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Jornalistas sob risco

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Rogério Simões | 2007-06-11, 16:49

johnston_203.jpgNeste dia 12 de junho, o seqüestro do jornalista britânico Alan Johnston (foto), correspondente da BBC na Faixa de Gaza, completa três meses. Desde então, a única indicação sobre as condições do jornalista foi a divulgação de um vídeo em que ele dizia estar sendo bem tratado. Mas, como não se sabe quando o vídeo foi gravado, é impossível tirar qualquer conclusão sobre seu estado.

O caso de Alan Johnston é mais um exemplo dos perigos que, cada vez mais, envolvem a atividade jornalística em várias partes do mundo. Em 2004, outro colega da BBC, Frank Gardner, foi vítima de um ataque de militantes da Al-Qaeda na Arábia Saudita. Levou seis tiros, mas sobreviveu, sem os movimentos das pernas. Retomou suas atividades aqui na BBC meses depois. Dias atrás, a jornalista iraquiana Sahar Hussein Ali al-Haydari, de 44 anos, foi assassinada na cidade de Mosul, tornando-se mais uma vítima de ações violentas que têm visado mulheres jornalistas no Iraque. Também neste mês a agência de notícias em vídeo APTN perdeu seu quinto profissional desde a invasão do Iraque em 2003, o cinegrafista Saif Fakhri, de apenas 26 anos. No final de 2006, o assassinato da repórter russa Anna Politkovskaya expôs o tipo de cerco que se faz a jornalistas na Rússia de hoje.

Sabendo dos riscos que algumas regiões impõem ao trabalho jornalístico, a BBC, assim como outras grandes empresas de mídia do mundo, envia seus repórteres para treinamentos específicos de como se comportar em áreas de risco. O curso envolve simulações de situações de bombardeio, tiroteio e seqüestro, além de medidas preventivas básicas, como verificar se o quarto do hotel está vulnerável ou não a um ataque externo (a cama deve estar sempre longe da janela!).

Mas tais cursos e a própria experiência em campo não impedem que crimes sejam cometidos contra jornalistas, seja por grupos armados, Exércitos legalmente constituídos ou criminosos comuns. Aqui em Londres, a ITN, cujo repórter Terry Lloyd foi morto por tropas americanas no Iraque, em 2003, iniciou uma campanha para que a legislação internacional crie o crime de matar um jornalista que esteja cumprindo seu dever profissional. Enquanto isso, empresas de comunicação e os próprios jornalistas continuarão buscando formas de melhorar as condições de segurança sem que sejam obrigados a deixar de cobrir um assunto devido aos riscos envolvidos, o que já acontece com certa freqüência. Nesses casos, quem perde não é a imprensa, mas sim toda a sociedade.

ComentáriosDeixe seu comentário

  • 1. às 08:42 PM em 11 jun 2007, Nelson Nóbrega escreveu:

    Repudio o que vem acontecendo com colegas jornalistas nessa área conflagrada, cuja guerra e demais atos terroristas florecem ao sabor de mentes insanas, movidas por interesses escusos/desumanos. Peço pela paz, não só para evitar o sacrifício de profissionais de imprensa, mas de todos - homens, mulheres, crianças (militares e civis) que se vêem envolvidos nesse cruel episódio.
    Nelson Nóbrega

  • 2. às 09:44 PM em 11 jun 2007, dalmo escreveu:

    Ele sabia muito bem onde se metendo...agora vai pagar o preço. Será que ele não é um espião a serviço de Israel???

