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O que restou da "guerra ao terrorismo"

Rogério Simões | 2009-09-04, 15:53

afeganistao.jpgO mundo mudou tanto nos últimos dois anos que é fácil se esquecer dos tempos da chamada "guerra ao terrorismo", quando o então governo de George W. Bush dividiu o globo entre os que estavam do lado dos Estados Unidos e os que estavam contra. A rede Al-Qaeda havia destruído o World Trade Center, em Nova York, e continuava inspirando outros grupos de radicais que promoviam atentados em Madri, Londres, Bali, Casablanca etc.

Oito anos depois do 11 de Setembro, bombas continuam explodindo em alguns países e matando civis em grande número. Mas elas estão cada vez mais ligadas a disputas internas, com grupos armados (classificados normalmente de rebeldes ou insurgentes) questionando a autoridade local ou nacional de um país, seja ele o Afeganistão ou o Iraque, ambos ainda ocupados por forças estrangeiras, ou o Paquistão. A palavra "terrorismo" está cada vez menos presente no noticiário internacional, e os Estados Unidos já não usam mais o termo "guerra ao terror". O mês de setembro é agora mais associado ao colapso financeiro de 2008, e não mais ao desabamento das torres gêmeas.

Diante desse novo quadro, em que crise econômica e aquecimento global tomam as manchetes dos jornais, muitos, especialmente aqui na Grã-Bretanha, se perguntam por que a aliança militar ocidental Otan continua lutando uma guerra interminável no Afeganistão. Na visão de analistas, o governo britânico enfrenta dois grandes problemas no conflito: a aparente impossibilidade de derrotar militarmente o Talebã e a dificuldade em justificar a guerra à opinião pública. Por isso, o premiê Gordon Brown viu-se obrigado a vir a público, nesta sexta-feira, para dizer que "um Afeganistão seguro significa uma Grã-Bretanha segura". Os "terroristas" da Al-Qaeda estão há anos no vizinho Paquistão, por isso muitos questionam o que afinal a Otan continua fazendo do outro lado da fronteira. Mas Brown não entrou nessa discussão. Seu discurso, como escreveu o analista da BBC Paul Reynolds, repete a tradição de que um chefe de governo discursa sobre uma guerra apenas quando seu país está em apuros.

Desde 2001, 212 soldados britânicos morreram no Afeganistão, em comparação com 179 vítimas fatais na guerra no Iraque. Metade das mortes enfrentando os insurgentes afegãos ocorreu nos últimos 12 meses, com praticamente um britânico morto por dia atualmente. É um peixe difícil de vender para um país mergulhado na pior crise econômica do Pós-Guerra. Ainda mais perigoso para uma nação que, daqui a menos de um ano, terá a chance de, se quiser, trocar de governo.

Gordon Brown disse que a missão no Afeganistão, cujas recentes eleições presidenciais continuam sem resultado e sob acusação de fraude, "faz parte de uma estratégia internacional". É verdade que os Estados Unidos estão também, e ainda mais, atolados nesse lamaçal. Por isso Barack Obama sente pressão da opinião pública americana, mas nada perto do que foi a guerra no Iraque para Bush. E Obama não terá eleição no ano que vem, o que deve desperar uma certa inveja em Brown. Ambos os líderes têm muitos outros abacaxis para descascar, como o desemprego ainda crescente em seus países e o aquecimento global. Uma guerra disputada há oito anos em um país que nem mesmo Alexandre, o Grande conseguiu dominar, baseada no antigo mote da "guerra ao terrorismo", torna o trabalho dos dois ainda mais difícil.

ComentáriosDeixe seu comentário

  • 1. às 11:45 PM em 04 set 2009, José Ramos de Almeida escreveu:

    A imposição imperalista, sucessora da colonialista, nunca vai acabar, a não ser que o povo desses países intervencionistas se canse de ver seus filhos morrerem para garantir interesses econômicos dos outros. O custo dos países coligados aos EUA na suposta guerra contra o terrorismo é grande em termos financeiros, mas muito maior quando são caixões que voltam cheios e famílias que perdem seus entes queridos.

  • 2. às 07:40 AM em 05 set 2009, Alexandre escreveu:

    Com forças profissionais (e não conscrição) a pressão política doméstica é menor. De qualquer modo, eu vejo a intervenção fundada numa visão racista e será tão fracassada como foi a intervenção na Somália. Se a França tivesse apoiado o Sul na Guerra de Secessão dos EUA, a mesma teria durado no mínimo o triplo do tempo. A Guerra Civil espanhola durou o que durou por causa das intervenções externas. De modo que já temos repertório para atuarmos de outra maneira num caso como esse.

