<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<rss version="2.0">
   <channel>
      <title>Blog do Editor</title>
      <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/</link>
      <description>O comando da BBC Brasil discute grandes temas internacionais, mídia e o jornalismo da BBC.</description>
      <language>pr-br</language>
      <copyright>Copyright 2009</copyright>
      <lastBuildDate>Mon, 09 Nov 2009 14:40:28 +0000</lastBuildDate>
      <generator>http://www.sixapart.com/movabletype/?v=4.1</generator>
      <docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs> 

      
      <item>
         <title>Uniban, Talebã e o Brasil</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="afghanwomen.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/afghanwomen.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>O caso envolvendo a estudante Geisy Arruda tem provocado um grande debate no Brasil. Questões morais, direitos das mulheres, ética educacional etc, vários são os elementos trazidos à tona pelo incidente. Todos os que têm discutido o assunto parecem entender que, em torno do episódio, há muito mais em jogo do que apenas o futuro de uma estudante e a imagem pública de uma universidade particular.</p>

<p>A instituição em questão, <a href="http://www.uniban.br/">Universidade Bandeirante, ou simplesmente Uniban</a>, decidiu <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u649373.shtml">expulsar Geisy de seu corpo discente</a>. Segundo comunicado divulgado ao público em anúncio pago, uma "sindicância consoante com o Regimento Interno" da universidade concluiu que a aluna é culpada de "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade". O Ministério da Educação <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/geral,mec-pedira-explicacoes-sobre-expulsao-da-estudante,463160,0.htm">exigiu explicações da instituição</a>, e <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u649404.shtml">a ministra Nilcéia Freira</a>, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, criticou duramente a decisão. As explicações contidas no anúncio da Uniban parecem não ter convencido as autoridades do país.</p>

<p>Em questões de moralidade, não há necessariamente certo ou errado. Sociedades desenvolvem-se de formas muito particulares, de forma que algo aceitável na Suécia pode não ser tolerado no México, muito menos na Arábia Saudita. Algo moralmente condenável no Brasil dos anos 40, como a prática do sexo antes do casamento, é hoje um comportamento não apenas natural, mas esperado. A pornografia é proibida em países muçulmanos, mas na maior parte do mundo ocidental, se produzida com e para adultos (a partir de 18 anos), trata-se de um produto como outro qualquer, de veiculação restrita, mas aceito e livremente consumido. O aborto voluntário, ainda proibido no Brasil fora casos de estupro e risco à vida da mãe, é um direito legal em nações como Grã-Bretanha, França ou Estados Unidos. <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2006/11/061118_nicaragua_abortorg.shtml">Na Nicarágua</a>, uma mulher grávida em decorrência de um estupro pode ir para a cadeia se optar pela interrupção da gestação.</p>

<p>No Afeganistão (foto acima), as mulheres são alvo de tradições e leis que estão entre as mais conservadoras do mundo. Nos tempos do regime do Talebã, nos anos 90, mulheres violentadas poderiam ser apedrejadas até a morte por terem, mesmo que involuntariamente, mantido relações sexuais fora do casamento. Nesse mundo do Talebã, Geisy Arruda não teria direito nem mesmo à educação. No Irã, ela poderia ir livremente à faculdade, desde que de corpo e cabeça cobertos. Já na maior parte do mundo ocidental, um vestido exageradamente curto de uma aluna seria recebido apenas com olhares (interessados ou indignados), comentários (elogiosos ou negativos), reclamações formais aos responsáveis pelo recinto ou puro desinteresse.</p>

<p>Cada sociedade escolhe seu grau de abertura moral e as formas como pretende punir desvios de conduta. O Brasil, por suas características históricas, é um verdadeiro caldeirão cultural, com grande variação de pensamentos, dos mais liberais aos mais conservadores. A legislação e o próprio bom senso, que incorporaram mudanças sociais como o divórcio, sempre tentaram encontrar um denominador comum que reflita o que o país pensa e tolera. O incidente envolvendo Geisy Arruda, a Uniban e estudantes engajados no linchamento moral de uma colega (para a universidade, uma "defesa do ambiente escolar"), pode ser um bom momento para a sociedade brasileira mostrar do que mais se aproxima: dos ideais ocidentais de tolerância ou do radicalismo do Talebã.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/11/uniban_taleba_e_o_brasil.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/11/uniban_taleba_e_o_brasil.shtml</guid>
         <category></category>
         <pubDate>Mon, 09 Nov 2009 14:40:28 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Outubro sangrento</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="peshawar.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/peshawar.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>Outubro de 2009 já é o pior mês para as forças dos Estados Unidos no Afeganistão desde a invasão de 2001. Até agora. Depois de ataques que mataram oito soldados na segunda-feira, o total de americanos mortos no mês chegou a 55. Incluindo as vítimas fatais de outras nacionalidades, as operações estrangeiras sofreram ao todo 66 baixas. No ano, já são 445 os soldados mortos sob o comando da Otan, contra 295 em todo o ano de 2008. O total de civis inocentes mortos em 2009 é ainda maior, estima-se em quase 2 mil, muitos deles vítimas de bombardeios da aliança ocidental. Nesta quarta-feira os constantes ataques de insurgentes foram além dos alvos tradicionais, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091028_afeganistao_atualiza_np.shtml">matando seis funcionários das Nações Unidas na capital, Cabul</a>. Uma guerra que parecia vencida sete anos atrás, colocando um ponto final em décadas de conflito, torna-se cada dia mais longe do fim.</p>

<p>Antes da invasão liderada pelo Estados Unidos, em 2001, dois terços do país viviam um raro período de relativa tranquilidade. Eram os tempos do governo do Talebã, que em 1996 tomou o poder em Cabul e impôs um regime islâmico pra lá de radical. A comunidade internacional não reconheceu o regime, que abrigava o saudita Osama Bin Laden, já na época considerado um superterrorista. Mas dois importantes países da região o fizeram. A Arábia Saudita, preocupada com o extremismo em seu território, optou por ter boas relações com os anfitriões de Bin Laden. Já o Paquistão, do então premiê Nawaz Sharif, tinha afinidades ideológicas com a militância islâmica do Talebã (que inclusive financiava) e sabia que a estabilidade paquistanesa dependia de uma relativa calma do outro lado da fronteira. E vice-versa.</p>

<p>Este outubro sangrento reforça ainda mais esta correlação entre Paquistão e Afeganistão. Também nesta quarta-feira, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091027_peshawar_bomba_dg.shtml">um devastador ataque na cidade paquistanesa de Peshawar </a>matou mais de 90 pessoas. A matança foi apenas mais uma em um mês em que militantes do Talebã não pouparam <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091021_paquistao_escolas_np.shtml">nem a Universidade Islâmica Internacional</a>. Como muitos historiadores e especialistas gostam de lembrar, a fronteira entre os dois países foi definida artificialmente pelo Império Britânico sem levar em consideração a realidade local. Grande parte do oeste paquistanês, como a problemática região do Waziristão, é culturalmente afegã. Trata-se do mesmo povo (pashto), composto dos mesmos grupos tribais, ocupando as mesmas montanhas. O Talebã ignora as divisões criadas pelos invasores britânicos e ameaça, ao mesmo tempo, os governos afegão e paquistanês.</p>

