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O choro de Rubinho

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Ricardo Acampora | 15:38, segunda-feira, 13 julho 2009

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Num desabafo pouco comum nestes dias de declarações empasteladas cuidadosamente por assessores de imprensa para não desagradar patrocinadores, Rubinho Barrichello soltou o verbo no domingo depois do GP da Alemanha e culpou a sua equipe, a Brawn GP, pela perda da corrida e pelo inexpressivo sexto lugar.
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Com cuidado para não acusar a equipe de ter favorecido o companheiro/rival Jenson Button, Rubinho disse que a Brawn desperdiçou todo o esforço que fez ao tomar a ponta na largada e por lá ficar até a primeira parada para abastecimento e troca de pneus.

Na volta à pista Rubinho se viu preso atrás da Ferrari de Felipe Massa, dando a Mark Weber, da Red Bull, a oportunidade que precisava para anular a vantagem que o brasileiro tinha conseguido abrir e acabar vencendo a corrida.

Um problema técnico na mangueira de abastecimento durante o segundo pit stop fez Rubens perder segundos valiosos no box e levou a equipe a colocar menos combustível do que programado, forçando uma terceira parada.
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Ao entrar novamente no box, Barrichello já tinha Jenson Button colado no seu escapamento e o carro do brasileiro era nitidamente mais lento que do que o do companheiro. Ao voltar à pista as posições se inverteram e Rubinho passou o resto da corrida atrás de Button.

Saiu do carro furioso e ainda de cabeça quente detonou a equipe. Disse que a Brawn deu uma ótima demonstração de como perder uma corrida e que se continuassem assim iriam acabar perdendo os dois títulos.

O dono e chefão da equipe de Rubinho, Ross Brawn, disse que é muito difícil acreditar que um piloto ganhe fazendo apenas o décimo-primeiro melhor tempo do GP.
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Ross Brawn foi o chefe de estratégia da Ferrari durante os vários campeonatos conquistados por Michael Schumacher, e que tiveram Rubens Barrichello como mero e comportado coadjuvante, sem demonstrar nenhuma ambição ao título.

Será que Brawn ainda espera de Rubinho o mesmo comportamento conformado e acomodado de antes?

A sinuca de Obama

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Eric Camara | 17:05, sexta-feira, 10 julho 2009

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E se um presidente do Brasil decidisse ignorar esse papo de preservação e urbanizar, industrializar a Amazônia. Será que conseguiria se reeleger, visto que grande parte da população acha que a floresta deve continuar de pé?

O presidente Barack Obama está numa situação parecida, mal comparando. Veja só: ele quer dar uma guinada nos Estados Unidos, rumo a uma economia de baixas emissões, mas grande parte da população - 49%, segundo uma pesquisa recente do Centro de Pesquisas Pew e da Associação Americana pelo Progresso da Ciência - acha que o aquecimento global não é provocado pela atividade humana.

Ou seja: será que vale a pena para o presidente americano jogar seu peso político nessa causa? No momento em que o desemprego beira os 10%, será que apostar em uma "economia verde" seria uma decisão sábia politicamente?

Al Gore e os defensores da mudança dizem que é justamente essa guinada que vai tirar os americanos do buraco. E se não for?

Na reunião do G8 que acabou hoje em Áquila, na Itália, Obama foi criticado duramente por não ter "assumido a liderança" na luta contra as emissões nos países industrializados. Os mais exaltados dizem até que um possível acordo em Copenhague, em dezembro, ficou mais distante.

Isso porque os países ricos se recusaram a anunciar metas de redução de emissões até 2020, embora tenham aceitado o compromisso de não deixar o aquecimento global ultrapassar os 2ºC.

Os principais culpados por isso são os americanos. Afinal, o governo ainda nem conseguiu passar a sua lei de mudança climática pelo Congresso (falta o Senado), e mesmo se tivesse, o documento do jeito que está só prevê cortes expressivos nas emissões americanas a partir de 2050.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, líderes europeus, notadamente França e principalmente a Alemanha, também estão frustrados com Obama.

Parece sinuca de bico: como tirar o país da crise, aprovar mudanças que incentivem uma "economia verde", liderar o mundo nas negociações por um acordo pós-Kyoto e ainda manter vivo o sonho da reeleição?

Os salários dos jogadores de futebol devem ser limitados?

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Ricardo Acampora | 15:41, quarta-feira, 8 julho 2009

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Pelé resolveu entrar na discussão sobre a necessidade de se impor um limite aos salários dos jogadores de futebol. O ex-jogador disse que o teto salarial evitaria os abusos e distorções que existem atualmente e que podem acabar prejudicando o esporte.

Pelé se junta assim a Sepp Blatter, o presidente da Fifa, a Michel Platini, presidente da Uefa e a vários presidentes e técnicos de clubes de diversas ligas europeias.

A divulgação dos novos salários de Kaká (9 milhões de euros, aproximadamente R$ 24 milhões) e de Cristiano Ronaldo (13 milhões de euros) voltou a aquecer o debate.
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O presidente do Real Madrid, Florentino Pérez disse que dinheiro pago a craque "não é despesa, é investimento, pois eles se pagam com sobras".

E esse é exatamente o ponto central da controvérsia. Pouca gente se importa se os super craques ganham bem, eles são as estrelas maiores de um negócio cada vez mais milionário.

Mas ninguém é inocente. O valor do passe, acrescido de salários, bônus e lucro saem da receita dos clubes, o que no final das contas vale dizer que são pagos pelos torcedores, que vão aos jogos, que compram camisas e brindes, que veem as partidas pela TV, que consomem os produtos das marcas estampadas nas camisas, nas placas de publicidade dos estádios e nos comerciais de TV durante as transmissões dos jogos.

Essa é a regra do jogo.

Aqui na Inglaterra, o tema tem provocado sempre muita polêmica. Segundo pesquisas recentes, a Premier League tem a média salarial mais elevada de todos os campeonatos europeus, e quase certamente de todo o mundo, 21 mil libras por semana, ou um salário equivalente a R$ 265 mil por mês.

A folha de pagamentos do Chelsea no ano passado passou dos R$ 540 milhões.

E o fenômeno não se limita aos times de ponta. O West Ham, time aqui de Londres que terminou em nono lugar no último campeonato, gastou com salários dos jogadores e técnicos 75% de tudo o que arrecadou na temporada.

Talvez o melhor exemplo da distorção que os altos salários têm provocado se encontre no Newcastle United, que foi rebaixado para a segunda divisão.

O clube tem encontrado muita dificuldade em vender pelo menos 10 de seus jogadores que estão sendo cobiçados por outros clubes daqui e de outros países, simplesmente porque ganham salários inflacionados, que segundo o mercado, não condizem com a capacidade técnica que demonstram em campo.

Essa inflação do mercado que tanto eleva o salário do craque como o do jogador medíocre, tem aumentado constantemente o custo para o torcedor que acompanha seu time.

Segundo o jornal inglês The Guardian, nesta última temporada o custo médio para se assistir a um jogo da Premier League fora de casa, ou seja, ali incluído custo de transporte, ficou em 90 libras (quase R$ 300).

Por enquanto os números da bilheteria não têm sido afetados pelos elevados custos e os clubes ingleses ainda aparecem no alto das listas dos mais ricos do mundo.

Resta saber até quando o torcedor vai se conformar em financiar salários desproporcionais.

Mais de 40% já disseram que apoiam a introdução dos tetos salariais. Parece que o Pelé não vai ficar sozinho.

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