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Mais um brasileiro no futebol inglês

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Ricardo Acampora | 15:43, quarta-feira, 22 setembro 2010

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Ontem, finalmente, a torcida do Tottenham Hotspurs, aqui de Londres, pode ver em campo pela primeira vez o brasileiro Sandro, comprado ao Internacional de Porto Alegre.

Apesar da transferência ter sido acertada em março, Sandro só foi liberado após a partida final da Libertadores, em agosto.

Mesmo com esse tempo todo, a aposta do técnico do Tottenham, Harry Rednapp, em Sandro foi feita praticamente no escuro. O clube desembolsou mais de R$40 milhões (segundo a imprensa inglesa), sem que Harry tivesse visto o volante atuar.

Ele compara Sandro ao "doutor" Socrates, pelo porte físico e pela "passada elegante" em campo. Harry acredita que ele vai se adaptar facilmente ao futebol inglês: "O forte de Sandro é a facilidade no desarme e a resistência física."

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No jogo de estreia, como era de certa forma esperado, Sandro mostrou claramente que não estava à vontade e deve levar algum tempo para repetir as boas atuações dos tempos de Inter.

O estilo do futebol inglês não é de fácil assimilação para os jogadores brasileiros.

A marcação é em cima, com muita correria e divididas e a preferência pela bola longa na maioria das vezes ignora a presença dos volantes que no Brasil são usados para dar início às jogadas de ataque.

E a partida de ontem tinha outras complicações para uima estreia. O jogo era válido pela terceira rodada da Copa da Liga Inglesa, uma competição desprestigiada pelos técnicos dos times grandes que colocam em campo muitos de seus terceiros reservas.

Mas o adversário era o grande rival do Tottenham, o Arsenal, time em que mesmo os reservas sabem tocar a bola. O jogo é o maior clássico de Londres e os torcedores não admitem perder.

Sandro se posicionava para receber, mas o passe não vinha. Os fracos zagueiros do Tottenham (reservas dos reservas) esticavam a bola no espaço vazio, esperando que algum atacante se dispusesse a correr atrás.

Muito diferente da posse de bola e passes bem medidos a que está acostumado. Ao volante restou correr atrás dos atacantes do Arsenal e de vez em quando tocar rapidamente na bola num passe curto.

No segundo tempo, perdendo de 1 a 0, Harry deu mais liberdade a Sandro, o que fez com que seu jogo crescesse e a qualidade de seu futebol ficasse mais à mostra.

Mas o resto do time não ajudou muito. O volante foi substituído no primeiro tempo da prorrogação quando seu time perdia por 2 a 1. O Tottenham acabou eliminado com uma goleada de 4 a 1 com 3 gols marcados na prorrogação, dois frutos de pênaltis tolos resultados da inexperiência e falta de capacidade técnica dos zagueiros.

Mas Sandro acabou elogiado pela imprensa. Se tiver conquistado também a confiança do técnico pode vir a ser escalado no time principal numa partida do campeonato ou da Liga dos Campeões, ao lado de jogadores de melhor nível, como o holandês Van der Vaart.

A nova velha retranca de José Mourinho

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Ricardo Acampora | 16:13, sexta-feira, 17 setembro 2010

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Pouca novidade ao final da tão aguardada primeira rodada da Liga dos Campeões da Uefa.

Os favoritos venceram facilmente à exceção do Manchester United que empatou em casa, sem gols, com o Rangers, e do atual campeão, a Internazionale de Milão que não passou de um empate de 2 a 2 com o modesto Twente, da Holanda.

Barcelona e Arsenal (também chamado de Barcelona light, pelo estilo de jogo semelhante, porém sem as glórias do time catalão), venceram sem problema.

As equipes foram protagonistas das duas maiores goleadas da rodada. O Barça venceu o Panathinaikos por 5 a 1, e o Arsenal aplicou 6 a 0 no Braga, de Portugal.