<p>Enquanto os mortos eram contados no mercado de Peshawar, a secretária de Estado <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091028_paquistao_clinton_dg.shtml">Hillary Clinton discursava em Islamabad</a>. Dizia ela que o Paquistão não estava na luta contra o Talebã sozinho, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos esperam ver mais empenho de Islamabad no combate aos militantes. A guerra da Otan no Afeganistão, que tira o sono do presidente Barack Obama, estabeleceu-se no Paquistão, onde o Talebã também ganha terreno. A estabilidade paquistanesa depende de uma relativa calma no país vizinho, e vice-versa. Atualmente, no entanto, o caos se espalha pelos dois lados.</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/outubro_sangrento.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/outubro_sangrento.shtml</guid>
         <category></category>
         <pubDate>Wed, 28 Oct 2009 12:40:29 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>O longo sofrimento britânico</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="recessao.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/recessao.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>A luz no fim do túnel era uma miragem. Especialistas do mercado londrino, a famosa City, foram surpreendidos nesta sexta-feira quando números oficiais mostraram que a Grã-Bretanha continua em recessão. Na sexta queda trimestral seguida de seu PIB, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091023_economia_britanica_dg.shtml">o país registrou um recuo de 0,4%</a> em relação ao trimestre anterior. Desde o começo da recessão, o país já recuou 5,9%. A notícia foi um choque para economistas e o governo, que apostavam no início de uma recuperação. O produto nacional britânico não sofria por tanto tempo desde a Segunda Guerra Mundial, o que faz com que a grande maioria da população nunca tenha visto uma recessão como a atual. Enquanto isso, a libra, de que os britânicos sempre se orgulharam e cujo valor assustava aqueles que faziam contas em uma viagem de turismo à Inglaterra ou à Escócia, perdeu 30% do seu valor em relação ao dólar desde 2007. Anos atrás a moeda britânica chegou a comprar cinco reais. Há dois meses vale menos que R$ 3.</p>

<p>No auge da crise financeira do ano passado, o FMI e muitos outros especialistas já alertavam que, entre os países desenvolvidos, Estados Unidos e Grã-Bretanha seriam os que sofreriam mais. Não coincidentemente, eram as nações que mais haviam se beneficiado da ciranda financeira, 15 anos consecutivos de crescimento econômico no caso britânico. Os jovens do país nunca haviam visto uma recessão na vida, não sabiam do que se tratava, mas <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/business/8258405.stm">hoje 20% deles estão desempregados</a>.</p>

<p>Em uma reportagem de capa, publicada há pouco mais de dois meses, a revista americana <em>Newsweek</em> descreveu o que chamou de <a href="http://www.newsweek.com/id/209953">"últimos suspiros do Império Britânico"</a>. Segundo a revista, a crise econômica estaria acabando com os resquícios da Grã-Bretanha como grande potência, estando o país agora em um irreversível declínio no cenário global. Uma economia mais fraca e um Estado menos capaz (diplomaticamente e militarmente) de projetar seu poder ao redor do globo estaria fazendo da coroa britânica uma força de menor importância. Em casa, governo e cidadãos têm enfrentado problemas que remontam aos difíceis anos 60 e 70, como futuros cortes em investimentos públicos ou a atual greve do correio. Símbolos de tradição e eficiência, as caixas vermelhas onde os moradores de Londres costumam colocar suas cartas estão lotadas devido a uma disputa trabalhista que ameaça o futuro do Royal Mail. Mas isso é pouco perto de outros perigos: há quem aposte que o Reino Unido que conhecemos deixará de existir no médio prazo, com o <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2009/oct/16/scottish-national-party-salmond-referendum">debate sobre uma possível independência da Escócia</a> ganhando força.</p>

<p>Logicamente, a economia britânica continua sendo a sexta do mundo, com destaque para os setores de tecnologia e serviços. Seu mercado financeiro, onde nasceu o capitalismo, é moderno e flexível o suficiente para tentar recuperar a liderança mundial que um dia já teve. Politicamente, Londres tem assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, é o principal aliado dos Estados Unidos na Europa e possui um arsenal nuclear significativo. Além disso, o Tâmisa continua lindo, com bares, restaurantes e teatros cheios nos pontos mais turísticos da capital. Estamos falando de uma potência que já dominou o mundo. Mas o sofrimento britânico na atual crise tem sido longo, e o ponto de saída ainda é incerto, com 2010 ameaçando ser até pior que 2009. Ainda é cedo para sabermos as consequências deste momento difícil no reino de Elizabeth 2ª.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/o_longo_sofrimento_britanico.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/o_longo_sofrimento_britanico.shtml</guid>
         <category></category>
         <pubDate>Fri, 23 Oct 2009 16:00:23 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>BBC, racismo e imparcialidade</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="bnp.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/bnp.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>O programa de TV <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/programmes/question_time/default.stm"><em>Question Time</em>, </a>da BBC, é um dos principais espaços de debate político na mídia britânica. No programa, políticos de várias facções, incluindo um membro do governo, dividem uma mesa com especialistas, diante de uma platéia formada por pessoas de diferentes perfis sociais. Ao longo do programa, um membro da platéia lança um tema a ser discutido pela mesa, sob a mediação do experiente jornalista David Dimbleby, que durante o debate oferece a palavra a outros cidadãos para que questionem os políticos presentes. Trata-se de uma rara oportunidade, pouco vista mesmo em outras desenvolvidas democracias ao redor do mundo, de ver o público cobrando, diante das câmeras, aqueles que determinam o presente e o futuro da nação.</p>

<p>Tamanha é a importância do programa que <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk_politics/8319596.stm">a decisão da BBC de convidar o BNP </a>(British National Party, ou Partido Nacional Britânico) para participar do painel pela primeira vez causou uma celeuma no país. Tudo porque o BNP não é um partido qualquer: é o representante britânico da onda de extrema direita que já assustou outros países europeus, como Áustria, França ou Holanda. O BNP defende a Grã-Bretanha para o que considera britânicos originais, ou seja, a população de origem anglo-saxã, branca. Condena a entrada de imigrantes e ataca a União Europeia, dizendo que o engajamento do país com o resto da Europa ameaça a soberania nacional. É um partido racista e fascista, dizem seus críticos, tanto do governo como da oposição. Mas a verdade é que o BNP elegeu dois membros do Parlamento Europeu no início deste ano, e a BBC, com base nessa representatividade e no princípio de imparcialidade partidária que rege suas operações, convidou o líder do partido e parlamentar europeu, Nick Griffin, para participar do <em>Question Time</em> nesta quinta-feira.</p>

