isso, fiquei espantada, aqui em Londres, todas as vezes em que me deparei com garotas "cool", moderninhas, sacando da bolsa agulhas e novelos enquanto conversam com as amigas.

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Tudo bem que o clima carioca não ajuda. Calor e roupas de lã não combinam muito. Mas eu sempre associei tricô a senhoras fofas, como a minha avó, tricoteira de mão de cheia.

O fato é que aqui, tricô é moda. Há grupos organizados que aceitam integrantes a partir dos 16 anos e se encontram semanalmente no centro de Londres para tricotar e fofocar. E elas ensinam de graça a quem quiser aprender.

Outra prova do sucesso do tricô feito a mão na Grã-Bretanha é o Grannies Inc., uma loja online idealizada por Katie Mowat, de 27 anos, que vende gorros personalizados, feitos de acordo com o desenho do cliente.

Em entrevista ao jornal britânico Telegraph, Mowat disse que aprendeu a fazer tricô durante o ano que passou estudando na Califórnia. Parece que a coisa é moda nos Estados Unidos também.

"Eu dividia um apartamento com quatro meninas e todas elas tricotavam no tempo livre. Havia gente tricotando nos ônibus, nas salas de aula. Julia Roberts estava tricotando, até o Russell Crowe", disse ela.

O último adepto é o chef de cozinha e celebridade internacional Jamie Oliver. Bem, não literalmente.

O restaurante que ele criou em Londres para treinar jovens cozinheiros, o Fifteen, acaba de colocar à venda, em edição limitada, um kit de tricô (foto).

A ideia foi uma forma de aproveitar a lã dos carneiros que são servidos, depois de maravilhosamente preparados, no restaurante. E bem a tempo para o natal.

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