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Israel sob pressão: bom sinal?

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Rogério Simões | 2010-03-17, 17:47

jerusalem.jpgAs relações entre Estados Unidos e Israel azedaram depois que um anúncio de novas construções na ocupada Jerusalém Oriental desmoralizou a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, ao Estado judeu. Pouco tempo atrás, eu discuti aqui neste blog o fato de o governo de Israel ter criado mais problemas para o presidente Barack Obama do que este imaginava. Aparentemente, o que já estava ruim ficou pior, apesar de os dois lados tentarem agora acalmar os ânimos. Diante de uma afronta diplomática, a Casa Branca viu-se obrigada a falar grosso com seu histórico aliado no Oriente Médio para não perder totalmente a credibilidade como promotora da paz entre israelenses e palestinos.

Para entender o momento atual, vale relembrar a história recente. Pouco antes da vitória de George W. Bush contra Al Gore, na disputa pela Casa Branca, uma nova intifada explodia nos territórios palestinos ocupados. O início do governo do republicano, em janeiro de 2001, não ajudou a acalmar os ânimos, pelo contrário. Ao reafirmar, constantemente, seu apoio a posições duras de Israel em relação aos palestinos, no cenário "anti-terror" de pós-11 de Setembro, Bush deu forças aos conservadores israelenses. A Terra Santa viveu momentos dramáticos, como o cerco a Belém, a batalha de Jenin e vários atentados suicidas contra civis israelenses, isso apenas no sangrento ano de 2002. Na época, Bush propôs seu chamado Road Map, ou Mapa da Paz, o plano prevendo um Estado palestino ao lado de Israel. Mas, apesar da retirada israelense da Faixa de Gaza em 2005, vieram a invasão do Líbano, em 2006, e o bombardeio de Gaza em 2008/2009, que deixaram milhares de árabes mortos, a maioria civis. Durante os anos Bush, Israel ainda construiu um muro dentro da Cisjordânia ocupada, que parece ter prevenido atentados suicidas palestinos, mas abalou a vida em comunidades árabes locais. O Mapa da Paz de Bush não levou a lugar algum.

Bush, que chegou a dizer que o futuro mapa da região deveria considerar a nova realidade criada pelos inúmeros assentamentos judaicos na Cisjordânia, plantou em Israel a certeza de que Washington estaria ao seu lado sob quaisquer circunstâncias. Mas Barack Obama tentou mudar o discurso e, já no primeiro ano de governo, exigiu que Israel suspendesse a construção de casas em assentamentos na Cisjordânia. Israel vinha ignorando os pedidos do presidente americano, sem graves consequências. Mas a desfeita israelense, quando Joe Biden visitava o país, foi demais para Obama. O presidente lançou Hillary Clinton, assessores e porta-vozes numa ofensiva para deixar claro que Israel havia ido longe demais, caracterizando uma verdadeira crise diplomática. E isso é um bom ou mau sinal? A intransigência israelense dá margem a mais pessimismo, por indicar que Israel não estaria disposto a negociar a paz, mesmo sob crescente pressão americana. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visitou a região nesta semana e ofereceu o Brasil como possível mediador no conflito, pode ter resumido bem o signficado da crise.

Lula disse que o esfriamento das relações entre Washington e Tel Aviv pode ser "a coisa mágica" que leve a um acordo de paz entre israelenses e palestinos. As negociações, paralisadas especialmente devido ao cerco que ainda existe à Faixa de Gaza e à expansão de assentamentos na Cisjordânia, precisavam urgentemente de um fato novo. Um fato que pudesse abalar a certeza israelense de que Washington estará sempre do seu lado e, com isso, forçar Israel a fazer concessões e voltar ao diálogo. Lula ainda não obteve uma cadeira para o Brasil na mesa de negociações, mas sabe que uma crise pode ser o único remédio capaz de tirar um processo de paz do atoleiro.

ComentáriosDeixe seu comentário

  • 1. às 05:44 PM em 18 mar 2010, Rani Cudek escreveu:

    E BBC, sempre com as mesmas noticias, de mesma opinião. já que Israel esta tão errado, não sei porque todos os correspondentes ficam em Israel ao invés de ficar em Gaza. Já que a "Palestina" estaq tão certa, porque nao enviar os correspondentes para lá?

  • 2. às 06:20 PM em 18 mar 2010, Josiel escreveu:

    a BBC sempre parcial nos conflitos, ou seja se é um site de noticias, porque não relata os fatos, em vez de de tomar parte da situação?
    este jornalista ante-semita quer formar opinião das pessoas menos escolarizadas...
    quem conhece a hitória sabe que essa guerras é antiga.. Desde de quando os filisteus (atualmente pelestinos) sempre desejaram tomar Israel.

  • 3. às 08:14 PM em 18 mar 2010, Micky Oliver escreveu:

    A CULPA DISSO TUDO TEM NOME: EUA!
    SE NÃO FOSSEM POR ELES ISRAEL NÃO COMETERIA SUAS ATROCIDADES CONTRA O POVO PALESTINO.
    SE NÃO FOSSEM PELOS EUA,ISRAEL NÃO TERIA TODA ESSA VALENTIA DE DESPREZAR A OPINIÃO INTERNACIONAL CLARAMENTE FAVORÁVEL AO FUTURO ESTADO PALESTINO E NÃO IGNORARIA A ONU PELOS CONSTANTES APELOS PARA A PARALIZAÇÃO DE OBRAS NA CISJORDÂNIA.
    EU NÃO SEI O QUE O LULA FOI FAZER LÁ DE QUERER JOGAR O BRASIL NESSA FURADA!
    ISRAEL JÁ DEMONSTROU POR VÁRIAS VEZES QUE NÃO QUER A PAZ E TODA VEZ QUE AMBOS RESOLVEM SENTAR E CONVERSAR,ELES (ISRAEL) APRONTAM ALGUMA PARA PROVOCAR E ARRUINAR OS DIÁLOGOS!
    A MELHOR COISA SERIA OS EUA SAIREM DE CENA E DEIXAREM QUE OS ÁRABES E JUDEUS SE ENTENDESSEM POR SI MESMOS. A CAMPANHA AMERICANA NUNCA FOI IMPARCIAL,SEMPRE PROTEGERAM OS ISRAELENSES E ISSO PROVOCA A IRA DO OUTRO LADO E NÃO CONTRIBUI EM NADA COM NADA!
    FORA EUA! VIVA A PALESTINA!