<p>A pressão sobre a BBC, contra tal decisão, tem sido enorme. O ministro Peter Hain fez o que pôde para que a BBC voltasse atrás, argumentando que o BNP é um partido ilegal por só aceitar brancos como membros. A Justiça já exigiu que o partido mude suas regras internas, e o BNP prometeu acatar, mas tal mudança ainda não ocorreu. O ex-prefeito de Londres Ken Livingston disse que a BBC será moralmente responsável por qualquer aumento em ataques de cunho racista no país em consequência da exposição das ideias do BNP abertamente na TV. Em resposta, <a href="http://www.guardian.co.uk/politics/2009/oct/21/bbc-bnp-mark-thompson">em um artido publicado no jornal <em>The Guardian</em></a>, o diretor-geral da BBC, Mark Thompson, defendeu a decisão da corporação em nome do seu princípio de imparcialidade. Disse ainda que, se o governo quiser proibir a participação do BNP em programas de TV por considerá-lo fascista, deve enviar ao Parlamento uma proposta nesse sentido. Aplicar censura, afirmou Thompson, não é responsabilidade da BBC. O ministro da Cultura, Ben Bradshaw, mostrou como o tema dividiu o governo, ao apoiar o convite ao BNP.</p>

<p>Horas antes da gravação e transmissão do <em>Question Time</em>, manifestantes já se reuniam em frente aos estúdios da BBC (foto acima), aqui em Londres, para prostestar contra a presença de Nick Griffin no programa. Griffin, aparentemente, não vê a hora de aparecer debatendo ao lado de outras figuras políticas, <a href="http://www.timesonline.co.uk/tol/news/politics/article6884780.ece">dizendo no <em>The Times</em> </a>que o convite da BBC aumentou o prestígio do partido. Independentemente do que for dito no programa, ele provavelmente terá grande impacto em futuras discussões políticas e nas relações sociais dentro do país. Especialmente em tempos de crise econômica, desemprego crescente e dúvidas sobre o futuro político e econômico da Grã-Bretanha, o embate entre liberdade de expressão e ideias intolerantes parece estar apenas no começo.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/bbc_racismo_e_imparcialidade.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/bbc_racismo_e_imparcialidade.shtml</guid>
         <category>editores</category>
         <pubDate>Thu, 22 Oct 2009 13:09:37 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Bancos e Estado no mundo pós-crise</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="champanhe.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/champanhe.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>O mercado financeiro no mundo desenvolvido voltou a estourar champanhe. O índice Dow Jones da Bolsa de Nova York <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091014_dowjones_np.shtml">já opera acima dos 10 mil pontos</a>, o mercado de ações londrino segue em constante alta, e agora os bancos, que um ano atrás tanto sofriam, voltam a acumular lucros bilionários. Na quinta-feira, o Goldman Sachs anunciou <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091015_bancos_5a_dg.shtml">um lucro de US$ 3,19 bilhões</a> de julho a setembro, depois de <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/07/090714_goldmansachsbg.shtml">desempenho semelhante no trimestre anterior</a>. Para celebrar, a instituição já prepara o que poderá ser o seu melhor ano em termos de bônus milionários a seus executivos.</p>

<p>Há um ano, governos ao redor do mundo tiveram de meter as mãos nos bolsos para salvar instituições financeiras que, com seus complicados e arriscados modelos de fabricação de riqueza virtual, haviam provocado um colapso do sistema financeiro internacional. O crédito secou, e o Estado entrou em campo para evitar uma depressão igual à dos anos 30. Aqui na Grã-Bretanha muitos criticaram, e continuam criticando, o fato de o governo ter socorrido banqueiros, que seriam os responsáveis pela recessão que se seguiu à crise de crédito. Por isso, líderes como Barack Obama e Gordon Brown vêm condenando, pelo menos verbalmente, <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/business/8310322.stm">a tradicional política de bônus milionários </a>que premiam o risco e a riqueza imediata, em mais um assalto no embate entre Estado e setor privado.</p>

<p>O fato de o poder público ter aparecido no mundo desenvolvido como o salvador de muitas pátrias decretou uma vitória moral do Estado sobre o mercado, afetando inclusive o debate político. Aqui na Grã-Bretanha, a oposição conservadora evitava recorrer aos antigos argumentos de Margaret Thatcher de que o governo era o culpado de tudo, afinal, dessa vez claramente os vilões haviam sido os executivos de Wall Street e da City londrina, beneficiados por uma frágil regulamentação. Mas, exatamente quando a vida começa a voltar ao normal no mundo dos banqueiros, com lucros, bônus e ações em alta, os argumentos políticos também retornam ao tradicional status quo. Na semana passada, o líder dos conservadores, David Cameron, possivelmentre o próximo primeiro-ministro britânico, <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk_politics/8296010.stm">culpou o tamanho do Estado pela atual crise econômica</a>. Em seu discurso, ao final da última convenção do seu partido antes das eleições de 2010, Cameron prometeu reduzir o tamanho do governo em favor de uma "sociedade mais forte".</p>

<p>É possível que, sob a pressão de países como França e Alemanha e considerando os danos que mercados super desregulados causaram às economias dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, o mercado financeiro nunca mais volte à ciranda que tomou conta dos primeiros anos deste milênio. Mas o fortalecimento do Estado, que tem sido uma constante desde o agravamento da crise no ano passado, não significa que o mercado se contentará com a posição de coadjuvante. O histórico embate entre os poderes público e privado continua, tanto na economia como na política. O crash de 2008 deixou o Estado na dianteira, mas ainda há muita corrida pela frente.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/bancos_e_estado_no_mundo_poscr.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/bancos_e_estado_no_mundo_poscr.shtml</guid>
         <category>editores</category>
         <pubDate>Fri, 16 Oct 2009 10:28:01 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Prêmio Nobel: à vista ou no cartão?</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="obama.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/obama.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>A sensação de muitos diante do prêmio Nobel da Paz concedido a Barack Obama é de que tal honra veio cedo demais. O presidente americano, diretamente envolvido em duas guerras, no Afeganistão e no Iraque, podendo em breve se afundar ainda mais na primeira, teria prometido muito e realizado pouco para merecer tal reconhecimento. Em oito meses de Casa Branca, Obama teria acumulado crédito junto ao resto do mundo, mas não realizações. Ele teria ganhado o Nobel pelo que pode vir a fazer, não pelo que já conseguiu. O presidente americano não teria pago seu prêmio à vista, apenas colocado no cartão de crédito. O Nobel aumentaria sua dívida com a já ansiosa comunidade internacional.</p>

<p>O chefe do comitê do Prêmio Nobel, Thorbjoern Jagland, afirmou: "Nós quisemos apoiar o que ele (Obama) está tentando realizar. É um sinal claro de que nós queremos defender o mesmo que ele tem feito." Obama, por sua vez, se disse "surpreso" com a escolha e afirmou não acreditar que merecesse tal honra. Para ele, o prêmio deve ser visto como "um chamado para a ação". Mas Jagland negou que o prêmio tenha sido dado em antecipação ao que o presidente americano poderá fazer ao longo de seu (s) mandato (s). Segundo ele, foi um prêmio ao passado, não ao futuro, a escolha foi baseada no que Obama já fez. Mas, afinal, o que Obama já fez pela paz mundial?</p>

