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Céticos do clima sem voz na imprensa brasileira

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Eric Camara | 12:12, terça-feira, 8 novembro 2011

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O Brasil é o país que menos dá voz aos chamados "céticos" das mudanças climáticas, de acordo com um estudo da universidade de Oxford em parceria com a Fundação Reuters realizado também em outros cinco países - França, Índia, China, Estados Unidos e Grã-Bretanha.

Costumam ser chamados "céticos" os cientistas que não partilham da opinião consensual do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), que conta com a participação de mais de 3 mil estudiosos e representa a grande maioria da comunidade científica, de que o aquecimento global tem muito provavelmente causas humanas.

Segundo a maior parte dos que estudam o fenômeno, pesquisas recentes vêm reforçando a hipótese. O IPCC - cujas conclusões inclusive são consideradas por muitos conservadoras - deve publicar um novo relatório em 2014.

Já a pesquisa da universidade britânica indica que a imprensa britânica e americana foi responsável por 80% do conteúdo contrário à hipótese aceita pelo IPCC publicado nos países estudados. Desses, quase metade apareceu em páginas de opinião, e não em reportagens.

O coordenador do projeto, o acadêmico e jornalista James Painter, afirma que no Brasil o espaço reduzido se deve a uma "combinação entre cultura jornalística, poucos ou nenhum grupo de pressão ligados ao setor petrolífero e à virtual ausência de vozes fortes céticas na elite científica, política e econômica" do país.

O Planeta & Clima foi até um dos poucos grupos organizados de cientistas contrários à tese antropogênica do aquecimento global, o FakeClimate. Para o professor de Climatologia da Universidade de São Paulo (USP) Ricardo Augusto Felício, os motivos para a falta de espaço na imprensa seriam outros.

Por email, o cientista afirmou que " o Brasil cumpre uma agenda internacional que necessita estipular o falacioso desenvolvimento sustentável, ou seja, alterar matrizes energéticas por fontes alternativas duvidosas, caras e ineficientes, estipular novos impostos e cercear direitos civis de escolha por exemplo, além é claro, de entrar na onda da internacionalização dos recursos naturais."

Ele também nega que não existam vozes céticas fortes na comunidade científica brasileira e diz que a opinião está "espalhada por todas as universidades e instituições".

"Ela só não ganha destaque por causa da falta proposital de visibilidade e, ao mesmo tempo, se você for um docente, por exemplo, pelos riscos de perder o emprego, perder financiamentos, perder sua credibilidade."

Por isso, o doutor em climatologia compara a situação atual com a Idade Média.

"A ciência do século XXI é feita por achismos e ideia de consenso. Isto é um grande absurdo! Então, em outras palavras, querer contestar o dogma do 'aquecimento global', mesmo mostrando dados e fatos tornou-se uma empreitada perigosa, cansativa e no final, inglória."

Embora os chamados céticos sejam minoria na comunidade científica mundial, muitas vezes façam parte de grupos financiados por empresas petrolíferas e se oponham a alguns dos nomes mais respeitados do planeta em diversas áreas de pesquisa, você acredita que eles deveriam ter mais espaço?

Ou isso só serviria para confundir o debate entre leigos?

UNFCCC de cara nova

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Eric Camara | 20:39, terça-feira, 25 outubro 2011

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Entrou no ar ontem (24 de outubro) o novo site da Convenção das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC).

À primeira vista realmente parece que o site ficou mais leve e melhor para navegar entre os milhares de documentos que fazem parte do complexo sistema burocrático da convenção.

A outra grande novidade foi a mudança do selo UNFCCC, que até então era este aqui abaixo.

unfccc

Agora, de acordo com a instituição, com o intuito de facilitar a impressão e baratear o custo dos documentos oficiais, o logo deixou para trás o tecnicamente complicado degradê vermelho e passou a ser azul e menorzinho. O processo para mudança do logo começou em 2009.

Veja abaixo como ficou:

unfccc new logo

A ideia é que até o encontro de Durban, que começa no fim de novembro, a nova marca substitua a antiga. Que tal?

'Dez bilhões é o limite a que devemos nos ater'

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Eric Camara | 16:29, terça-feira, 25 outubro 2011

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O Planeta & Clima traz um artigo escrito pelo professor Edward Wilson, da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, sobre os impactos do crescimento populacional sobre o meio ambiente. Confira abaixo:

Consumo crescente é principal ameaça do crescimento da população

É absolutamente crucial agora monitorar de perto o crescimento da população humana. De fato, estamos acelerando, com a estimativa de 9 bilhões em 2043, acima do que se esperava anteriormente a partir de análises de população feitas pelas Nações Unidas.

Dez bilhões é o limite a que deveríamos nos ater. Podemos fazer isso, e pelo menos as tendências apontam na direção certa, com quedas nos índices de natalidade em todos os continentes. Mas deveríamos nos esforçar mais para ao mesmo tempo nos afastarmos da opressão às mulheres e de gestações indesejadas.

Ainda mais importante que isso, deveríamos estar pensando de forma mais criativa sobre a questão do crescimento do consumo per capita no futuro em todo mundo.


Este aumento vai ser devastador e certamente será necessário tratar disso de forma a se alcançar sustentabilidade na alimentação e provisão de níveis decentes de moradia ao redor do globo. Isso não parece realmente estar na agenda mundial de forma a causar impacto nos países e nas pessoas mais atingidas pelo problema.

Estou particularmente preocupado com o que estamos fazendo com outras formas de vida. Estamos destruindo a diversidade biológica, que consiste de ecossistemas e das espécies que os habitam.

O perigo de sermos 'mais ou menos verdes'

Parte do nosso problema é que ao se tornar "mais ou menos verde", a população mundial tem se concentrado nas partes não vivas do meio ambiente, nos recursos naturais, na qualidade da água, na atmosfera, mudança climática e outros.

Até aí tudo bem, mas agora, deveríamos estar dando igual atenção à parte viva do meio ambiente - os ecossistemas que sobrevivem e a grande maioria das espécies, que têm milhões de anos e estão em pleno processo de erosão.

Gostaria que déssemos mais atenção à criação de reservas e parques naturais em todo mundo. Em alguns lugares isso vem acontecendo, aleatoriamente, mas não da forma necessária.

Realmente precisamos separar mais regiões em que a natureza, o resto dos seres vivos possam ser protegidos, enquanto resolvemos os problemas da nossa espécie e nos ajustamos antes de destruir toda a Terra.

Opções para o próximo século

Ou sairemos deste século e entraremos no século XXII com um planeta em condições muito ruins e com muito menos condições de abrigar vida ou sairemos dele com a maior parte das outras formas de vida preservada e com o potencial para reconstruir a natureza de forma a dar à Humanidade uma chance real de viver no paraíso, com níveis de vida decentes para todos.

Não podemos esperar que os países em desenvolvimento criem programas de produção e consumo sustentáveis enquanto os países desenvolvidos não larguem na frente e mostrem o caminho. No momento, os ricos têm padrões absurdos de consumo, e as diferenças entre os setores mais ricos e os mais pobres estão cada vez maiores mesmo nos países em desenvolvimento.

Essa é uma tendência muito perigosa. Precisamos dar o exemplo nos países desenvolvidos adotando, no mínimo, medidas de limitação do consumo e uma distribuição mais inteligente da riqueza.

O biólogo Edward O. Wilson é professor da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e atua como pesquisador, naturalista e escritor. Ele ganhou duas vezes o prêmio Pulitzer para não-ficção e trabalha no museu de Zoologia Comparativa de Harvard.

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