  • 3. às 10:00 PM em 11 jun 2007, Maria Teresa escreveu:

    Rogério, gostaria de acrescentar que neste mês também se completam cinco anos do assassinato do jornalista brasileiro Tim Lopes. Segundo a Federação Nacional dos Jornalistas, nos últimos cinco anos 15 profissionais foram mortos em todo o Brasil.
    Quanto a especificar o crime por assassinato de jornalista, não concordo. Por que diferenciar o jornalista de outros profissionais ou quaisquer civis que vivem ou trabalham em situação de risco?
    Abs
    Maria Teresa de Souza (jornalista)

  • 4. às 12:17 AM em 12 jun 2007, Altino Correia escreveu:

    É profundamente lamentável a perda de vidas humanas, sobretudo de jornalistas que se arriscam a enfrentar os maiores perigos em busca da notícia e da verdade. Via de regra eles ingressam num campo minado, totalmente desconhecido, tendo por principal finalidade documentar os fatos e registrar as imagens reais de
    uma situação que só é de interesse de uma minoria. E os profissionais de imprensa e comunicação que se dedicam ao jornalismo investigativo - na maioria das vezes - acabam pagando por um crime, ou por um pecado que jamais cometeram...

  • 5. às 12:36 AM em 12 jun 2007, deywes escreveu:

    Sem dúvida alguma a profissão de jornalista vem se tornando cada dia mais perigosa, o texto cita bons exemplos disso mas também não podemos deixar de lembrar de outra vítima, não das frentes de combate, mas do crime organizado que assola o Brasil: Tim Lopes

  • 6. às 03:36 AM em 12 jun 2007, Marco Tassinari escreveu:

    No Brasil tivemos o caso do jornalista Tim Lopes, cruelmente executado cumprindo seu dever de informar a sociedade. Penso que a solução não é tão simples. Passa pela conscientização do próprio profissional de que há perigos em algumas situações e ele deve estar atento. Uma coisa é certa: as empresas empregadoras devem também oferecer uma boa retaguarda a estes profissionais. Seja oficialmente, solicitando segurança para trabalhos em teatros de guerra, seja através de contatos frequentes, visando monitorar cada passo do jornalista. Caso aconteça qualquer interrupção dos contatos, imediatamente deverá ser acionado um plano de socorro preparado de antemão pelos envolvidos na segurança.
    De qualquer forma, o cunho social de informar a sociedade não deve ser perdido. A imprensa é o único meio disponível interessada tão somente em informar com isenção. Qualquer outra origem da informação, é questionável.

  • 7. às 04:54 AM em 12 jun 2007, ayres vinagre escreveu:

    Totalmente de acordo. Inclusive propondo que jornalistas de paises desenvolvidos também liderem campanha para transformar em crime hediondo a morte de mulheres e crianças em campos de refugiados.
    Atenciosamente;
    Ayres Vinagre.

  • 8. às 10:31 AM em 12 jun 2007, Alessandro Cavalcante escreveu:

    Acho um absurdo o que fazem com os jornalistas seja aqui no Brasil, seja no exterior. Essas pessoas que sequestram ou matam jornalistas acham que isto irá resolver a situação que se encontram. No caso de Allan Johnson é lastimável e só poe a opinião publica internacional contra o povo palestino.
    Acredito que seja válido e de urgência a criação de leis que protejam os jornalistas.
    Afinal de contas são eles que nos levam a realidade aos nossos lares.

  • 9. às 04:27 PM em 12 jun 2007, Alex de Souza escreveu:

    O maior problema é a transformação da imprensa em empresa jornalística, na qual a notícia é um produto comercial.
    Os interesses do capital estão acima do respeito à integridade física dos jornalistas - empregados de tais empresas.

  • 10. às 01:38 PM em 13 jun 2007, Eduardo Nogueira escreveu:

    Não acredito em leis que protejam jornalistas pois as vigentes não são cumpridas .
    Vários são martires do esclarecimento da verdade oculta por governos corruptos , empresas de fachada e até grupos covardes que se dizem religiosos ...
    Único meio de integração entre o meio de divulgação e a atividade fim que é feita a campo , longe de mesas e proteção sempre será um perigo iminente ao reporter .
    Parabéns a quem exerce sua profissão !