<p>De concreto, Barack Obama prometeu o fechamento da prisão de Guantánamo no início de 2010. Também cancelou o plano de seu antecessor (George W. Bush, para quem não se lembra) de instalar bases anti-mísseis na Polônia e na República Tcheca, o que vinha sendo exigido pela Rússia, com quem assinou novos acordos de cooperação e desarmamento. Estendeu a mão para o regime iraniano na polêmica sobre seu projeto nuclear, com pouco progresso até agora. Pressionou o governo de Israel para paralisar a construção de assentamentos em território palestino, com nenhum progresso. Todas as iniciativas acima podem ser vistas como nada mais do que revogações de políticas de Bush. Mas Obama também ousou, ao defender o fim das armas nucleares no mundo, colocando pressão sobre as outras potências nucleares para que, coletivamente, reduzam seus arsenais. Tal esforço talvez tenha sido a chave para justificar o Nobel da Paz a Obama, mas as possibilidades de resultados concretos e significativos em poucos anos são pequenas.</p>

<p>Outros três presidentes americanos receberam o Nobel da Paz. Em 2001, Jimmy Carter, como ex-presidente, foi reconhecido por suas ações de negociação e mediação política ao redor do mundo. Em 1919, Woodrow Wilson recebeu o prêmio por ter liderado a criação da Liga das Nações, projeto fracassado de união global que não evitou a Segunda Guerra Mundial, mas inspirou o nascimento da ONU. Theodore Roosevelt, em 1906, teve seu trabalho de mediador na guerra entre Rússia e Japão recompensado (o fato de os acordos terem formalizado a sangrenta ocupação da Coréia pelos japoneses foi desconsiderado pelo Nobel). Foram três ganhadores com currículos significativos, que pagaram pelo Nobel à vista, sem dívidas. Já Obama ainda está na fase de projetos, reuniões, esforços, promessas ou intenções, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091009_obamareynolds_ir.shtml">como escreveu o analista da BBC Paul Reynolds</a>.</p>

<p>Pagar a conta do Nobel da Paz não será simples. Na quinta-feira, um dia antes do anúncio do Nobel da Paz, o ministro do Exterior de Israel, Avigdor Lieberman, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091008_lieberman_israel_cq.shtml">disse que um acordo entre israelenses e palestinos num futuro próximo é uma "ilusão"</a>. Uma lembrança de que os esforços do presidente Barack Obama ainda levarão tempo para dar frutos. Receber o Nobel não torna, necessariamente, sua missão mais fácil, mas aumenta a expectativa de que ela seja cumprida.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/premio_nobel_a_vista_ou_no_car.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/premio_nobel_a_vista_ou_no_car.shtml</guid>
         <category></category>
         <pubDate>Fri, 09 Oct 2009 14:58:38 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>A um ano da eleição</title>
         <description><![CDATA[<p>Daqui a exatos 12 meses, os brasileiros estarão escolhendo novos governadores, deputados, senadores e, especialmente, um novo presidente da República. Além de receber outras 31 nações para a Copa de 2014 e, caso seja reeleito, abrir a primeira Olimpíada da América do Sul, o novo líder brasileiro será o primeiro após 16 anos das eras FHC e Lula, um período de estabilidade política e econômica sem precedentes na história brasileira.</p>

<p>O pleito, provavelmente o mais disputado desde o embate de 1989 entre Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva, será realizado em um momento de otimismo. O Brasil sai da maior crise econômica global dos últimos 80 anos com apenas alguns arranhões (uma pequena interrupção no crescimento econômico e na geração de empregos, já superada). A oposição tucana aparece na frente nas mais recentes pesquisas de opinião, mas o capital político do governo é suficientemente forte para alavancar a candidata do Palácio do Planalto. Discussões, ideológicas ou práticas, sobre como usar o crescimento econômico para melhorar a vida do cidadão comum podem fazer de 2010 um momento de grande maturidade da jovem democracia brasileira. Detalhes poderão decidir a votação.</p>

<p><a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091006_entrevista_mendonca_af_np.shtml">Em entrevista à BBC Brasil, Luiz Carlos Mendonça de Barros</a>, ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, admitiu que a missão da oposição não será fácil. "É muito difícil, porque, no fundo, a sociedade acaba associando o bem-estar presente ao governo de plantão", afirmou, apesar de ressaltar que o bom momento brasileiro é, na sua opinião, consequência dos dois últimos governos. "Essa combinação de oito anos de Fernando Henrique com oito anos de Lula foi uma combinação muito favorável para nós, porque incorporou do governo Fernando Henrique uma visão muito mais de institucionalização, de uma economia mais moderna, regras mais claras. (...) E um pragmatismo no governo de Lula, de entender que num país com a distribuição de renda como a brasileira você tem de usar uma política social de fora da economia, isto é, definida pelo próprio governo."</p>

<p>O governo Lula, naturalmente, acredita ser o autor das diretrizes mais importantes que colocaram o Brasil num caminho de mais desenvolvimento e menos pobreza. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090910_mantega_eleicao_ss.shtml">disse recentemente à BBC Brasil </a>que mesmo se o governo trocar de mãos daqui a um ano suas prioridades para o país não poderão mudar. "Mesmo com as eleições, o curso das políticas já está dado. Acho temerário que algum novo governante venha a mudar uma série de diretrizes que estão dando certo. Eu duvido que desative o Bolsa Família, os programas sociais. A população não vai deixar", afirmou.</p>

<p>Em meio ao debate sobre o caminho do Brasil a partir de 2011, aparecem os mais recentes dados do Pnud, programa das Nações Unidas. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) brasileiro melhorou, mas o país continua numa posição decepcionante, para dizer o mínimo. Em 75º lugar, o Brasil está 17 posições abaixo da Venezuela de Hugo Chávez e 20 atrás da Líbia de Muamar Khadafi. Logicamente, isso não quer dizer que o México (53º), onde o narcotráfico ameaça a soberania do governo central em várias localidades, tenha menos problemas que o Brasil; que Chipre (32º) esteja em um melhor momento econômico; ou que o pequeno, árido e monárquico Kuwait (31º) seja um lugar melhor para se viver. Mas o IDH, que mede qualidade de vida e não a projeção política ou econômica de uma nação, é um ótimo indicativo do tamanho do desafio de quem o Brasil eleger daqui a um ano.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/a_um_ano_da_eleicao.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/a_um_ano_da_eleicao.shtml</guid>
         <category>editores</category>
         <pubDate>Thu, 08 Oct 2009 12:00:15 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Um troféu para um novo Brasil</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="rio.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/rio.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>Na disputa entre Brasil e Estados Unidos, venceu o futuro. E o presente. O Comitê Olímpico Internacional olhou para frente e para tudo o que o Brasil já conquistou em seu mais recente período de estabilidade política e econômica. A escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016 foi um reconhecimento do potencial de transformação que os Jogos podem ter sobre a ex-capital brasileira. Mas também uma recompensa pela clara mudança nos últimos anos na percepção que o mundo todo tem do Brasil e da América do Sul.</p>