  • 3. às 12:37 PM em 05 set 2009, Anna escreveu:

    Toda esta isidencia provem da ambição americana e européias em dominar países produtores de petróleos do Oriente Médio.Saiba que,antes do Bush,não havia terrorismo,acusando os islamicos e musulmanos de terroristas como fiseram no passado com a estinta URSS,Rússia,como países conunistas de ameaça.Os terristas são pessoas condenadas ou os pobres pagando uma fortuna para serem terrroristas.Muitos,são os condenados a morte nas penitenciárias americanas.Para não desmentir,os americanos continuam com terrorismo pelo mundo.Os americanos,acusam e ameaçam o Irã,Venezuela,e demais países pelo seus interesse.No passado,Adolf Hitler queria eliminar todos os judeus dizendo que era ameaça.Hoje os americanos continua se intromentendo causando holocaustos,chacinas,etc.É só banir os americanos que sertamente a Paz reinará este mundo

  • 4. às 12:48 PM em 05 set 2009, luiz escreveu:

    nao entendo como os judeus faz esta matanças quase diaria no orinte medeio e os americanos e europeus justificas essas matanças de velhos e crianças mas quando e os arabes ja falam em terrorismo

  • 5. às 10:49 PM em 05 set 2009, LANGSTEIN ALMEIDA escreveu:

    A guerra desencadeada por Bush no Afeganistão, teve caráter político. O governo americano de então queria lavar a alma de seu povo, vingando a destruição das torres gâmeas com a invasão do Afeganistão. A invasão do Iraque foi difente, por ter sido motivada por interesse petrolífero.
    A boa estratégia política manda que os Estados Unidos saiam do Afeganistão, cujo povo nunca foi derrotado, nem pelos ingleses, nem pelos russos e muito menos pelos americanos, mesmo apoiados pelos países europeus. Esse atoleiro bélico vai ajudar a quebrar ainda mais as finanças dos EUA.
    A popularidade de Obama encontra-se em queda vertiginosa. O homem quer mudar conforme prometeu e não muda nada por temor aos privilégios das elites que provocaram a crise econômica do momento. O pretenso reformador Obama quis acabar com as guerras deixadas por Bush e só fez atiçar ainda mais a presença dos soldados ianques no Iraque e no Afeganistão.
    O senhor Obama pensou em equilibrar o orçamento fiscal americano cortando os gastos desnecessários. O fechamento de todas as bases militares estadunidenses seria o primeiro passo para reequilibar as finanças do país. Obama cedeu à pressão da elite bélica de seu país e fez foi aumentar várias bases já existentes, inclusive a base militar colombiana.
    Sem dinheiro ninguém faz festa e muito menos, a guerra. As elites americanas, representadas pela maioria no Congresso, fazem a guerra com o dinheiro fabricado pela venda dos títulos do tesouro a centenas de países. Só à China, os Estados Unidos devem um trilhão de dólares que foram investidos pelos governos na expansão do Império, através de guerras de agressão e sustentação de governos ditatoriais e corruptos.
    A salvação dos Estados Unidos estaria no reconhecimento de que não podem ser mais império. Com esta atitude, tratar de equilibrar suas finanças e procurar vender sua produção a qualquer país de qualquer ideologia, como faz a China, o Brasil de Lula, etc. Se mantiver como atualmente mantém, o Império com dinheiro emprestado, a quebradeira mundial será inevitável a prazo médio.

  • 6. às 11:46 PM em 05 set 2009, Durvaldisko escreveu:

    Quem criou o Talibã? Os EUA. Treinaram, armaram e financiaram desde que expulsassem os soviéticos.Os interessses petrolíferos-energéticos, impunham -se como se impuseram nas duas guerras do Iraque.Se a "democracia &liberdade" estivessem em jogo,os investimentos no Afeganistão
    depois de expulsos aqueles invasores ,os americanos ,consolidariam suas posições com ações cívico -sociais: implantar seu "way of life" .
    Como esse tipo de investimento, naõ mobiliza horizontal e verticalmente,industria e militares é desprezado.Parece que o "Plano Marshall",não ensinou nada aos americanos.

  • 7. às 07:09 AM em 06 set 2009, Luan escreveu:

    O Wolrd Trade Center foi distruido pelo o propio Governo shaushuhsa
    ...... Para da abertura para os Demonios de Lucifer.

