Arquivo para maio 2011

Qual será a futura capital do carro elétrico?

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Eric Camara | 16:36, quinta-feira, 26 maio 2011

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O prefeito de Londres, Boris Johnson, anunciou nesta quinta-feira o projeto Source London, uma parceria público-privada que abriu 150 novos pontos de carga para carros elétricos na capital britânica - que agora conta com cerca de 400.

O sistema, cuja anuidade custa o equivalente a R$ 265 - almeja chegar a 1,3 mil "tomadas" automotivas até 2013. Tudo isso faz parte do plano, anunciado ainda na época de sua posse, em 2008, de transformar Londres na capital do carro elétrico na Europa.

Além dos pontos de carga, ele também liberou motoristas elétricos do pagamento do pedágio urbano (que atualmente custa no mínimo cerca de R$ 24) no centro da cidade e o governo britânico atualmente oferece um incentivo equivalente a mais de R$ 13,2 mil para quem compra um carro elétrico novo, além de dispensar os motoristas do pagamento de impostos.

Poucos sabem, mas o Brasil teve alguns modelos elétricos pioneiros, fabricados pela Gurgel nas décadas de 70 e 80. Hoje, existem protótipos e planos isolados, mas ainda não parece haver uma decisão estratégica de investir neste setor.

Mundo afora, Londres não é a única a sonhar com o título de capital do carro elétrico. Paris está preparando o Autolib', um sistema de aluguel de 3 mil carros elétricos com preços camaradas e emissões zero.

Na Alemanha, o governo da chanceler Angela Merkel tem planos de pôr 1 milhão de carros elétricos nas ruas até 2020. Para isso, estaria estudando medidas como liberar os carros de impostos durante os seus primeiros dez anos, por exemplo, além de subsidiar a indústria com até 1 bilhão de euros.

Parece que já foi dada a largada para a corrida dos carros elétricos.

Onde foi parar a tal da mudança climática?

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Eric Camara | 16:06, terça-feira, 24 maio 2011

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Para quem acompanha o assunto, 2011 vem sendo incomum, pouco se falou em mudanças climáticas. E isso, no rasto do encontro de Cancún - considerado um sucesso relativo, após o fracasso de Copenhague, mesmo tendo deixado em aberto questões essenciais. E até agora, não faltaram enchentes e eventos meteorológicos extremos ao redor do mundo que diferentemente dos anos anteriores, não levaram a discussão de volta às manchetes.

Tudo bem, no Brasil, o assunto do ano no meio ambiente - de mérito inquestionável - tem sido a reforma do Código Florestal. Mas onde estão os discursos de líderes mundiais prometendo mudanças para proteger o planeta das mudanças climáticas?

Alguns até disseram que iriam investir pesado em energias renováveis, entre eles a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. O motivo? Bem, o desastre nuclear de Fukushima, no Japão, assustou países que dependem em grande parte da energia nuclear.

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu uma longa entrevista à BBC. Quase meia hora sobre quase todos os assuntos. Quase, porque não disse sequer uma vez as palavras: "mudança climática" ou mesmo "aquecimento global".

Enquanto isso, os chamados "céticos" continuam a expressar as suas opiniões - raramente baseadas em ciência robusta, mas ocupando o espaço que a imprensa lhes dá. Apesar do barulho que fazem, pouca coisa mudou no consenso da comunidade científica em torno do assunto, como mostrou um estudo australiano nesta semana (uma das poucas vezes em que mudança climática foi manchete neste ano).

Por onde anda a opinião pública? Essa é a pergunta que me faço. Considerando que pesos-pesados da política, que costumam pagar pequenas fortunas para saber o que os seus eleitores pensam, não têm tocado no assunto - Obama falou no máximo em política energética -, seria errado supor que o assunto ficou impopular?

Na semana que vem, representantes dos países que participam da convenção da ONU sobre mudança climática (UNFCCC) voltam a se reunir em Bonn para diminuir as distâncias entre as posições dos 192 países. Afinal, em dezembro, um novo encontro sobre o clima, dessa vez na África do Sul, deveria alinhavar um acordo global.

Alguém ainda se importa?