<p>Em 1980, a Olimpíada em Moscou marcou a consolidação de avanços que a União Soviética havia obtido como superpotência global, liderando o então bloco comunista. Oito anos depois, os Jogos de Seul coroavam o avanço econômico da Coréia do Sul, que de país devastado pela guerra nos anos 50 atingira o status de tigre asiático em apenas três décadas. Os Jogos de 1992 em Barcelona foram símbolo de uma nova Espanha, democrática após os anos Franco e recém-integrada à desenvolvida Comunidade Européia. Em 2004, a Grécia teve a chance de provar que havia dado o seu prometido salto de desenvolvimento, e os Jogos de 2008 oficializaram o papel da China como a maior potência emergente do século 21. Como aconteceu em muitos Jogos nas últimas décadas, a realização da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro é o símbolo de um novo Brasil.</p>

<p>A imagem brasileira no exterior, especialmente aqui na Europa, é hoje associada à ideia de uma surpreendente nova potência, em constante ascensão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamado por Barack Obama de "líder mais popular do mundo", espalha carisma a cada viagem sua ao exterior, diante de platéias que admiram conquistas econômicas e sociais, mas pouco sabem de escândalos da política partidária brasileira. A conquista olímpica carioca reforça a imagem de Lula como líder transformador, o comandante de uma nação que parece, finalmente, ver sonhos antigos se tornarem realidade. É verdade que a corrupção na política ou a violência urbana continuam, e a distribuição de renda segue vergonhosa para uma das dez maiores economias do mundo. Mas o sentimento geral é de que o mundo testemunha o aparecimento de um novo Brasil.</p>

<p>A realização da Copa do Mundo dois anos antes da Olimpíada, a participação ativa do Brasil no G20, a importância do país nas negociações sobre aquecimento global e o crescimento da influência política do Brasil em várias partes do mundo apontam para isso. Um novo Brasil, vitorioso na Olimpíada, no futebol, na economia global e nas relações internacionais. O mundo reconheceu os avanços recentes do país, entregou-lhe um troféu pelo que já mostrou ser capaz de fazer e agora imagina o que poderá vir até 2016. Resta ao país, nestes próximos sete anos, provar que os avanços obtidos até agora não foram mero acidente.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/fim_olimpico_para_a_era_lula.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/fim_olimpico_para_a_era_lula.shtml</guid>
         <category>editores</category>
         <pubDate>Fri, 02 Oct 2009 17:13:58 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Brasil x EUA</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="rio2016.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/rio2016.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>Crise política em Honduras, bases americanas na Colômbia, disputa pela Olimpíada de 2016. Vários fatos dos últimos meses apontam para uma disputa de espaço entre o Brasil de Lula, cada vez mais confiante em seu papel de potência emergente, e os Estados Unidos de Obama.</p>

<p>Nesta sexta-feira, o Comitê Olímpico Internacional poderá fazer história ao anunciar a primeira Olímpíada na América do Sul. Ou poderá ceder à provável influência de última hora que a presença do presidente americana em Copenhague poderá ter sobre a aguardada decisão. Madri e Tóquio correm por fora, mas os olhos do mundo concentram-se no continente americano.</p>

<p>A Chicago de Barack Obama é a aposta segura, numa superpotência que já realizou Olimpíadas e pisou na Lua. O Rio de Janeiro de Luiz Inácio Lula da Silva é, para muitos, uma escolha mais arriscada, uma aposta no futuro e numa nação de relevância crescente e talvez incomparável vontade de ter seu nome escrito na história no esporte mundial. Esperemos para ver quem vence mais esse embate entre os dois gigantes das Américas e o que a decisão do Comitê Olímpico dirá sobre a disputa por poder e influência no mundo de hoje.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/brasil_x_eua.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/10/brasil_x_eua.shtml</guid>
         <category></category>
         <pubDate>Thu, 01 Oct 2009 16:58:36 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Depois do G8, a ONU</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="lula.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/lula.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>Os emergentes aproximam-se cada vez mais da superfície. Num processo bastante acelerado pela crise financeira global do ano passado, o grupo das 20 maiores economias do mundo foi formalmente reconhecido como o melhor fórum para decidir sobre os rumos da economia global. O G20, a partir da reunião de Pittsburgh, na semana passada, substitui assim o G8 em temas econômicos. Do Brasil à Indonésia, passando por África do Sul, Arábia Saudita e, logicamente, China, um mundo todo antes submerso passa agora a ter plena voz nos rumos econômicos do planeta. Mas os emergentes querem mais.</p>

<p>Apesar de quase despercebida no Primeiro Mundo, foi significativa a realização da segunda cúpula América do Sul-África logo depois do encontro de Pittsburgh. Em sua declaração final, os líderes reunidos na Venezuela pediram uma reforma do Conselho de Segurança da ONU para que este seja <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090927_venezuelaasafinal_cj_ac.shtml">"mais democrático, transparente, representativo"</a>. A mudança no comando da economia não é suficiente para um mundo que anseia por maior participação nos destinos da humanidade. Os emergentes querem que a mesma velocidade com que têm sido impulsionados para cima nas áreas de comércio e finanças se repita no mundo da política internacional.</p>

<p>Qualquer reforma no Conselho de Segurança, organismo formado por 15 países e criado em 1945, depende do apoio de seus cinco membros permanentes, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia. Todos têm poder de veto e podem, com um gesto de cabeça, frustrar qualquer movimento por mudança. Seu apoio não foi garantido nas tentativas anteriores de ampliação do grupo de membros permanentes, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/07/050712_angelag4cg.shtml">a mais recente em 2005</a>, o que era natural. Pelo menos em tese, nenhuma dessas potências deveria ter interesse em concordar com a perda de um estratégico privilégio mantido por mais de seis décadas. Sob esse raciocínio, o Conselho de Segurança continuaria do jeito como sempre foi pelo tempo que seus membros permanentes quisessem. Mas os emergentes, satisfeitos por terem se aproximado da superfície, onde há mais luz, faz menos frio, e sua voz é ouvida mais facilmente, apostam em um momento histórico favorável.</p>

<p>Até o final do século passado os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança formavam também o mais do que fechado clube nuclear. Boa parte de sua credibilidade para determinar os caminhos do planeta nas áreas de política e segurança vinha do fato de que eram os únicos países detentores de armas nucleares. Mas com o tempo isso mudou: Israel silenciosamente produziu sua bomba, apesar de nunca ter admitido; Índia e Paquistão anunciaram e provaram ter suas ogivas; Coréia do Norte seguiu o mesmo caminho; e o Irã se aproxima de obter a capacidade de produzir bombas atômicas, se assim o desejar. Os cinco manda-chuvas da ONU não conseguiram impedir a proliferação nuclear.</p>