O Chelsea, para quem a conquista do título da Liga dos Campeões está virando quase obsessão, também conseguiu uma vitória fácil, ao vencer por 4 a 1, fora de casa, o Zilina, da Eslováquia.

Mas a grande expectativa era mesmo em torno do novo Real Madrid, do técnico campeão da edição 2009-10 da Liga, José Mourinho.

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Sem apresentar um grande futebol, o Real venceu facilmente o Ajax por 2 a 0 no Santiago Bernabéu.

Apinhado de novas e velhas estrelas, como os alemães Ozil e Khedira (novos), os argentinos Di Maria (novo) e Higuáin (velho), os portugueses Ricardo Carvalho (novo), Cristiano Ronaldo (velho) e Pepe (velho), a equipe do Real Madrid mostrou um desentrosamento típico de início de temporada.

Mourinho ainda vai ter muito trabalho pela frente, mas um aspecto do time já mostra o toque do treinador.

O Real ainda não levou nenhum gol nos 3 jogos que disputou. Além da vitória na Liga por 2 a 0, o time conseguiu um empate de 0 a 0 e uma vitória por 1 a 0 no campeonato espanhol.

Defesa fechada e placar apertado sempre foram as marcas registradas de Mourinho. Se elas voltarem a prevalecer este ano, os torcedores do clube madrilenho podem esquecer as goleadas e se contentar com os placares magros.

Mas se Mourinho mantiver a forma que o consagrou, o Barcelona que se cuide. De retranca em retranca ele acaba chegando ao título.

Ah os campeões brasileiros de F1, que saudade!

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Ricardo Acampora | 16:10, quinta-feira, 9 setembro 2010

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Lendo a notícia de que a Federação Internacional de Automobilismo, a FIA, resolveu "arquivar" o caso das chamadas ordens de equipe, envolvendo a Ferrari, voltei a lembrar que temos pilotos brasileiros disputando esse campeonato de Formula 1.

A participação brasileira na categoria que já foi motivo de orgulho nacional, hoje é tão pouco expressiva que a gente tem que fazer um esforço para lembrar de Felipe Massa, Rubens Barrichello, Bruno Senna e Lucas di Grassi.

Aqui na Europa, os nomes dos pilotos brasileiros só têm aparecido com destaque no noticiário esportivo pelas razões equivocadas, em notícias que não são ligadas à vitórias e conquistas na pista.

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Felipe Massa ainda não conseguiu repetir as boas atuações do passado e tem sido constantemente superado pelo companheiro de Ferrari, o espanhol Fernando Alonso.

Depois de um ano pilotando o melhor carro do grid, Rubens Barrichello até tem feito boas corridas esse ano pela Williams, mas não tem passado do chamado pelotão intermediário.

Lucas di Grassi e Bruno Senna não conseguem sair da rabeira e Senna ainda não justificou o ilustre sobrenome.

A única vez em que o nome de Massa esteve nas manchetes esse ano foi ligada à jogada irregular da Ferrari que o obrigou a ceder a ponta do Grande Prêmio da Alemanha para Alonso.

Inevitavelmente, a história trouxe à lembrança outra jogada idêntica da mesma Ferrari que em 2002 obrigou Rubens Barrichello a ceder a vitória ao alemão Michael Schumacher.

Novamente um piloto brasileiro foi lembrado pela imprensa especializada, pelos motivos errados.

Por mais que se compreenda as obrigações contratuais e vantagens financeiras que levaram os pilotos brasileiros a abrir mão da vitória de modo tão submisso, não se pode sentir orgulho de nenhum dos dois por terem concordado em fazer parte desse esquema.

Como também não é motivo para orgulho a batida proposital de Nelsinho Piquet no GP de Cingapura de 2008 obedecendo uma outra ordem da equipe, desta vez a Renault, para favorecimento do mesmo Alonso.

A torcida brasileira quer e merece mais. Merece ter novamente um piloto com vontade e condições de brigar por um campeonato, como fez o próprio Massa em 2008.

Será que paramos no Ayrton Senna? Será que só nos resta comemorar as 300 largadas do Rubens Barrichello?