  • 11. às 12:02 PM em 17 jun 2007, Rogério Athayde escreveu:

    A guerra por natureza já é uma covardia inegualável a todo e qualquer tipo de ignorância humana. Se nao existissem os jornalistas, a imprensa como um todo, o mundo seria bem pior. Gostaria aqui de parabenizar a todos os jornalistas e as jornalistas do mundo todo, pela coragem de seus atos profissionais, pela coragem de levantarem a bandeira da paz e da informação seguida do conhecimento, pela coragem de serem pessoas livres e que lutam pela liberdade humana. Que Deus ilumine a todos que lutam por um mundo melhor, que Deus ilumine a todas as familias dos jornalistas que não estão mais na Terra, desaparecidos de uma forma covarde, grotesca e nojenta, que Deus continue iluminando esses homens e mulheres que enfrentam o chamado Poder, sem medo de morrer. Que, a liberdade seja o principal objetivo do homem. Liberdade sim, liberdade com responsabilidade, mas jamais, jamais devemos abrir mão dessa liberdade natural do sêr. Quero aqui deixar uma frase que acho muito interessante nessa caminhada terrestre..."nenhum homem está tão alto para ser coroado...e nenhum homem está tão baixo para ser repudiado, pois a verdade é tão dura como pedra de diamante, mas tão sensível como asa de borboleta". E os jornalistas do mundo todo, a grande maioria deles, tem demonstrado à população mundial que não deve haver enriquecimento em nenhum setor de atividade humana, sem que venha seguido da necessária construtividade social.

    Rogério Athayde
    Palestrante do Projeto Eco Cidadania

  • 12. às 07:06 AM em 24 jun 2007, Mario Celso de Moraes escreveu:

    Lamento profundamente a agonia, da qual todos familiares e amigos padecem com este ocorrido e peço, com muita fé, a um Deus maior que todas as diferenças, que opere o milagre da vida a este profissional que presta serviço a tantos e que só cumpria o seu papel. Desejo que a covardia seja derrotada pelo bom sendo e espero ter noticias de nosso querido amigo Alan Johnston. Um respeitoso abraço e votos de sucesso a todos nós nesse desfecho.

  • 13. às 07:08 AM em 24 jun 2007, Mario Celso de Moraes escreveu:

    Lamento profundamente a agonia, da qual todos familiares e amigos padecem com este ocorrido e peço, com muita fé, a um Deus maior que todas as diferenças, que opere o milagre da vida a este profissional que presta serviço a tantos e que só cumpria o seu papel. Desejo que a covardia seja derrotada pelo bom sendo e espero ter noticias de nosso querido amigo Alan Johnston. Um respeitoso abraço e votos de sucesso a todos nós nesse desfecho.

  • 14. às 10:04 AM em 24 jul 2007, Luís da Velosa escreveu:

    Acho que essa acrimoniosidade com relação aos jornalistas é pura pusilanimidade e ignorância. Mal sabem os que perseguem os comentaristas e noticiadores, que o trabalho que esses profissionais desempenham, se traduz em benefício do evolver da humanidade. Melhor seria, que eles respondessem no mesmo tom, ou seja, escrevendo e escrevendo, contra ou a favor. Também estariam contribuindo para que os homens saíssem do atoleiro em que se encontram.

    Pode-se dizer, então, que a violência é a hipertrofia da ignorância.

  • 15. às 08:07 PM em 26 jul 2007, Glecio Jr escreveu:

    O trabalho do jornalista nestes locais é muito nobre desde que seja imparcial (nem sempre é possível, pois não depende somente do jornalista), pois leva ao mundo o que vem acontecendo. Correr risco de vida para mostrar ao mundo o que acontece é muito nobre. É claro que sempre tem a motivação e crescimento profissional, mas qual pessoa não pensa em crescer profissionalmente, não é mesmo? Muito nobre.
    Acho difícil é manter segurança nestes locais de conflito, pois o jornalista precisa ir a notícia está e muito poucas vezes são locais seguros.

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