<p>Diante desse cenário, o presidente Barack Obama encampou a tese de um mundo sem armas atômicas e aumentou a pressão sobre o Irã. Para essa tarefa ele sabe que os Estados Unidos e seus quatro companheiros permanentes de Conselho precisam de uma ajuda mais ampla. Por isso, na Assembléia-Geral da ONU formalizou o início de uma nova era de cooperação entre seu país e o resto do mundo, o que inclui os emergentes. Nesse novo cenário, a tese de um Conselho de Segurança mais democrático e representativo, provavelmente com membros permanentes da América do Sul, da África e do sul da Ásia, ganha mais espaço. Com o crescimento da influência econômica e política de nações como Índia e Brasil, o que poucos anos atrás parecia para muitos um delírio da diplomacia brasileira passa a ser uma realidade bastante possível. Ou até mesmo inevitável.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/depois_do_g8_o_conselho_de_seg.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/depois_do_g8_o_conselho_de_seg.shtml</guid>
         <category></category>
         <pubDate>Mon, 28 Sep 2009 16:17:19 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Perigo para o Brasil em Honduras</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="zelaya.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/zelaya.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>Se Manuel Zelaya combinou ou não com o governo brasileiro sua ida à embaixada do Brasil em Tegucigalpa é algo ainda a ser esclarecido. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva jura que seu governo de nada sabia e <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090924_lula_brasil_honduras_bg_np.shtml">ofereceu sua palavra contra a dos "golpistas". </a>Mas isso é pouco relevante diante do pepino em que se encontra a diplomacia brasileira, agora atolada até o pescoço na crise política de Honduras.</p>

<p>Todos sabem que grande poder traz grande responsabilidade. Por isso parecia uma questão de tempo, considerando o aumento da influência do Brasil na política da América Latina, que o país se visse diretamente ligado a uma crise de grandes proporções, dada o ainda alto nível de instabilidade em partes da região. Entretanto, na crise de Honduras a responsabilidade parece ter se tornado maior que o poder acumulado pelo Brasil. O país ainda não tem os recursos políticos, diplomáticos e militares que tinham, por exemplo, os Estados Unidos ao longo do século 20, tempo em que mandavam e desmandavam em quase todos os vizinhos das Américas. Por mais que a retórica de Lula pareça apoiada na razão e seja apreciada tanto por Barack Obama como por Hugo Chávez, as opções brasileiras nesta crise são limitadas.</p>

<p>Num passado não muito distante, mais precisamente em 1991, outro líder latino-americano passou por aperto semelhante ao de Zelaya. Jean-Bertrand Aristide mal completava um ano na Presidência do Haiti, que acabara de sair de uma longa e sangrenta ditadura familiar, quando bateu de frente com o Congresso do país, da mesma forma como aconteceria com o presidente de Honduras. Aristide perdeu o apoio político no Parlamento e acabou expulso do cargo e da meia-ilha que comandava. O país ficou nas mãos dos militares, que com o tempo passaram a sofrer pressão internacional para aceitar o retorno de Aristide ao poder. Tratava-se dos Estados Unidos de Bill Clinton e não do Brasil de Lula, então os generais acabaram não resistindo. Em 1994, tropas americanas tomaram o Haiti para garantir o retorno do presidente deposto. Aristide governou então até 1996, voltou ao cargo em 2000, apenas para ser expulso mais uma vez. Mas essa é uma outra história, que o Brasil inclusive conhece muito bem.</p>

<p>O fato é que o Brasil de Lula não é a maior potência das Américas, não tem assento permanente no Conselho de Segurança da ONU nem tem condições ou histórico de invadir vizinhos para garantir um arranjo político, como era o caso dos Estados Unidos na crise haitiana dos anos 90. Sozinho, o Palácio do Planalto não pode fazer por Zelaya o que a Casa Branca fez Jean-Bertrand Aristide. O presidente deposto de Honduras não pode assumir residência fixa na embaixada brasileira de Tegucigalpa, e uma solução parece depender de um acordo com o governo interino. Se for obtido, o Brasil terá fortalecida ainda mais sua imagem internacional como potência emergente, confiável na mediação de crises internas ou regionais, e o presidente Lula terá reafirmadas suas credenciais como defensor da democracia no continente.</p>

<p>Mas, se Roberto Micheletti decidir não fazer concessão alguma, Honduras pode mergulhar num impasse político ainda mais grave, com um crescente perigo de mais violência nas ruas de um país claramente dividido. Nesse caso, o Brasil poderá lamentar ter atendido a campainha e oferecido o sofá da sala a Manuel Zelaya.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/perigos_em_tegucigalpa.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/perigos_em_tegucigalpa.shtml</guid>
         <category>editores</category>
         <pubDate>Fri, 25 Sep 2009 14:54:11 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Um ano de tempestade</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="lehman.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/lehman.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>A tragédia do dia 15 mostrou-se tão grave quanto a do dia 11. Sete anos depois do monumental atentado que derrubou o World Trade Center, na mesma Nova York e no mesmo mês de setembro, um centenário banco desabou como as famosas torres gêmeas. A falência do Lehman Brothers deu início a um processo de congelamento de crédito pelo mundo afora que paralisou boa parte da economia global e quebrou outras tradicionais instituições financeiras. Foi o marco zero da maior crise financeira que o mundo viveu desde o crash de 1929.</p>

<p>Mas o Lehman Brothers não provocou a crise. Sua quebra foi consequência de uma era de extrema liberalização do mercado financeiro internacional, em que bancos, seguradoras e afins usavam o truque do milagre dos peixes para multiplicar dinheiro, imaginando que a conta não tivesse de ser paga um dia. O fim do Lehman Brothers, que completa um ano nesta próxima terça-feira, dia 15, indicou que a economia global teria de ser salva por medidas de ajuda sem precedentes e que o sistema financeiro internacional teria de ser revisto por completo.</p>

<p>O primeiro aniversário da crise global chega exatamente quando FMI, governos e analistas mundo afora começam a falar em recuperação. Economias desenvolvidas como as da Alemanha, França e do Japão voltaram a crescer, depois de experimentarem um agudo, mas relativamente curto, período de recessão. A Grã-Bretanha corre atrás, mas os mais otimistas analistas britânicos dizem que os sinais de crescimento se acumulam. Mas tanto aqui, em solo britânico, como nos Estados Unidos os números que sugerem uma recuperação ainda não se refletem no cotidiano da população. Especialmente para os milhões de recém desempregados criados pela recessão, o sofrimento está longe de chegar ao fim.</p>

<p>Desde a segunda-feira, dia 7, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/um_ano_de_crise.shtml">a BBC Brasil conta a história desta crise</a>, analisando <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/interatividade/2009/09/090904_aftershock_timeline.shtml">os fatos e políticas que a antecederam/causaram</a> e suas consequências. Entre as principais observações feitas sobre a crise, está a aparente resistência dos chamados mercados emergentes e mesmo de países mais pobres. A China conseguiu, por meio de investimento estatal, escapar to furacão rapidamente, ajudando com isso os que vendem matérias-primas para seus investimentos em infra-estrutura, como o Brasil. Mas, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090908_mantegass.shtml">como disse o ministro Guido Mantega em entrevista à BBC Brasil</a>, a força brasileira nesta crise não está nas exporações, mas no mercado interno. O que ajudou o Brasil a sobreviver à tempestade foram, segundo o ministro, suas próprias características, e não uma mãozinha chinesa.</p>