A 'partilha' do Ártico

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Eric Camara | 11:41, sexta-feira, 13 maio 2011

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Um encontro do Conselho Ártico na Groenlândia, na quinta-feira, acabou com a assinatura de uma declaração formal e um acordo regional para colaboração em operações de busca e salvamento. Assim, à primeira vista, pode-se até perguntar qual a importância disso, mas é preciso ler nas entrelinhas.

Em tempos de mudança climática, o derretimento do gelo ártico significa que áreas cada vez maiores estarão descobertas e, assim, abertas à exploração de petróleo e minérios. Calcula-se que a região de mais de 30 milhões de quilômetros quadrados abrigue até 25% das reservas globais de gás natural e petróleo.

Na prática, o acordo de busca e resgate é o primeiro passo legalmente obrigatório aprovado pelo conselho, composto por representantes dos oito países árticos: Canadá, Estados Unidos, Islândia, Finlândia, Suécia, Dinamarca (Groenlândia e ilhas Faroe), Noruega e Rússia, além de representantes de dezenas de povos indígenas.

A presença de ninguém menos que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em Nuuk sublinha a importância simbólica do acordo.


Por trás do lustre diplomático, nos bastidores, a corrida seria muito menos civilizada do que aparenta a foto da assinatura do acordo. Um comunicado diplomático vazado pelo site Wikileaks dá uma amostra do tom usado nessa corrida no degelo.

Segundo o Wikileaks, o ministro do Exterior da Dinamarca, Per Stig Moeller, teria feito a seguinte piada com colegas americanos: "se vocês ficarem de fora, sobra mais do Ártico para trincharmos entre nós".

Diante deste quadro de iminente desenvolvimento na região, o encontro de Nuuk indica que, entre promessas de combate às mudanças climáticas e proteção da biodiversidade, os países da região estão dispostos a colaborar de forma a organizar e regulamentar a exploração. Talvez seja um sinal de que o desastre provocado pela BP no Golfo do México ainda esteja vivo na lembraça dos governantes.

Energias mais renováveis que as outras

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Eric Camara | 17:25, segunda-feira, 9 maio 2011

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O Painel Intergovernamental para Mudança Climática, o IPCC, na sigla em inglês, divulgou nesta segunda-feira um relatório sobre o uso de energias renováveis no mundo. A fatia fica em torno dos 13% do total usado no planeta.

Parece muito, mas retiradas da equação biomassa e hidrelétrica, o percentual cai para minúsculos 0,5%. No país da polêmica usina de Belo Monte, todos conhecem os benefícios e também os potenciais problemas da expansão hidrelétrica.

Já a biomassa, o próprio IPCC admite que em vários países pobres e em desenvolvimento não passa da velha e boa lenha usada no fogão e no aquecimento. Difícil argumentar que em comunidades em que faltam serviços básicos possa haver grande preocupação em repor as árvores usadas, como seria pré-requisito para uma energia veramente renovável.

Isso sem contar com a eficiência dessa queima de biomassa, baixíssima e ainda poluente.


Crescimento acelerado

Em outras palavras, a fatia correspondente às energias mais frequentemente associadas à redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa - solar, eólica e geotérmica - ainda é ínfima. Mas ela vem crescendo, e muito.

O documento diz que nos últimos dois anos, a geração de energia solar e dos ventos cresceu entre 30% e 50% por ano. E que em 2009, renováveis, principalmente vento e solar, responderam por quase metade do crescimento na produção de energia global.

Na superindustrializada Alemanha, segundo maior exportador do mundo e que recentemente bateu recorde, as energias renováveis já são 17% do total, graças a incentivos cada vez maiores do governo.

A China é um dos principais responsáveis pelo crescimento da produção de energia renovável nos últimos anos, mais do que duplicando a sua capacidade eólica desde 2008, também na esteira de investimentos do governo.

Em tempos de discussão sobre os prós e contras de uma retomada da expansão da energia nuclear, o relatório do IPCC diz ainda que na maioria dos mais de 160 cenários científicos estudados, energias renováveis serão mais eficientes do que a nuclear para reduzir emissões até 2050.

A conclusão é que todas são energias de baixo carbono, mas algumas são mais renováveis que as outras.

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