    Gay Maçon

  • 8. às 04:10 PM em 06 set 2009, Vieira escreveu:

    Essa questão da guerra ao narcotráfico é pura balela. Penso que, na realidade, os EUA/UE estão tomando posições estratégicas contra a presença da China ou mesmo de um Islã mais belicoso em regiões que representam fontes de energéticos necessários às suas economias. Para a UE, se não sair do OM, o petróleo e gás terão que ser fornecidos pela Rússia ou pela África. Não lhe é conveniente ficar na dependência do primeiro; quanto ao segundo, também é palco de disputas entre as potências ocidentais e a China. Ganhará o segundo, pois este tem procurado investir em infra-estrutura nos países africanos, além de possuir grandes reservas em dólares, parte das quais - cerca de 01 trilhão de dólares - dispõe para investir, daí a necessidade dos EUA destruir, por meio da desvalorização, a capacidade da China, não só de investir, assim como desvalorizar a grande quantia que aquele país tem em títulos americanos. Qual será o fim disso tudo? Não sei. Se alguém tiver idéia, por favor, publique.
    Mas, ainda falando das drogas. Isto só é um problema porque os EUA não produzem as drogas mais deletérias ao ser humano: cocaína e heroína, que são produzidas fora do território americano ou europeu. Assim que passarem a produzir essas drogas estas serão liberadas. Vejam o caso da maconha 'Cannabis sativa', que está liberada nos EUA e já se fala em liberação global. Por que não bombardeiam os fabricantes de anfetaminas, de ecstasy, benzodiazepínicos e outras drogas ditas legais e industrializadas, obtidas sinteticamente?
    Queiram ou não, os EUA/UE dependem ainda do petróleo, e por longos anos à frente, e em sendo assim procurarão quaisquer desculpas com a finalidade de garantir o seu abastecimento.
    Gostaria de terminar registrando que a batalha o OM está perdida, mesmo que não queiram admiti-lo as potências que ali atuam no momento. O Paquistão cairá em mãos indesejáveis.

  • 9. às 05:22 PM em 06 set 2009, jaime hofliger escreveu:

    Sim, é verdade, sempre foi difícil justificar as ações militares dos americanos, mas a mídia está aí, fazendo seu trabalho incansável de tapar o sol com a peneira, não é mesmo?

  • 10. às 05:43 AM em 07 set 2009, livio escreveu:

    Ficou claro que a guerra no afeganistao e no iraque nao adiantou de nada, senao para a industria militar americana que faturou bilhoes e mostrou ao mundo seu poder de destruiçao. Esse terrorismo que a era bush pregava nao era tanto assim, so deixou o povo americano com medo e com repudio ao islã. O maior inimigo dos eua esta no proprio eua.

  • 11. às 08:49 PM em 07 set 2009, ALEX FABIANI escreveu:

    Nesse planeta, o pássaro maior come o menor, o urso polar consegue correr a uns 30 km/h enquanto as focas se arrastam lentamente. Não há justiça aqui. Só há uns sonhadores tentando mudar a natureza das coisas. Quanto à humanidade, grande parte dela é malvada. Segue imitando os pássaros e ursos. Hoje em dia, quantidade de mortos em guerras absurdas diariamente é como previsão da temperatura; só um número que poucos entendem.

  • 12. às 09:38 PM em 08 set 2009, Roberto Küll Júnior escreveu:

    Não Há "restos". Existe um grande laboratório para testar armamentos e treinar soldados. O Afeganistão interessa as diversas nações, principalmente, as indústrias de armamentos, por causa, das condições sócio-geográficas.

    O território é inóspito, árido, montanhoso com muitas cavernas, tendo temperaturas altas durante o dia e em algumas províncias, as temperaturas são baixas durante a noite. São os extremos, propício para o treinamento dos homens e máquinas.

    A fonte de riqueza do “terrorismo” são os tráficos de ópio, armas e pedras preciosas.

    Caso houvesse interesse dos governos em acabar com o terrorismo, eles sabotariam o poder econômico, são especialistas nisso. Não existe terrorista ou terrorismo sem dinheiro.

    O mundo precisa de Paz, porque, se alguém desenvolver uma técnica que transforme o deserto, em solo fértil, deteria a maior fortuna do planeta. Já pensou em ter a técnica de mudar o clima?

    Não é melhor canalizar os recursos das inteligências para investir no futuro das nações: sem fome, sem guerra, sem pestes e com água potável.

    Ah! Com uma gata gostosa do lado e uma cerveja gelada.

    Pensem nisso!

  • 13. às 02:32 PM em 09 set 2009, Ingo da Silva escreveu:

    Dizem que a unanimidade é "burra", porém está mais que provado que nem sempre! Todos os comentários aqui postos dizem a mesma coisa, ou será que todos estão errados? Os países invasores apenas estão colhendo o que plantaram: o terror! Armaram e treinaram Osama bin Laden, armaram Saddan Hussein e deu no que deu. Por que não mexem com a Rússia? Com a China? Com a Koreia do Norte?

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