<p>O Brasil, que ia para a UTI a cada crise econômica, fosse ela na Rússia ou no Extremo Oriente, não parece ter apenas sobrevivido à maior delas. O país, de acordo com o governo e muitos analistas políticos e econômicos do exterior, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090903_aftershock_brasil_dg.shtml">sai fortalecido, visto como uma nova potência econômica a ser respeitada</a> e que aos poucos acumula dividendos políticos importantes. O G20, pelo menos momentaneamente, superou o G7 ou o G8 em importância, e o Brasil é sinônimo de G20. Os BRICs são uma espécie de novo motor da economia mundial, e o Brasil virou uma das grandes forças do grupo, ao lado da China. Este ano de tempestade global iniciou um processo de reorganização do poder econômico no mundo, que pode não ser tão amplo ou definitivo como muitos apostam. Mas é certo que o Brasil faz parte dele. Um ano depois, a crise pode estar perdendo força, mas muitos dos seus efeitos ainda estão por vir.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/um_ano_depois_da_tempestade.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/um_ano_depois_da_tempestade.shtml</guid>
         <category></category>
         <pubDate>Wed, 09 Sep 2009 12:02:13 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>O que restou da &quot;guerra ao terrorismo&quot;</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="afeganistao.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/afeganistao.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>O mundo mudou tanto nos últimos dois anos que é fácil se esquecer dos tempos da chamada "guerra ao terrorismo", quando o então governo de George W. Bush dividiu o globo entre os que estavam do lado dos Estados Unidos e os que estavam contra. A rede Al-Qaeda havia destruído o World Trade Center, em Nova York, e continuava inspirando outros grupos de radicais que promoviam atentados em Madri, Londres, Bali, Casablanca etc.</p>

<p>Oito anos depois do 11 de Setembro, bombas continuam explodindo em alguns países e <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/06/090610_paquistaoatualiza_ba.shtml">matando civis em grande número</a>. Mas elas estão cada vez mais ligadas a disputas internas, com grupos armados (classificados normalmente de rebeldes ou insurgentes) questionando a autoridade local ou nacional de um país, seja ele o Afeganistão ou o Iraque, ambos ainda ocupados por forças estrangeiras, ou o Paquistão. A palavra "terrorismo" está cada vez menos presente no noticiário internacional, e os Estados Unidos já não usam mais o termo "guerra ao terror". O mês de setembro é agora mais associado ao colapso financeiro de 2008, e não mais ao desabamento das torres gêmeas.</p>

<p>Diante desse novo quadro, em que crise econômica e aquecimento global tomam as manchetes dos jornais, muitos, especialmente aqui na Grã-Bretanha, se perguntam por que a aliança militar ocidental Otan continua lutando uma guerra interminável no Afeganistão. Na visão de analistas, o governo britânico enfrenta dois grandes problemas no conflito: a aparente impossibilidade de derrotar militarmente o Talebã e a dificuldade em justificar a guerra à opinião pública. Por isso, o premiê Gordon Brown viu-se obrigado a vir a público, nesta sexta-feira, para dizer que "um Afeganistão seguro significa uma Grã-Bretanha segura". Os "terroristas" da Al-Qaeda estão há anos no vizinho Paquistão, por isso muitos questionam o que afinal a Otan continua fazendo do outro lado da fronteira. Mas Brown não entrou nessa discussão. Seu discurso, como escreveu <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk_politics/8237642.stm">o analista da BBC Paul Reynolds</a>, repete a tradição de que um chefe de governo discursa sobre uma guerra apenas quando seu país está em apuros. </p>

<p>Desde 2001, 212 soldados britânicos morreram no Afeganistão, em comparação com 179 vítimas fatais na guerra no Iraque. Metade das mortes enfrentando os insurgentes afegãos ocorreu nos últimos 12 meses, com praticamente um britânico morto por dia atualmente. É um peixe difícil de vender para um país mergulhado na pior crise econômica do Pós-Guerra. Ainda mais perigoso para uma nação que, daqui a menos de um ano, terá a chance de, se quiser, trocar de governo.</p>

<p>Gordon Brown disse que a missão no Afeganistão, cujas recentes eleições presidenciais continuam sem resultado e sob acusação de fraude, "faz parte de uma estratégia internacional". É verdade que os Estados Unidos estão também, e ainda mais, atolados nesse lamaçal. Por isso Barack Obama sente pressão da opinião pública americana, mas nada perto do que foi a guerra no Iraque para Bush. E Obama não terá eleição no ano que vem, o que deve desperar uma certa inveja em Brown. Ambos os líderes têm muitos outros abacaxis para descascar, como o desemprego ainda crescente em seus países e o aquecimento global. Uma guerra disputada há oito anos em um país que nem mesmo Alexandre, o Grande conseguiu dominar, baseada no antigo mote da "guerra ao terrorismo", torna o trabalho dos dois ainda mais difícil.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/lembram_do_terrorismo.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/lembram_do_terrorismo.shtml</guid>
         <category></category>
         <pubDate>Fri, 04 Sep 2009 15:53:26 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>A volta do Estado</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="lulaoil.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/lulaoil.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span>O anúncio, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos projetos para a exploração do chamado petróleo "pré-sal" pode ser visto como mais um capítulo de um fenômeno claramente perceptível no mundo de hoje: a volta do Estado. O governo Lula quer o Estado brasileiro, por meio da Petrobras, soberano na exploração dessa nova riqueza nacional, muito diferente do que defendia a estratégia tucana para o setor nos tempos de FHC.</p>

<p>Logicamente, o Estado nunca foi embora, especialmente no Brasil, onde seus tentáculos, tamanho e inoperância na solução de problemas do país são fontes de críticas desde a independência do país. Mas, diante dos erros, exageros e ilusões do neo-liberalismo, com as recentes consequências nefastas nos quatro cantos do planeta, o Estado recuperou boa parte de sua credibilidade como motor de desenvolvimento econômico e provedor de soluções para os desafios da humanidade.</p>

<p>Aqui na Europa, o debate continua em torno de que modelo de capitalismo prevalecerá nos próximos dez, 20 ou 30 anos. A versão mais liberal, anglo-saxã, que desde os anos 80 dava aos Estados Unidos e à Grã-Bretanha uma sensação de vitória na batalha econômica mundial, perdeu força. O discurso de nações como França e Alemanha, a favor de uma maior regulamentação dos mercados financeiros e mais força do Estado na condução das economias nacionais, vem tomando a dianteira. No Japão, a derrota do antes invencíveis conservadores nas eleições palamentares indica uma guinada histórica, com o futuro premiê Yukio Hatoyama prometendo aumentar gastos do Estado nas áreas sociais. O campo vitorioso na política japonesa fala em se distanciar politicamente dos Estados Unidos e promete um Estado ativo na missão de tirar o país do atoleiro econômico, mesmo diante de uma dívida pública já estratosférica.</p>

