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Cifrões rondam a preservação da natureza

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Eric Camara | 2010-10-22, 16:41

Desde o início da semana vem acontecendo em Nagoia, no Japão, a 10ª Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CBD, na sigla em inglês). O encontro acaba na semana que vem e tem importância vital para a preservação das espécies ameaçadas.

O objetivo é chegar a um acordo sobre o que fazer para evitar a perda acelerada que vem sendo registrada nas últimas décadas.

Praticamente encerrada a primeira semana, parecem ser poucos os avanços definitivos rumo a um acordo - o que não significa que este acordo esteja tão longe, afinal, com a chegada dos ministros, na semana que vem, tudo pode mudar.

O que está em jogo no Japão é de grande interesse ao Brasil. Dono de uma das maiores diversidades biológicas do planeta, o país tem não só responsabilidades como riquezas. E o desafio do momento é quantificar essa riqueza.

Justamente para isso, a ONG britânica Global Canopy Programme (GCP) lançou há alguns dias o seu "Pequeno Livro Vermelho de Finanças da Biodiversidade". Nele, a ONG procura quantificar financeiramente o valor dos chamados ecosserviços prestados pela natureza.

Prejuízos

A GCP diz que o mundo está perdendo mais de US$ 750 bilhões (R$ 1,2 trilhão) em biodiversidade. A ideia, evidentemente é fazer com que os governos "sintam no bolso" o custo de não preservar a natureza e passem a investir mais na preservação de ecossistemas.

E a projeção da ONG fica bem abaixo de outro projeto, o The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB) - Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade - estima o custo entre US$ 2 e 5 trilhões.

É evidente que o Brasil, bem-sucedido nos últimos anos na redução da destruição da Amazônia, tem o maior interesse na aprovação de um mecanismo previsto pela CBD para custear a preservação da biodiversidade.

A própria CBD calcula que seja necessário injetar entre US$ 30 bilhões e US$ 300 bilhões para isso. De onde viria todo esse dinheiro?

Parte dos já mencionados serviços prestados pelos ecossistemas. Toda atividade que de alguma forma se beneficie da natureza, teria embutida em seu custo os tais ecosserviços. Além disso, é claro, seriam necessários incentivos extras dos países ricos, já que grande parte da biodiversidade mundial está armazenada em países pobres.

A grande questão é saber se um acordo internacional pode transformar a lógica vigente na economia a tempo de salvar as milhares de espécies que podem desaparecer se nada for feito. E nem começamos a falar de mudança climática.

ComentáriosDeixe seu comentário

  • 1. às 12:12 PM em 26 out 2010, JAD escreveu:

    Que temos que bater na tecla da proteção é mais que óbivio, agora temos que escrever uma nova música, a de reflorestar e aproveitar as grandes fazendas que tem áreas sem produção, creio que com ajuda do governo em planos de credito para reflorestamento, para futuro consumo do mercado, todos ganhariamos, fazendeiros com sua proteção e lucro, país com seu produto limpo no mercado e a biodiversidade da amazônia com sua "total" proteção.

  • 2. às 07:12 PM em 22 nov 2010, Pedro escreveu:

    Como os países ditos desenvolvidos já depredaram a tempo com a sua biodiversidade, incluir os custos do uso dos recursos naturais não teria muito impacto para a sua economia. Mas e os países à margem desse sistema, teriam competividade em um mercado global no momento em que se insere mais um entrave financeiro na sua produção, como a inclusão dos gastos ambientais? A preservação ambiental deve ir além do conceito de fronteiras, a preservação dos recursos é uma responsabilidade de âmbito mundial. Não vamos permitir mais um entrave ao nosso precoce "desenvolvimento".

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