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A insegurança no esporte

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Rogério Simões | 2010-01-11, 13:27

angolablog.jpgO astro do Manchester City, Emmanuel Adebayor, achou que fosse morrer. Durante meia hora, ele e seus companheiros da seleção de Togo tentaram se proteger das balas que perfuravam o ônibus que os levava para a Copa Africana de Nações. O trauma causado pelo ataque tirou Togo do torneio e manchou a reputação de Angola, que tanto investiu na organização da competição como forma de mostrar ao mundo ser uma nação de presente e futuro prósperos.

Como os palestinos mascarados que tomaram atletas israelenses na Olimpíada de Munique, em 1972, os rebeldes do enclave angolano de Cabinda conseguiram o que desejavam: tornar sua causa conhecida mundo afora, por meio de uma ação armada contra esportistas, em uma competição observada pela comunidade internacional. A Flec (Frente de Libertação do Enclave de Cabinda) diz que a região está em guerra e prometeu novos ataques. Uma desconhecida disputa local transforma-se assim em uma preocupação para o mundo, que se pergunta se um incidente semelhante pode ocorrer quando 32 países disputarem a Copa da África do Sul, daqui a cinco meses.

Os organizadores da Copa do Mundo foram rápidos em negar qualquer ligação possível entre as duas realidades. Lembraram que a África do Sul, país mais rico da África, apesar de extremamente desigual, é muito diferente de Angola, que até poucos anos atrás ainda sofria com sua guerra civil. Confundir os dois seria, segundo esse raciocínio, como temer atentados na Olimpíada de Londres por causa da ação do ETA na Espanha. Verdade. Mas o atentado contra a delegação do Togo mostra quão vulnerável um evento esportivo de grande porte realmente é diante da ação de grupos políticos armados ou mesmo criminosos comuns.

Em março do ano passado, a seleção de críquete do Sri Lanka foi alvo de um atentado no Paquistão, país que agora praticamente não consegue convencer ninguém a disputar jogos em seu território por causa do medo de novos ataques. Em outubro, a Índia será sede dos Jogos do Commonwealth (comunidade que basicamente reúne ex-colônias britânicas), e a segurança é uma das principais preocupações, especialmente depois do que aconteceu em Mumbai em 2008. Assim como será na Copa de 2014, no Brasil, na Olimpíada do Rio de Janeiro dois anos depois ou nos Jogos de Londres, daqui a dois anos. Praticamente todas as sedes das futuras grandes competições esportivas têm motivos suficientes para investir mundos e fundos para garantir que seus eventos ocorram sem nenhum imprevisto do tipo que vimos em Angola.

A origem do problema não importa tanto. Os culpados por possíveis disparos ou explosões podem ir de amadores traficantes de drogas à Al-Qaeda, passando por desconhecidos grupos separatistas. Mas a verdade é que atletas ou mesmo torcedores em competições esportivas são alvos fáceis e que, inevitavelmente, se traduzem em grande repercussão internacional. Se algum dia houve uma certa ética na realização de atentados contra civis, poupando os participantes de eventos que celebram a confraternização internacional e a diversidade, o ataque em Angola nos lembra que não há regras nem certezas quando o assunto é segurança.

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