Arquivo para junho 2011

'Caçando' morcegos com seu iPhone

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Eric Camara | 19:41, segunda-feira, 27 junho 2011

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Para quem tem interesse em estudar morcegos, é uma oportunidade e tanto: uma parceria entre a Sociedade Zoológica de Londres (ZSL, na sigla em inglês) e o Fundo para a Conservação de Morcegos lançou um aplicativo de celular capaz de capturar os gritos ultrasônicos dos mamíferos voadores.

bat, ibat, software

Usuários de iPhone ou Android interessados em investir em um detector ultrasônico pode baixar de graça o programinha iBat. Com este kit, estarão aptos a gravar os chamados de mais de 900 espécies de morcegos. O próximo passo é subir as gravações para o site iBats , que identifica os morcegos "interceptados" pelos celulares.

O projeto já conta com 700 voluntários em 16 países e seus representantes dizem já ter avançado no conhecimento sobre as populações de morcegos e até identificado novas espécies. Atualmente, apenas a Grã-Bretanha e países do Leste Europeu, além de Rússia e Japão monitoram os seus morcegos via iBats. A expectativa é que o novo aplicativo leve mais entusiastas a se lançarem ao estudo dos morcegos.

De acordo com estudiosos, os mamíferos voadores são um importante indicador do estado de saúde do meio ambiente local. Por isso, o governo britânico deve desembolsar o equivalente a mais de R$ 63 milhões nos próximos cinco anos para apoiar a iniciativa.

A ideia dos organizadores agora é encontrar investimentos para incorporar o microfone ultrasônico aos celulares, para facilitar a participação de cada vez mais cientistas cidadãos. Quem sabe você será o primeiro no Brasil?

Uma 'Torre Eiffel' para a Amazônia

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Eric Camara | 15:36, segunda-feira, 20 junho 2011

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A ideia pode parecer mirabolante assim, à primeira vista: construir uma torre de 100 toneladas, da altura da torre Eiffel no meio da floresta amazônica? Mas não se trata de nenhuma excentricidade, o Observatório Amazônico de Torre Alta, o Atto (sigla em inglês para Amazonian Tall Tower Observatory), é um projeto científico sério e de longo prazo.

A ambiciosa iniciativa de US$ 10,9 milhões é do Instituto Max Planck de Química, na Alemanha, financiada por uma parceria entre o governo brasileiro e o alemão. A verba alemã está liberada desde julho do ano passado.

Já a contrapartida brasileira, depois de meses de atrasos e burocracia, estaria "em fase final de aprovação e com previsão de liberação de recursos financeiros nos próximos meses", de acordo com o coordenador do projeto no Brasil, o pesquisador Antonio Manzi, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Com isso, deve ser iniciado ainda neste ano o processo de licitação da gigantesca torre principal, de 320 metros de altura. A estimativa de Manzi é que a torre principal seja erguida até outubro de 2012. Enquanto isso, uma torre secundária de 80 metros já foi comprada na Irlanda e construída no local, a cerca de 150 km de Manaus, no Amazonas.

O projeto tem como objetivo coletar e analisar dados sobre as trocas de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera acima da floresta. Como consequência, a expectativa é que modelos climáticos para a região sejam muito aperfeiçoados. Com a observação de longo prazo, finalmente poderá ser possível avaliar exatamente como e quanto a floresta amazônica atua, por exemplo, na retirada de CO2 da atmosfera, um dos chamados serviços ambientais atribuídos à Amazônia.

De acordo com o pesquisador alemão Jürgen Kesselmeier, do instituto Max Planck, também já foi erguido um mastro de 80 metros de altura e estão sendo comprados instrumentos, inclusive uma estação meteorológica já estão funcionando.

Mas as chances de a gigantesca torre principal ser fabricada no Brasil são pequenas.

"Os preços no Brasil são cerca de duas a três vezes mais altos que na Europa. Mas ainda não foi decidido onde encomendaremos as peças da torre mais alta", afirmou Kesselmeyer ao blog Planeta & Clima.

Pena...

Mudança do clima nas salas de aula. Ou não?

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Eric Camara | 21:54, segunda-feira, 13 junho 2011

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A polêmica sobre mudança climática chegou às salas de aula britânicas. No início da semana, o jornal britânico The Guardian publicou uma entrevista com Tim Oates, chefe da equipe do governo da Grã-Bretanha que estuda reformas do currículo das escolas do país. Desde 1995, a mudança do clima é um tema obrigatório nas aulas de Ciências.

Os temas "compreensão cultural da ciência" e "aplicações e implicações da ciência" também entraram no currículo nacional de crianças britânicas de 11 a 14 anos em 2007. Agora, Oates pretende simplificar o currículo para "voltar à ciência na ciência" e defende a retirada dessa obrigatoriedade nacional. Ele diz querer que o ensino destes (e outros) temas científicos fique a critério de cada escola.

De acordo com a entrevista ao Guardian, os britânicos passaram um tempo acreditando que deveriam atualizar o currículo com assuntos "tópicos" mas "oxidação e gravidade não ficam datados". A implicação óbvia é que mudança climática seria um assunto datado, o que detonou intensa discussão entre os leitores da versão online do jornal. Muitos dizem que isso dá força aos chamados "céticos do clima", que acreditam que o consenso científico sobre as mudanças climáticas seja uma grande armação.