Parabéns para ele, mas precisamos de mais um campeão.

É como disse o Schumacher ao ser perguntado o que achava da marca alcançada por Rubinho: "É um grande feito, mas o mais importante é saber o que o cara fez nessas 300 corridas".

Os mistérios do futebol científico

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Ricardo Acampora | 14:40, quinta-feira, 2 setembro 2010

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Fiquei surpreso ao ler a notícia de que um grupo de físicos franceses concluiu que o gol de falta marcado pelo lateral Roberto Carlos no empate de 1 a 1 da seleção brasileira com a França em 1997 não foi sem querer e portanto, pode ser repetido.

Lembram do gol? aquele em que a bola descreveu uma curva incrível, contornando a barreira pelo lado, e quando parecia que ia para fora, o efeito a levou direto para as redes deixando boquiabertos o goleiro francês Fabian Barthez e todo o mundo que assistia ao jogo.

Um gol sensacional de um craque que aperfeiçoou como poucos a arte de bater na bola.

Não sei quanto tempo destes 13 anos, os cientistas franceses dedicaram ao estudo da trajetória da bola de Roberto Carlos, debruçados em fórmulas e no desenvolvimento de modelos matemáticos que simulam os movimentos descritos pela redonda.

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De todo modo, para mim parece que perderam seu tempo. Bastava perguntar para qualquer garoto que acompanha futebol no Brasil e a resposta viria imediatamente: "É claro que ele teve a intenção de fazer o que fez!"

Aliás, não é de hoje que a criatividade e o alto nível de aperfeiçoamento técnico do jogador brasileiro surpreende aqui na Europa.

Ou melhor dizendo ... não é de hoje que a Europa mostra desconhecer a capacidade dos jogadores sul-americanos em lidar com a bola como verdadeiros equilibristas.

Poucos comentaristas que ouvi aqui em Londres acharam que Maicon teve a intenção de fazer aquele gol sem ângulo contra a Coreia do Norte na Copa da África do Sul. A grande maioria acha que foi um fluke, como chamam o gol de sorte, sem querer.

Até hoje vários jornalistas esportivos britânicos acham que Ronaldinho Gaúcho errou o cruzamento na cobrança de falta que acabou encobrindo o goleiro David Seaman na vitória do Brasil por 2 a 1 sobre a Inglaterra na Copa de 2002.

Assim fazendo, consagram a jogada errada, o gol por acaso e deixam de apreciar a arte do Gaúcho e até de aprender com ela.

Se garotos ingleses passarem a acreditar que o gol foi por acaso nem sequer tentarão imitar o Ronaldinho desenvolvendo o controle das cobranças de falta.

Ficarão aperfeiçoando apenas o cruzamento careta e no final da contas quem sofre é o futebol inglês.

Qualquer lateral da seleção inglesa cruza tão bem ou melhor do que os laterais brasileiros. Mas nenhum dos últimos cinquenta laterais usados no English Team é capaz de ao menos imaginar a possibilidade de bater de curva na bola, com efeito, malícia e arte.

Nunca foi visto um lateral inglês fazer um gol como o de Nelinho contra a Itália na Copa de 78, com a bola descrevendo um zigue-zague à frente do goleiro Dino Zoff antes de entrar no ângulo.

Ou será que os físicos franceses conseguiriam explicar os super gols feitos pelo Josimar contra Irlanda e Polônia em 86, no México?

Ou o gol do Branco de falta em 94, o terceiro do Brasil contra a Holanda na vitória brasileira de 3 a 2 na Copa de 94, nos Estados Unidos?

Lembro de ter ouvido o Rivelino explicar a um repórter o segredo da batida de trivela que levava a bola a descrever uma curva acentuada: "É só bater com os três dedos de fora." e acentuando o sotaque paulista-italiano ... "de rôsca".

Quer explicação melhor? Depois de ouvir o Rivelino dá para pensar ... quem é que precisa de um físico para explicar um gol de curva?

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