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Impasse sobre dívida alimenta insatisfação dos americanos

Alessandra Correa | 23:50, terça-feira, 19 julho 2011

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Enquanto o Congresso se debate em negociações intermináveis sobre o teto da dívida pública e cortes de gastos, diversas pesquisas divulgadas nos últimos dias demonstram que a paciência dos americanos com o assunto está perto do fim.

A mais recente, encomendada pela rede de TV ABC News e o jornal The Washington Post, revela que a insatisfação dos americanos com o governo federal vem crescendo e já está no nível mais alto em quase 20 anos - 80% dos entrevistados disseram estar insatisfeitos ou até mesmo com raiva.

O resultado representa um aumento de 11 pontos percentuais desde o mês passado e coloca o nível de insatisfação no mesmo patamar de 1992, quando o país, assim como agora, enfrentava dificuldades econômicas.

Desta vez, a preocupação com o ritmo lento da retomada do crescimento econômico é agravada pelo risco de calote, caso o Congresso não chegue a um acordo para autorizar a elevação do teto da dívida - que já atingiu o limite de US$ 14,3 trilhões - até o dia 2 de agosto.

Segundo a pesquisa, 82% dos americanos acreditam que a economia sofrerá danos graves caso o teto da dívida não seja elevado, 77% dizem que a reputação dos Estados Unidos como um país seguro para investimentos será abalada e 60% temem grandes prejuízos a sua própria situação financeira.

Nesse clima de insatisfação, sobram críticas tanto para o presidente Barack Obama e seu Partido Democrata quanto para a oposição republicana, mas esses últimos parecem ter sido afetados de maneira mais forte.

Enquanto apenas 38% dizem aprovar o modo como o presidente está abordando a questão do déficit, o índice para os republicanos é ainda pior: 27%.

No fim das contas, porém, à medida que o prazo de 2 de agosto se aproxima sem sinal de acordo, a pesquisa mostra que, para os americanos, nem Obama nem os republicanos têm demonstrado vontade suficiente fazer concessões para solucionar o impasse.

Acordo em Washington aumenta pressão por fim de subsídios

Alessandra Correa | 00:44, sexta-feira, 8 julho 2011

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Menos de um mês depois de o Senado americano ter aprovado uma emenda para acabar com a tarifa de importação e os subsídios ao etanol, um novo acordo anunciado em Washington dá mais um sinal de que pode estar ocorrendo uma mudança de postura no Congresso sobre um assunto sempre considerado tabu.

Um grupo bipartidário de três senadores (dois democratas e um republicano) fechou um acordo que prevê que os Estados Unidos parem de cobrar a tarifa de 54 centavos de dólar por galão (ou 14 centavos por litro) para o produto importado e de pagar o subsídio de 45 centavos por galão ao etanol misturado à gasolina já no fim de julho - ou seja, cinco meses antes do prazo oficial previsto para o fim dos benefícios, que expiram em 31 de dezembro, mas costumam ser renovados regularmente.

Assim como a emenda aprovada em junho, se transformada em lei essa proposta beneficiaria o produto brasileiro, que apesar de também receber o subsídio, acaba tendo essa vantagem eliminada pela cobrança da tarifa de importação.

O trio de congressistas espera agora incluir a proposta no pacote de redução do déficit e elevação do teto da dívida que vem sendo negociado entre democratas e republicanos. Segundo os autores, a medida poderia reduzir o deficit em US$ 1,33 bilhão.

A senadora Dianne Feinstein, democrata da Califórnia, disse que o acordo representa a "melhor chance" de acabar com os subsídios ao etanol e, assim, conseguir reduzir o déficit - já que a emenda aprovada no Senado em junho, da qual é uma das autoras, estava incluída em um projeto sobre revitalização do desenvolvimento econômico que não foi adiante.

A inclusão da nova proposta nas negociações sobre a dívida poderia apressar sua votação, já que o governo americano afirma que, caso o teto não seja elevado até 2 de agosto, terá de deixar de pagar as suas contas. As negociações enfrentam um impasse, e o presidente Barack Obama já avisou que os congressistas vão passar o fim de semana trabalhando no assunto para tentar chegar a uma solução o mais rápido possível.

A Unica (entidade brasileira de lobby que representa o setor de açúcar e etanol) comemorou o acordo como "um passo fundamental" para que o etanol brasileiro possa concorrer em condições de igualdade no mercado americano. Mas a própria entidade fez a ressalva de que a medida ainda tem de ser votada no Senado, passar pela Câmara dos Representantes e, caso aprovada, ser sancionada pelo presidente.

No entanto, apesar do longo caminho até virar lei, o acordo é mais um sinal de que, em meio a dívida no limite de US$ 14,3 trilhões e com um déficit recorde de US$ 1,4 trilhão, cresce cada vez mais nos Estados Unidos a pressão para eliminar benefícios que custam caro aos contribuintes, como os subsídios agrícolas.

Como me disse uma fonte que acompanha de perto as negociações, talvez seja uma avaliação um tanto simplista afirmar que essa pressão por maior austeridade fiscal nos Estados Unidos vá beneficiar o Brasil (especialmente no que diz respeito a produtos agrícolas como o etanol ou o algodão).

Mas o fato é que se vê em Washington, pela primeira vez em décadas, a predisposição para discutir o fim de benefícios que os brasileiros afirmam distorcer o mercado - o que até pouco tempo atrás era impensável.

Via Twitter, Obama debate economia com eleitores

Alessandra Correa | 00:30, sexta-feira, 1 julho 2011

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O presidente Barack Obama parece estar disposto a repetir nesta campanha à reeleição o uso que fez da internet na disputa de 2008.

A última novidade, recém-anunciada pela Casa Branca em sua conta oficial de Twitter, @whitehouse, é a realização do primeiro "Twitter Town Hall", uma espécie de encontro comunitário por meio do site de microblogs.

No evento, marcado para 6 de julho, Obama irá responder por cerca de uma hora a perguntas sobre economia e empregos - duas das maiores preocupações dos americanos e temas que deverão ser decisivos na eleição do ano que vem.

Desde já os internautas podem enviar suas questões usando a hashtag #AskObama. As perguntas serão selecionadas com a ajuda dos próprios usuários do Twitter, e alguns dos seguidores da conta da Casa Branca serão escolhidos para acompanhar o evento pessoalmente, em Washington.

O co-fundador e presidente-executivo do Twitter, Jack Dorsey, terá o papel mediador, fazendo as perguntas enviadas pelos internautas. Dois telões instalados na Casa Branca irão transmitir o diálogo via Twitter em tempo real.

Segundo a Casa Branca, o objetivo do evento é fazer com que o presidente possa se comunicar diretamente com os americanos de todo o país.

Obama é conhecido por usar a internet em diversas ocasiões, tanto durante a campanha quanto em seu governo. Recentemente ele esteve na sede do Facebook, na Califórnia, onde também respondeu a perguntas em um evento transmitido pelo site.

Em plena campanha à reeleição, o encontro de quarta-feira promete ser o primeiro de uma série de iniciativas do tipo.

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