<p>Aqui na Grã-Bretanha, o premiê trabalhista, Gordon Brown, corre sério risco de perder o emprego nas eleições do ano que vem. Não devido às suas históricas credenciais de centro-esquerda, mas por ter liderado o namoro do seu partido com o grande capital por mais de uma década e, com isso, ter sido responsabilizado pela grave crise econômica que assola o país. Os conservadores, que nos tempos de Margaret Thatcher ajudaram a estabelecer o capitalismo financeiro como modelo mais bem-sucedido no mundo, <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk_politics/8202738.stm">agora criticam abertamente a cultura dos bônus milionários</a> para banqueiros. Também juram de pés juntos que vão fortalecer o sistema estatal de saúde britânico, caso vençam as eleições a serem marcadas para breve, como vêm indicando as pesquisas de opinião. Não ousam mais defender um Estado mínimo, discurso que lançaram nos anos 70 e 80. Falam apenas em Estado eficiente e austero.</p>

<p>Em outubro, no auge do processo de semi-estatização do setor bancário britânico, a super liberal revista <em>The Economist</em> <a href="http://www.economist.com/opinion/displayStory.cfm?story_id=12429544">analisou a crise do capitalismo</a>, dizendo que torcia para que o mundo não abandonasse o que chamou de "liberdade econômica". O capitalismo havia errado, dizia o editorial, mas também continuava acertando. Mais recentemente, em julho, a revista disse que a crise não questionava apenas o futuro do capitalismo, mas a credibilidade das ciências econômicas. <a href="http://www.economist.com/printedition/displayStory.cfm?Story_ID=14031376">Em reportagem de capa</a>, a publicação afirmou que tanto a macroeconomia como a economia financeira saem desacreditadas da crise e precisam de uma reinvenção. A publicação não abraçou a tese de que o mundo voltará a uma era do Estado forte, como sugeriu o presidente Lula em sua fala sobre o petróleo. A <em>Economist</em> apenas crê na necessidade de uma reinterpretação do capitalismo moderno.</p>

<p>Num futuro próximo devemos conhecer melhor a estrada em que estamos, pois é provável que o mundo já esteja a caminho do fim da crise. Um economista do FMI acaba de dizer que o órgão deve rever para cima sua estimativa de crescimento global para 2010, de 2,5% para quase 3%. O responsável pela recuperação? Para o horror de neo-liberais convictos, o salvador de pátrias mundo afora ainda será o dinheiro público. Segundo o <a href="http://online.wsj.com/article/SB125182550670876751.html"><em>The Wall Street Journal</em>, </a>o economista, Jörg Decressin, disse que em algum momento o setor privado terá de retomar a dianteira, mas sem arriscar quando. Até lá, o Estado segue mais forte e com mais credibilidade do que jamais teve nas últimas décadas. Resta saber se, para o bem ou para o mal, também o futuro ao Estado pertence.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/a_volta_do_estado.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/09/a_volta_do_estado.shtml</guid>
         <category>editores</category>
         <pubDate>Wed, 02 Sep 2009 18:12:23 +0000</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Parcerias, celular, widget, Twitter...</title>
         <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="laptop_phone226.jpg" src="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/laptop_phone226.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;" /></span>A BBC Brasil tem sua própria casa, o site <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/">www.bbcbrasil.com</a>, onde escrevo este texto. Cada vez mais, no entanto, nós aprimoramos uma das nossas ambições, de oferecer nosso conteúdo editorial ao público brasileiro onde ele estiver, da melhor maneira possível.</p>

<p>Há anos a BBC Brasil chega a milhões de leitores, ouvintes e espectadores por meio de parcerias com veículos de mídia brasileiros. Fiel ao seu propósito de complementar a oferta de informação já proporcionada pela imprensa do país, a BBC Brasil coleciona <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/_parceiros.shtml">parcerias com uma longa lista de grandes empresas de comunicação</a>, no rádio, na TV e especialmente na internet. A idéia é simples: o conteúdo da BBC Brasil é oferecido, por meio de acordos, a veículos que, sem alterá-lo o levam a um público que de outra maneira não conheceria a BBC. Com isso nós atingimos um número muito maior de pessoas com nosso jornalismo, produzido com o objetivo de reforçar a ligação entre o Brasil e o mundo.</p>

<p>Mas os caminhos da informação tornaram-se tão diversos que o leitor/ouvinte/espectador exige muito mais. Numa tendência inicialmente verificada entre o público jovem, mas que já é registrada entre os mais velhos, informação e jornalismo são hoje consumidos em espaços menos tradicionais, como redes sociais na internet (Facebook, Twitter, Orkut etc). Nesse mundo, a pessoa toma conhecimento de uma notícia ou reportagem por meio da sugestão de amigos (reais ou virtuais) ou de uma relação direta com uma publicação. O boca-a-boca virtual caminha para ser tão importante para o jornalismo quanto o contato direto entre um jornal e seu leitor. Por isso a BBC Brasil, assim como inúmeros outros veículos brasileiros e do exterior, está presente no Twitter, com uma página de <a href="http://twitter.com/bbcbrasil">atualizações gerais</a> e outra para coberturas específicas, <a href="http://twitter.com/BBCBrasilnarua">chamada "BBC Brasil na Rua"</a>. Para facilitar ainda mais o que já seria uma heterodoxa relação com seu público, a BBC Brasil dá também agora a opção do <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/institutional/2009/07/090707_widget_platforms.shtml">widget</a>, que pode ser copiado em um site ou blog pessoal, criando uma porta permanentemente aberta para que nosso conteúdo jornalístico atinja o leitor.</p>

<p>Mas o consumo de informação não tem apenas se diversificado na tela do computador, ele tem aumentado também na palma das mãos. Por isso no mês passado a BBC Brasil corrigiu o que até então era uma deficiência imperdoável, oferecendo seu <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/institutional/2009/06/090625_servicos_para_celular.shtml">conteúdo via WAP </a>para os usuários de telefones celulares. Para aqueles que já embarcaram na onda do iPhone e produtos similares, o celular já é uma porta para praticamente tudo o que a internet oferecer, mas nosso serviço em WAP visa oferecer o melhor da nossa cobertura jornalística àqueles que começam a se acostumar a ter o celular como fonte de informação.</p>

<p>Difícil dizer como o jornalismo estará sendo consumido daqui a 20, dez ou até mesmo cinco anos, dada a rapidez com que as comunicações têm se transformado. Enquanto isso, a BBC Brasil continuará atingindo o público brasileiro de maneiras diversas, adaptando-se a novas tendências de comportamento do usuário e sempre trabalhando para que as mudanças de formato nunca afetem a qualidade do conteúdo.<br />
</p>]]>
        </description>
         <link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/08/parcerias_celular_widget_twitt.shtml</link>
         <guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/08/parcerias_celular_widget_twitt.shtml</guid>
         <category>editores</category>
         <pubDate>Mon, 10 Aug 2009 16:55:03 +0000</pubDate>
      </item>
      
   </channel>
</rss>