Mas voltemos os olhos ao Brasil. Embora, por questões legislativas (constitucionais), não tenhamos um currículo nacional mínimo nos moldes da Grã-Bretanha, é possível encontrar alguma orientação nos Parâmetros Curriculares Nacionais, publicados pelo Ministério da Educação em 1997/98. Da versão para alunos de 11 a 14 anos, reproduzo um trecho abaixo:

"Cabe ressaltar que a poluição é uma questão global, pois atinge a dinâmica do planeta em seu equilíbrio. Por exemplo: os poluentes lançados no ar pela queima de combustíveis fósseis atingem a atmosfera e, por ação das chuvas, retornam à superfície terrestre, contaminando solos e águas."

Chuva ácida? Certamente não dá para falar em mudança climática. Em outras palavras, enquanto os britânicos decidem se as escolas devem ou não retirar o assunto "datado" de seu currículo obrigatório, no Brasil, o tema nem chega a ser recomendado.

Melhor assim?

90% das florestas do mundo não têm proteção adequada

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Eric Camara | 19:18, quinta-feira, 9 junho 2011

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Em meio à grita interminável por causa das mudanças no Código Florestal do Brasil, a Organização Internacional das Madeiras Tropicais (Itto, na sigla em inglês) divulgou nesta semana um levantamento que afirma que 90% das florestas tropicais do mundo não recebem proteção adequada.

Mas, o Brasil ficou entre os países em que foram constatados "avanços notáveis", ao lado do Gabão, Peru, Guiana e Malásia. Ironicamente, a legislação destes países, inclusive a brasileira - talvez prestes a ser mudada - foi considerada "progressista".

Será que os elogios seriam mantidos diante da "nova" versão do Código Florestal?

O relatório Status of Tropical Forest Management 2011 (Estado do Manejo de Florestas Tropicais, em tradução livre) levou em conta dados de 33 países com grande cobertura florestal, entre eles o Brasil, e concluiu que o número de florestas com algum tipo de plano de manejo sustentável subiu 50% nos últimos cinco anos.

Vista aérea da Amazônia

A Itto é uma organização de comércio pró-sustentabilidade que reúne 60 países-membros, responsáveis por 90% do comércio de madeira no mundo.

A área total considerada sob manejo sustentável passou de 36 milhões de hectares a 53 milhões de hectares no período. Ao todo, os países estudados representam 760 milhões de hectares de florestas (dos quais, a Floresta Amazônica cerca de 500 milhões são da Floresta Amazônica)

A Itto também avaliou a força das instituições em cada país e a melhora na fiscalização in loco. Nisso, o Brasil também vinha bem: o desmatamento da Amazônia, que chegou a 27 mil km2 em 2004, caiu para "apenas" 6,5 mil km2 no ano passado.

Obviamente, o levantamento foi concluído antes de os dados do sistema de monitoramento por satélite (Deter), do Inpa, referentes a agosto de 2010 até abril deste ano terem sido divulgados no Brasil, apontando um aumento de 27% em relação ao período anterior. O relatório da Itto também prevê que as pressões sobre o desmatamento devem continuar levando a um aumento nestas taxas em todo mundo.

Mas nem tudo é má notícia no levantamento. Além de concluir que metade das florestas está mais bem manejada hoje do que há cinco anos, ele também lembra que iniciativas de Redd (Redução de Emissões por Desmatamento ou Degradação) já existem em todos os grandes países com florestas e que se a ONU conseguir trazer à vida uma legislação internacional para Redd, grandes avanços podem ser feitos.

Vá se dormir com um barulho desses

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Eric Camara | 17:52, quinta-feira, 2 junho 2011

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A multiplicação acelerada das turbinas de vento aqui na Europa nem sempre vem sendo recebida com as palmas e elogios esperados por seus defensores, empolgados com a redução de emissões de dióxido de carbono e dependência energética dos países que elas proporcionam.


wind turbine

A instalação das imensas hélices costuma ser acompanhada de muito barulho. Em parte, literalmente, já que os argumentos da oposição vão desde mudanças na paisagem natural e riscos para populações de pássaros e insetos até o ruído que elas fazem.

Alguns falam até na "síndrome da turbina de vento", uma suposta doença, proposta pela médica americana Nina Pierpoint, cujos sintomas são dores de cabeça, zunir nos ouvidos, náusea e insônia, entre outros.

Por essas e outras, pesquisadores da universidade de Adelaide, na Austrália, decidiram ir atrás das causas. Os especialistas em acústica sabem que o ruído é provocado pelo choque do ar turbulento contra o lado mais afiado das hélices.No entanto, ainda não se sabe exatamente de que forma a interação entre a turbulência e a beirada das hélices amplifica o som.

O engenheiro mecânico Con Doolan, que coordena o estudo, diz que se essas questões forem esclarecidas, em tese, seria possível mudar o formato das hélices ou até instalar na sua superfície dispositivos que variem a produção de turbulência, reduzindo o barulho.

A equipe australiana quer ainda desenvolver um modelo computadorizado capaz de prever o ruído de usinas com dezenas de turbinas. A ideia é que com menos poluição sonora, o barulho contra as turbinas de vento também diminua, facilitando a popularização das usinas eólicas.

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