  • 4. às 09:55 AM em 19 mar 2010, Carlos Nakana escreveu:

    Os Palestinos se comportam como criancas imaturas , como nao recebem o que querem , fazem birra , batem , gritam e choram .
    Cabe aos Eua pressionarem Israel ,ja que com a crianca rebelde , nao ha' o que fazer

  • 5. às 12:31 PM em 19 mar 2010, Jeferson - São Bernardo do Campo - SP escreveu:

    Essa pressão é benéfica pois pode abrir novos canais para a negociação entre as duas nações já que a força bruta demonstra ser ineficiente e imbecil. Como sempre, o diálogo é o caminho.

  • 6. às 02:18 PM em 19 mar 2010, palestino escreveu:

    Sempre quando estas tudo tranquilo, israel(estado artificial no oriente médio) inventa algo para provocar os palestinos, eles nunca foram estado da paz, ja na criação começaram torturando palestinos, o mundo tera paz quando israel nao existir mais;.....

  • 7. às 02:27 PM em 19 mar 2010, Isabella escreveu:

    Processo de paz? Paralização dos assentamentos na Cisjordânia? Tenho dúvidas a esse respeito...

    Segundo Theodor Herzl, "a Terra Prometida se estende desde o Rio do Egito até o Eufrates. Incluindo partes da Síria e do Líbano".

  • 8. às 02:38 PM em 19 mar 2010, leonardo escreveu:

    A culpa mais uma vez, como em outros casos similes, é dos ingleses, que doaram parte da palestina aos judeus. Foram fazer caridade...deu no que deu! Concordo com o amigo em cima, os USA deveriam deixar Israel sò. Aì eu queria ver se eles nao iriam abaixar a crista, ainda mais com o poder bèlico que o Iram està desenvolvendo.

  • 9. às 02:21 PM em 20 mar 2010, Jose Pedro escreveu:

    BBC sempre foi anti Israel, nunca mostrou um ponto positivo, é praticamente a FOX News dos esquerdistas, sem contar que o novo anti semitismo declarado de hoje é a intensa hostilidade contra Israel, cujas ações sempre foram defensivas, no sentido da paz e democracia.

  • 10. às 11:54 PM em 20 mar 2010, Yahweh escreveu:

    "Israel ainda construiu um muro dentro da Cisjordânia ocupada, que parece ter prevenido atentados suicidas palestinos".

    Parece? Ou é, ou não é. O MURO DIMINUIU A QUASE ZERO OS ATAQUES TERRORISTAS, ponto.

  • 11. às 10:35 AM em 22 mar 2010, Ycormau Grebkol escreveu:

    Puro teatro. Só mudou o "elenco" de um lado, mas o roteiro continua o mesmo. O projeto nuclear Iraniano e o projeto "habitacional" Israelense, apesar das "pressoes", continuam em franca expansao. (PESSOAL DA CENSURA - FAVOR NAO PUBLICAR - GRATO :)

  • 12. às 11:09 AM em 22 mar 2010, Celso P. Pimenta escreveu:

    Como diria o inesquecível Gandhi: "Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho".

    A paz só ocorrerá, na minha modesta opinião, com a criação do Estado Palestino. Por quê não?

  • 13. às 04:05 AM em 23 mar 2010, paulo escreveu:

    A BBC nem disfarça mais, segue a mesma linha editorial em todo mundo. Das duas uma, ou ela é financiada por muçulmanos ou tem medo de falar mal destes e neste caso demostraria a sua mediocridade e covardia. Espero que publiquem, se não forem covardes .

  • 14. às 10:00 AM em 23 mar 2010, wilson escreveu:

    Este fato é preocupante, a região é muito instável e Israel possui artefatos nucleares, quem em 1967 declarou guerra a este estado foram outros de maioria muçulmana, perderam a guerra, deveriam aceitar este fato, mas contaram com a comunidade internacional para apoiá-los na devolução de territórios conquistados pelos israelenses, isto muito provavelmente nunca acontecerá. Continuo pensando que o único responsável por todas as maleficências que ocorrem no planeta partem em grande quantidade daqueles que sobrevivem da MORTE, um país com nome EE.UU

  • 15. às 05:45 PM em 23 mar 2010, Grilo D escreveu:

    Sim, é positivo os EUA sinalizarem que não apoiarão toda e qualquer atrocidade cometida por Israel. Mas esta pressão só fará sentido se os EUA condicionarem sua bilionária ajuda financeira a Israel a um mínimo de respeito à dignidade dos vizinhos. Não adianta criar um stress diplomático e depois ajudar Israel a massacrar palestinos, impedindo seu acesso às necessidades básicas como água e comida.
    E depois ainda dizem que os palestinos estão errados... ainda argumentam que a desvantagem de instalar correspondentes na Palestina prova isso... A fé cega!

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