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Sedentos por tecnologia

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Rogério Simões | 2010-04-06, 21:47

ipadblog.jpgO badalado lançamento comercial do iPad, novo produto da Apple, nos Estados Unidos, foi acompanhado pela empolgação de muitos e o olhar desconfiado de outros. O equipamento mudará a vida de leitores de livros e usuários da internet? Ou trata-se apenas de uma inflada ofensiva de marketing para um produto que pouco acrescenta à revolução iniciada por seu primo mais velho, o iPhone? Como no caso de toda nova tecnologia, será preciso esperar um pouco mais para conhecer o verdadeiro impacto do iPad no mercado de mídia digital e na vida do cidadão comum. Mas é impressionante ver a ansiedade e a expectativa que a chegada de uma supostamente revolucionária tecnologia provoca em seus futuros consumidores. Inovadoras formas de se comunicar ou consumir produtos e serviços são hoje abraçadas sem medo, por usuários esperançosos de que, com elas, possam atingir conhecimentos e mundos antes inexistentes ou de acesso restrito.

O ser humano parece cada vez mais sedento por novas tecnologias. No continente mais pobre do planeta, em cujas áreas mais remotas uma tradicional linha telefônica sempre foi privilégio de poucos, a revolução digital já é uma realidade. A chegada de um cabo de fibra óptica oceânico à costa da África, no ano passado, promete transformar vários setores da economia no continente. Ruanda, palco do genocídio de tutsis e hutus moderados nos anos 90, é um dos países liderando essa transformação, com grandes projetos de expansão da internet às suas áreas mais carentes.

Como parte da recente série especial da BBC sobre o poder da internet, Superpotência, alguns experimentos mostraram esse desejo de conhecer e dominar novas tecnologias. Uma vila na Nigéria recebeu telefones celulares que proporcionaram a seus moradores um primeiro contato com a internet, e o projeto "SuperPower Nation" gerou uma inédita conversa global por meio dos sites da BBC. Nesse papo sem fronteiras ou barreiras linguísticas, internautas brasileiros, por meio da BBC Brasil, foram destaque. O Brasil foi o segundo país em número de mensagens enviadas, atrás apenas da Grã-Bretanha, e o português perdeu somente para inglês e espanhol entre as línguas mais utilizadas. O Google Translate, cuja ferramenta proporcionou a tradução das mensagens em sete línguas diferentes, postou uma mensagem sobre o experimento em seu blog. Disse que a iniciativa mostrou como a ferramenta, apesar de ainda precisar ser aperfeiçoada, pode aproximar pessoas de diferentes partes do mundo que não falam a mesma língua. E, como exemplo da disposição em abraçar mais essa nova tecnologia, reproduziu a mensagem de um dos internautas da BBC Brasil que participaram do evento. "Acredito que isto pode dar certo!", escreveu Nathana. Com a mesma disposição daqueles que passaram horas na fila para comprar o iPad no dia de seu lançamento, cidadãos de várias partes do mundo acreditam no poder das novas tecnologias. Com elas, apostam que poderão fazer coisas que antes pareciam impossíveis.

ComentáriosDeixe seu comentário

  • 1. às 09:45 PM em 11 abr 2010, Mrs Z escreveu:

    O ipad é um dispositivo impressionante. Leve e fácil de usar e com resolução de imagem impecável, acredito que é capaz de substituir livros em papel e facilitar o trabalho daqueles que podem pagar por ele (500 dólares). O mercado e-books é crescente e a nova tecnologia deve acelerar a revolução do papel para a tela, pelo menos nos EUA.

    Nos países africanos é difícil saber o quanto a tecnologia e expansão da Internet vai contribuir para a melhora das condições econômicas. Esses são países que não possuem as instituições mais básicas que seriam responsáveis pela proteção dos direitos de propriedade e dos negócios privados de forma efetiva.

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